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OS CABRAS SAFADOS QUE ME PERDOEM Nuns versos deteriorados, de rima que não se ajusta, dedilho meus perturbados, num mundo velho que assusta. Na vida o que mais magoa é amigo traiçoeiro, que dá volta na canoa e nos afoga ligeiro. Amigo assim é melhor que fique longe, por fora. Pois diz o dito antes só depois que ele vai embora. Uns se fazem de bonzinhos. Outros riem sem querer. Outros fingem carinhos, sem terem nada a dizer. Esse amigo dissimulado, que mais se parece anta, no seu abraço apertado, tanto abisma quanto espanta. (Maria José Limeira) João Pessoa, 06.12.2011
Escrito por marialimeira às 22h07
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AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DE 2011 Aconteceram: 1. Não fui citada em nenhuma lista dos mais vendidos; 2. Ninguém conhece os livros que escrevi; 3. Meu nome nunca é lembrado na Literatura Paraibana; 4. Sou uma autora estrangeira em meu próprio País; 5. Não publiquei nenhum livro novo; 6. Todos os meus velhos livros inéditos estão guardados em gavetas. Não foi somente neste ano que essas coisas aconteceram. Há mais de 20 anos, tem sido assim. Maria José Limeira João Pessoa, 12.12.2011
Escrito por marialimeira às 22h03
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A árvore da serra Augusto dos Anjos — As árvores, meu filho, não têm alma! E esta árvore me serve de empecilho... É preciso cortá-la, pois, meu filho, Para que eu tenha uma velhice calma! — Meu pai, por que sua ira não se acalma?! Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?! Deus pos almas nos cedros... no junquilho... Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ... — Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa: «Não mate a árvore, pai, para que eu viva!» E quando a árvore, olhando a pátria serra, Caiu aos golpes do machado bronco, O moço triste se abraçou com o tronco E nunca mais se levantou da terra!
Escrito por marialimeira às 22h23
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LIVRE-ARBÍTRIO, EQUIDADE, ABADIA Amiga, todos os homens são iguais, como diziam nossos avós, nas pelejas libertárias. Não obstante, uns são brancos, outros pretos, outros mulatos, e mais outros, disfarçados ou não. Minha mãe acrescentava: “- Cada um deles tem uma pimba venenosa!” (Maria José Limeira) João Pessoa, 21.11.2011
Escrito por marialimeira às 21h07
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FISSURA Nenhum fundo de poço é tão fundo que não possa afundar uma vez mais. (Maria José Limeira) João Pessoa, 20.11.2011 .......... ALGO MUDOU Mãe: uma palavra antiga à qual, dá-se pouco valor, hoje em dia. (Maria José Limeira) João Pessoa, 20.11.2011 .......... UM CONSELHO - 1 Se você estiver com um grave problema, não peça ajuda a amigos. Uma pessoa distraída talvez seja de melhor amparo nessa hora. (Maria José Limeira) João Pessoa, 20.11.2011 .......... UM CONSELHO -2 Não faça tudo certinho, dentro dos conformes. Num País de ladrões e corruptos, se você for honesto, sincero, etc., o máximo que vai conseguir é cair no ridículo. (Maria José Limeira) João Pessoa, 20.11.2011
Escrito por marialimeira às 19h57
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FOLHETINS SOFRÍVEIS Ó nuvem alba, cândida letra no papel, leva meu recado a quem lhe caiba: - Eu estou sofrendo muito. Nas águas poluídas em que navega meu barco roto, há um amor brega e outro escroto. Em baixios de catacumbas, a morte tem desvarios. Uns são sambas. Outros, rumbas. Um dia inda é agora. Amanhã, muito depois. No passado, foste embora. O futuro, sem nós dois. Enfrentamos conseqüências: cada um sofrendo a sós, ontem, hoje, após. (Maria José Limeira) João Pessoa, 16.11.2011
Escrito por marialimeira às 20h29
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UM DESLUMBRE DEBAIXO DA CAMA (Maria José Limeira) Crafit, crafit, crafit... etc. etc., faziam as formigas seus barulhinhos, cravejadas nos encontros das paredes, dentro do guarda-roupa e do criado mudo, até espantar meu sono, que já era pouco. Seriam mesmo formigas com suas barafundas que agrediam também os ouvidos vizinhos, e não somente os meus? E por que ninguém tomava providência? Seu guarda, faz favor, há tumultos de rua debaixo do meu travesseiro. Convoque a tropa de elite, porque o senhor, seu guarda, sozinho e único, não vai conseguir dar conta... Toda vez, tinha que ser eu a me desenrolar dos lençóis quentes, sair debaixo de frio e de constrangimento para os ermos do quarto, acender luzes e descobrir, espantada, que não havia formiga nenhuma. Mas, não contem comigo agora, porque combater formigas inexistentes não é mais minha área de atuação. Doravante, brigarei somente contra exércitos de brancaleones, ditaduras ridículas de mais de vinte anos, incêndios criminosos de neros do século vinte e um, esquadrões da morte morrida e da morte matada, gangues violentas munidas de AR-15s e contra outras coisinhas mais de somenos importância. Pensando bem, levantei-me da cama com má vontade, para danar baygon nas formigas guerrilheiras. Achando que elas daquela vez existiriam. Hilário engodo. Depois de procurá-las no teto, nos recantos das paredes, em vão, descobri o que havia debaixo da cama. Era uma galinha choca, cujos pintainhos nasciam, quebrando cascas de ovos e gritando a mais não poder: - Piu, piu, piu, piu, piu... etc. etc. – cujas expressões defini assim: “Allons enfants de la Patrie le jour de gloire est arrivé...”
Escrito por marialimeira às 00h03
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NA DESORDEM DA ZONA MORTA Maria José Limeira Ouvi o farfalhar suave de folhas na calçada, passos ligeiros. Alguém bateu à porta. Olhei pelo buraco da fechadura. O vento assobiou. Fiquei cada vez mais sozinha. Fui dormir cedo, entre os últimos raios de sol e um começo de céu sombrio. Acordei assustada, aturdida, na escuridão. Eram, talvez, três horas da manhã. O fantasma da meia noite se atrasara. Tive pai, mãe, muitos irmãos, tios, padrinhos, parentes, contra-parentes, todos muito certinhos, competentes. Mas, nem assim consegui ser feliz. Hoje, meus parentes e aderentes são apenas vultos que o crepúsculo esconde. Durante o dia, cantam os passarinhos, os carros buzinam desesperados, as pessoas gritam, xingam, choram. Tudo isto é mui belo. Quando a noite chega, soçobro. Há duas partes em mim que se confrontam. Uma é minha cara de virgem, santa pureza, senhora da consolação. A outra dilacera minhas vísceras, esmaga meu coração, num permanente desencontro. Se o mundo é grande e bonito, as pessoas são generosas, o cachorro é o melhor amigodo homem, a Natureza é pródiga, todos são bons e inocentes até que se prove o contrário, por que eu me sinto culpada por antecipação e tenho que pagar alto pelos meus supostos desacertos? O dia é branco. A noite, negra. O céu, azul. A rosa, vermelha. Se o planeta Terra é colorido, a própria morte tem cor, porque eu me apresento com essa cara de lelé pálida e exangue, como cadáver de rainha egípcia mumificada? O óbvio é azucrinante. – Eis uma boa resposta às dúvidas estrondosas.
Escrito por marialimeira às 00h01
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ALENTO Eu quero capturar a noite como quem sobrepuja a dança da égua no cio, entre as pernas, ininterruptamente prenhe de Poesia. (Maria José Limeira) João Pessoa, 02.11.2011 ........... APARÊNCIAS Quem me vê assim falando, rindo, contando piadas ou chorando, pensa que eu ainda tenho juízo. Ah-ah! (Maria José Limeira) João Pessoa, 02.11.2011 .......... TE ENXERGA! As pessoas deveriam se envergonhar daquilo que são. Que caras-de-pau! (Maria José Limeira) João Pessoa, 02.11.2011 .......... DES-AFIO Não pensem vocês que porque estou velha, vou levar desaforo pra casa. Venham aqui, seus cabras-safados! (Maria José Limeira) João Pessoa, 02.11.2011
Escrito por marialimeira às 22h55
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CSI-Miami, CSI-New York & Law and Order (Maria José Limeira)
Para quem gosta de TV, nada de novelas açucaradas, nem jornais (locais, nacionais, internacionais), nada disso que tenta lançar desafios para as precárias mentes brasileiras, obrigando-as a refletir, sem alcançar... Boas mesmo são as “séries” (ainda que brasileiras ou musicais). Bem... Bem. Vamos então ao que interessa: as séries enlatadas (e/ou enluaradas) americanas, onde o crime não compensa e, depois de perpetrado, enseja uma cadeia de dúvidas nos telespectadores sobre quem serão os autores de tais fatos delituosos merecedores de penas máximas. Fazem parte do mistifório atores de grande popularidade nos EUA, valendo os tais programas audiências máximas, naquele País pela curiosidade que despertam, vez que, cada filme da série tem vida independente, e usa intérpretes que se escoram na TV para ganhar dinheiro, sem preocupação em relação à arte cinematográfica por supostos inúteis grandes filmes. Ah-ah! São desses CSIs da vida que tiro minhas lições sobre a arte do mistério, da polícia, de personagens intricados, de temas exóticos e de artistas galantes (ou galanteadores?). – Affe! O tal de David Caruso (Horatio), com aqueles seus olhinhos baixos e sorrisos misteriosos na condução das investigações de assassinatos cada vez mais primorosos é de fazer qualquer mocinha casadoira se comover. Ai, ai, ai... Não eu, claro, que há muito tempo perdi as lágrimas de tanto me emocionar nos “suplícios de uma saudade” de todas as gerações. Quem se importa que as séries citadas no título deste meu curto documentário sejam reles, trashs (é assim que se escreve?) e filmes de quinta categoria, como as classificam os críticos cinematográficos mais exigentes? Menos eu! Abaixo a TV Globo & o Jornal Nacional!
Escrito por marialimeira às 22h03
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AO POETA FRANCISCO COIMBRA Quando você surge ao longe, até parece que o mundo fica mais bonito. Depois é que vejo a realidade: bonito mesmo é você! (Maria José Limeira) 17.10.2011
Escrito por marialimeira às 20h23
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PASSARINHO, PASSARINHO Um passarinho verde pousado no peitoril da janela disse-me: “-Tenha paciência. Você ainda vai ser feliz.” Maria José Limeira João Pessoa, 06-10-2011 .......... TANTOS ANOS DE ORAÇÕES E SÚPLICAS Se Deus existisse mesmo, como dizem, já teria dado um jeito na minha vida. Maria José Limeira João Pessoa, 06-10-2011 .......... FALEM BAIXO, ORAS! Por que será que os adultos só falam com as crianças aos gritos? Dão a má impressão de que toda criança é surda. Maria José Limeira João Pessoa, 06-10-2011
Escrito por marialimeira às 20h22
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ADEUS E PONTO FINAL Por que as pessoas não entendem que eu não quero vê-las mais? Maria José Limeira João Pessoa, 06-10-2011 .......... REENCONTRO INDESEJÁVEL Depois de mais de vinte anos sem notícias, localizei-o na multidão. Gritei desesperada: -Arre! Você ficou careca! Maria José Limeira João Pessoa, 06-10-2011 .......... ESQUECE-ME, TRISTEZA Eu gostaria tanto de esquecer minha tristeza... Ou, no mínimo, não falar mais do assunto. Maria José Limeira João Pessoa, 06-10-2011
Escrito por marialimeira às 20h18
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LUGAR-COMUM Bem fez quem disse: “A vida é curta”. De repente, chega-se aos 60 e 70 anos de idade. Maria José Limeira João Pessoa, 06-10-2011 .......... LUGAR-NENHUM Estou dispersa no meio da casa, sem ter mais o que fazer e onde ficar. Maria José Limeira João Pessoa, 06-10-2011
Escrito por marialimeira às 20h12
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NECAS DE PIRIPITIBA Abri a porta da gaiola. Ofereci liberdade ao canário. Ele olhou pra mim. Virou-se para outro lado. Fez que não me viu. Que passarinho invocado! Maria José Limeira João Pessoa, 29-09-2011 .......... FRASE FEITA Um dia, hei-de vencer. Mas... (desculpem a impertinência) quando? Maria José Limeira João Pessoa, 29-09-2011 .......... REQUERIMENTO Millôr Fernandes, permita-me usar meu nome nos seus poemas. Somente de vez em quando, viu? Maria José Limeira João Pessoa, 29-09-2011
Escrito por marialimeira às 11h21
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