Blog de marialimeira


NO ALTO DA TORRE, HORIZONTE

 

Ajudem-me a voar,  

antes que o céu negreje

e meus pés entediados

espalhem  germes.

pelos toscos descaminhos.

 

Terras pretas, aluviões.

Cândidas, quando praias.

Densas, como cinzas.

Resíduos, sem sobrevida. 

 

Não dá para discernir tudo.

A distância é longa.

O conhecimento, parco.

A saudade, um saco de batatas quentes

quando verga  imperativo sobre o dorso

debulhando mágoas

entre  ossos e articulações.

 

Criar asas.

Voar.

Seria boa opção,

dessa altura da torre

onde  o gongo canta

“bão-balalão-senhor-capitão”...

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 28.05.12

 

 



Escrito por marialimeira às 15h25
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VOCÊS SABEM COM QUEM ESTÃO FALANDO?

Olás amigas formosas.

Olás amigos charmosos.

Sou uma das fundadoras deste espaço lindo, onde atuei por longo tempo e brilhantemente (se me desculpam a falta de modéstia), mas a palavra é esta: amiga de vocês, corajosa ao dizer a verdade, sem papas na língua, a voz retumbante...

Agora, depois de uma temporada silenciosa, lutando pela vida, de hospital em hospital, estou voltando devagar (tentei voltar outras vezes) para vos dizer que estou bem novamente, embora com algumas seqüelas.

Mas... Aqui estou.

E olhem eu aqui, gentes lindas! Tomara seja bem-recebida por todos vocês, vez que plantamos juntos belas sementes, as sementes da amizade e do respeito.

Olhem eu aqui de novo? hihihih...

Beijos.

(Maria José Limeira)

João Pessoa(PB), 17.05.12

 



Escrito por marialimeira às 15h14
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Poemas do desencantar-se

 

Ei, mãe.

Você tinha tanta esperança

em mim.

Mesmo assim,

não consegui chegar lá.

 

Desculpe, viu?

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 06.03.2012

..........

 

As cirandas que a gente brinca

em criança

transformam-se depois

em rolos compressores,

e não há Deus do Céu

que dê jeito.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 06.03.2012

..........

 

Era somente

uma pequenina semente de feijão

que suscitou um príncipe.

 

Como eram lindas

as estações

do meu quintal!

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 06.03.2012

..........



Escrito por marialimeira às 01h19
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Para quebrar nossos votos de silêncio, um poema:

 

Adeus é um estilhaço

na carne

que o sigilo esmaga.

Nas caladas da noite,

frêmito e escuridão.

 

Quem suportará tanta aflição?

 

Maria José Limeira

João Pessoa. 05.02.2012



Escrito por marialimeira às 21h46
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Drácula, Tubarão e Os Pássaros serão relançados

 

10-01-2012

 

 por Roberto Cunha

 

Perto de comemorar o seu centenário, que acontece no dia 30 de abril, os estúdios Universal preparam uma série de eventos especiais para pontuar a data. Entre eles, a restauração e o relançamento promete fazer com que muitos fãs assistam grandes clássicos no cinema.

 

Assim, a turma que teve a oportunidade de ver na sala escura, filmes como Os Pássaros, Tubarão, Drácula, Golpe de Mestre, poderá rever e quem nunca viveu essa experiência, a chance passa a ser quase que única.

 

Estão previstas ainda a chegada de uma nova marca, em março com o lançamento de O Lórax: Em Busca da Trúfula Perdida, além de um novo parque temático.

 

Além dos quatro títulos já citados, retornam também Entre Dois Amores, com Meryl Streep e Robert Redford, A Lista de Schindler, Confidências à Meia-Noite, com Rock Hudson e Doris Day, Frankenstein, A Noiva de Frankenstein, Nada de Novo no Front e Buck Privates, com a dupla de comediantes Abott & Costello.

 

E para aqueles que acharam que essa festa está longe (pela distância mesmo ou pelo tempo), mais perto nos dois sentidos está o lançamento em Blu-ray no 50º aniversário de O Sol é Para Todos, com Gregory Peck, e de E.T., o Extra-terrestre no seu 30º aniversário.

 

Fonte: Adoro Cinema - Empire

 



Escrito por marialimeira às 21h24
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OS CABRAS SAFADOS QUE ME PERDOEM

 

Nuns versos deteriorados,

de rima que não se ajusta,

dedilho meus perturbados,

num mundo velho que assusta.

 

Na vida o que mais magoa

é amigo traiçoeiro,

que dá volta na canoa

e nos afoga ligeiro.

 

Amigo assim é melhor

que fique longe, por fora.

Pois diz o dito antes só

depois que ele vai embora.

 

Uns se fazem de bonzinhos.

Outros riem sem querer.

Outros fingem carinhos,

sem terem nada a dizer.

 

Esse amigo dissimulado,

que mais se parece anta,

no seu abraço apertado,

tanto abisma quanto espanta.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 06.12.2011



Escrito por marialimeira às 22h07
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AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DE 2011

 

Aconteceram:

1. Não fui citada em nenhuma lista dos mais vendidos;

2. Ninguém conhece os livros que escrevi;

3. Meu nome nunca é lembrado na Literatura Paraibana;

4. Sou uma autora estrangeira em meu próprio País;

5. Não publiquei nenhum livro novo;

6. Todos os meus velhos livros inéditos estão guardados em gavetas.

Não foi somente neste ano que essas coisas aconteceram.

Há mais de 20 anos, tem sido assim.

 

Maria José Limeira

João Pessoa, 12.12.2011



Escrito por marialimeira às 22h03
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A árvore da serra

 

Augusto dos Anjos

 

— As árvores, meu filho, não têm alma!

E esta árvore me serve de empecilho...

É preciso cortá-la, pois, meu filho,

Para que eu tenha uma velhice calma!

 

— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!

Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!

Deus pos almas nos cedros... no junquilho...

Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...

 

— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:

«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»

E quando a árvore, olhando a pátria serra,

 

Caiu aos golpes do machado bronco,

O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!



Escrito por marialimeira às 22h23
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LIVRE-ARBÍTRIO, EQUIDADE, ABADIA

 

Amiga,

todos os homens são iguais,

como diziam nossos avós,

nas pelejas libertárias.

Não obstante,

uns são brancos,

outros pretos,

outros mulatos,

e mais outros,

disfarçados ou não.

Minha mãe acrescentava:

“- Cada um deles tem

uma pimba venenosa!”

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 21.11.2011



Escrito por marialimeira às 21h07
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FISSURA

 

Nenhum fundo de poço

é tão fundo

que não possa afundar

uma vez mais.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 20.11.2011

..........

 

ALGO MUDOU

 

Mãe:

uma palavra antiga

à qual, 

dá-se pouco valor,

hoje em dia.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 20.11.2011

..........

 

UM CONSELHO - 1

 

Se você estiver

com um grave problema,

não peça ajuda a amigos.

Uma pessoa distraída

talvez seja

de melhor amparo

nessa hora.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 20.11.2011

..........

 

 

UM CONSELHO -2

 

Não faça tudo certinho,

dentro dos conformes.

Num País de ladrões

e corruptos,

se você for honesto,

sincero,

etc.,

o máximo que vai conseguir

é cair no ridículo.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 20.11.2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por marialimeira às 19h57
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FOLHETINS SOFRÍVEIS

 

Ó nuvem alba,

cândida letra no papel,

leva meu recado

a quem lhe caiba:

- Eu estou sofrendo muito.

 

Nas águas poluídas

em que navega

meu barco roto,

há um amor brega

e outro escroto.

 

Em baixios

de catacumbas, 

a morte tem desvarios.

Uns são sambas.

Outros, rumbas.

 

Um dia inda é agora.

Amanhã, muito depois.

No passado, foste embora.

O futuro, sem nós dois.

Enfrentamos conseqüências:

cada um sofrendo a sós,

ontem, hoje, após.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 16.11.2011

 



Escrito por marialimeira às 20h29
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UM DESLUMBRE DEBAIXO DA CAMA

(Maria José Limeira)

 

 

Crafit, crafit, crafit... etc. etc., faziam as formigas seus barulhinhos, cravejadas nos encontros das paredes, dentro do guarda-roupa e do criado mudo, até espantar meu sono, que já era pouco.

Seriam mesmo formigas com suas barafundas que agrediam também os ouvidos vizinhos, e não somente os meus?

E por que ninguém tomava providência?

Seu guarda, faz favor, há tumultos de rua debaixo do meu travesseiro. Convoque a tropa de elite, porque o senhor, seu guarda, sozinho e único, não vai conseguir dar conta...

Toda vez, tinha que ser eu a me desenrolar dos lençóis quentes, sair debaixo de frio e de constrangimento para os ermos do quarto, acender  luzes e descobrir, espantada, que não havia formiga nenhuma.

Mas, não contem comigo agora, porque combater formigas inexistentes não é mais minha área de atuação.

Doravante, brigarei somente contra exércitos de brancaleones, ditaduras ridículas de mais de vinte anos, incêndios criminosos de neros do século vinte e um, esquadrões da morte morrida e da morte matada, gangues violentas munidas de AR-15s e contra outras coisinhas mais de somenos importância.

Pensando bem, levantei-me da cama com má vontade, para danar baygon nas formigas guerrilheiras. Achando que elas daquela vez existiriam.

Hilário engodo.

Depois de procurá-las no teto, nos recantos das paredes, em vão, descobri o que havia debaixo da cama.

Era uma galinha choca, cujos pintainhos nasciam, quebrando cascas de ovos e gritando a mais não poder:

- Piu, piu, piu, piu, piu... etc. etc. – cujas expressões defini assim: “Allons enfants de la Patrie le jour de gloire est arrivé...”



Escrito por marialimeira às 00h03
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NA DESORDEM DA ZONA MORTA

Maria José Limeira

 

Ouvi o farfalhar suave de folhas na calçada, passos ligeiros.

Alguém bateu à porta.

Olhei pelo buraco da fechadura.

O vento assobiou.

Fiquei cada vez mais sozinha.

Fui dormir cedo, entre os últimos raios de sol  e um começo de céu sombrio.

Acordei assustada, aturdida, na escuridão.

Eram, talvez, três horas da manhã.

O fantasma da meia noite se atrasara.

Tive pai, mãe, muitos irmãos, tios, padrinhos, parentes, contra-parentes, todos muito certinhos, competentes.

Mas, nem assim consegui ser feliz.

Hoje, meus parentes e aderentes são apenas vultos que o crepúsculo esconde.

Durante o dia, cantam os passarinhos, os carros buzinam desesperados, as pessoas gritam, xingam, choram.

Tudo isto é mui belo.

Quando a noite chega, soçobro.

Há duas partes em mim que se confrontam.

Uma é minha cara de virgem, santa pureza, senhora da consolação.

A outra dilacera minhas vísceras, esmaga meu coração, num permanente desencontro.

Se o mundo é grande e bonito, as pessoas são generosas, o cachorro é o melhor amigodo homem, a Natureza é pródiga, todos são bons e inocentes até que se prove o contrário, por que eu me sinto culpada  por antecipação e tenho que pagar alto pelos meus supostos desacertos?

O dia é branco.

A noite, negra.

O céu, azul.

A rosa, vermelha.

Se o planeta Terra é colorido,  a própria morte tem cor,  porque eu me apresento com essa cara de lelé pálida e exangue, como cadáver de rainha egípcia mumificada?

O óbvio  é azucrinante. – Eis uma boa resposta às dúvidas estrondosas.

 



Escrito por marialimeira às 00h01
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ALENTO

 

Eu quero capturar a noite

como quem sobrepuja

a dança da égua no cio,

entre as pernas,

ininterruptamente prenhe

de Poesia.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 02.11.2011

...........

 

APARÊNCIAS

 

Quem me vê assim

falando,

rindo,

contando piadas

ou

chorando,

pensa que eu

ainda tenho juízo.

Ah-ah!

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 02.11.2011

..........

 

TE ENXERGA!

 

As pessoas deveriam

se envergonhar

daquilo

que são.

 

Que caras-de-pau!

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 02.11.2011

..........

 

DES-AFIO

 

Não pensem vocês

que porque estou velha,

vou levar desaforo pra casa.

 

Venham aqui,

seus cabras-safados!

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 02.11.2011

 



Escrito por marialimeira às 22h55
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CSI-Miami, CSI-New York & Law and Order

 (Maria José Limeira)

Para quem gosta de TV, nada de novelas açucaradas, nem jornais (locais, nacionais, internacionais), nada disso que tenta lançar desafios para as precárias mentes brasileiras, obrigando-as a refletir, sem alcançar...

Boas mesmo são as “séries” (ainda que brasileiras ou musicais).

Bem... Bem.

Vamos então ao que interessa: as séries enlatadas (e/ou enluaradas) americanas, onde o crime não compensa e, depois de perpetrado, enseja uma cadeia de dúvidas nos telespectadores sobre quem serão os autores de tais fatos delituosos merecedores de penas máximas.

Fazem parte do mistifório atores de grande popularidade nos EUA, valendo os tais programas audiências máximas, naquele País pela curiosidade que despertam, vez que, cada filme da série tem vida independente, e usa intérpretes que se escoram  na TV para ganhar dinheiro, sem preocupação em relação à arte cinematográfica por supostos inúteis grandes filmes.

Ah-ah! São desses CSIs da vida que tiro minhas lições sobre a arte do mistério, da polícia, de personagens intricados, de temas exóticos e de artistas galantes (ou galanteadores?).

– Affe! O tal de David Caruso (Horatio), com aqueles seus olhinhos baixos e sorrisos misteriosos na condução das investigações de assassinatos cada vez mais primorosos é de fazer qualquer mocinha casadoira se comover. Ai, ai, ai... Não eu, claro, que há muito tempo perdi as lágrimas de tanto me emocionar nos “suplícios de uma saudade” de todas as gerações.

Quem se importa que as séries citadas no título deste meu curto documentário sejam reles, trashs (é assim que se escreve?) e filmes de quinta categoria, como as classificam os críticos cinematográficos mais exigentes?

Menos eu!

Abaixo a TV Globo & o Jornal Nacional!




Escrito por marialimeira às 22h03
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