Blog de marialimeira


E A SAÚDE, COMO VAI?

Maria José Limeira

 

Depois de ver, pela televisão, as pessoas vítimas de cardiopatias serem desrespeitadas por bandidos-médicos da Paraíba, encastelados num valhacouto chamado “Cooperativa de Cirurgiões”...  E depois de ver esses mesmos pacientes cardiopatas falecendo (um a um, e até crianças!) sem atendimento, porque os PCCs da medicina se recusavam a atendê-los, visto que a esses marginais de branco só interessa o dinheiro que recebem por cirurgia realizada (palavras deles!) e ´pouco estão se lixando se existe, ou não, alguma pessoa humana que precisa de assistência para um pequeno sopro de vida a mais...  E depois de ver, indignada, que certos açougueiros com diplomas de médico continuam a esquecer agulhas cirúrgicas e bisturis dentro de corpos humanos, chumaços de algodão dentro de peles suturadas, erros médicos crassos perpetrados por pessoas despreparadas, tendo como vítima a população pobre, sem acesso aos canais da Justiça para botar cabras safados na cadeia, que é o mínimo que os descarados merecem. Sem punição, esses magarefes continuam a desfilar nas colunas sociais sua pecha de bons moços, na certeza de que sua casta científica imaculada jamais será abalada, ainda que eles matem e esfolem ou, por omissão de socorro (e por ruindade!), deixem as pessoas morrendo...

Pois bem. Pois pois! Depois de ver tudo isto (e mais alguma coisa!) fomos ver de perto o que acontece ao redor. Dessa atenta observação, nasceram relatos que registram o quadro de horror em que a Saúde no Brasil se transformou, onde abundam pacientes sem quaisquer direitos, de um lado e, de outro, o supra-sumo de uma casta com super-poderes  decidindo quem deve morrer e quem deve ficar para semente, num jogo cruel sob a égide do Deus-Dinheiro ($$$$$....), com o aval de um Código Penal ultrapassado, que condena vítimas e absolve criminosos. Sem um mínimo de vergonha ou pudor!

Bem bem, pois muito que bem & pois pois!    “Pois é!” – diz aquele nosso amigo  bem

conhecido de longas datas que vocês sabem muito bem quem é.

No Hospital de Trauma estadual, vê-se, logo de entrada, uma placa avisando aos incautos pacientes e aderentes, aflitos com suas dores emergenciais, que qualquer altercação frente  a atendentes e parentes abusados e mal-humorados funcionários públicos poderá ser entendida como  “desacato à autoridade”, e punida com alguns anos de cadeia, como bem merece a população pobre, desvalida, prostituta e de outras des-qualificações de somenos importância.  Porém.... Ah porém! Não há, naquele hospital, nenhuma placa indicativa de que é o dinheiro suado do paciente contribuinte que sustenta aquela douta instituição e que por isso mesmo  dores e sofrimentos deveriam estar acima de qualquer outra razão de ordem policialesca ou judicial...

No Hospital de Trauma municipal, funcionários zelosos entendem mais de burocracia do que de relacionamento humano.  Mas,  o humilde guarda que maneja uma corrente para impedir que a ousadia das agonias e aflições ultrapasse os limites e atrapalhe o tráfego interno nos corredores entende mais de realidade do que supostos médicos de roupas alvíssimas. Esses limpíssimos do Trauma municipal, que atendem pelo falso  nome de “médicos” deveriam trabalhar como bedéis da Aduana, carimbando papéis inúteis ou desimpedindo mercadorias que vão ou vêm, e não em hospital onde a angústia tem pressa. Pois é de produtos em trânsito e de dinheiro no bolso ($$$) que eles entendem, e não de algo que emite sons humanos.

 



Escrito por marialimeira às 05h38
[   ] [ envie esta mensagem ]




E a Saude, como vai? - Conclusão

Mas... Dissemos que este é o quadro da Saúde Pública na Paraíba? Pois erramos. Encontramos coisas bem piores em hospitais da rede privada, onde a mais-valia do capitalismo selvagem permite que um só médico-funcionário atenda a mais de vinte (20!) pacientes em  estado de urgência, de maneira que alguém naquela situação terá de morrer, visto que é impossível atender a todos ao mesmo tempo. O prazo de espera nas filas de atendimento das emergências em hospitais particulares é de, pelo menos, uma hora. Que estrutura sustenta um sistema social que obriga os bancos a atender seus clientes nas filas em, no máximo, 20 minutos, enquanto pacientes fibrilados aguardam uma hora (e até muito mais!)  em corredores de hospitais públicos e privados, sem atendimento algum?  Senhoras e senhores, vocês podem nos explicar por que a vida

humana tem tão pouco valor?

Ouvimos falar que o Ministério Público, junto com as delegacias do Trabalho continua na luta incansável para coibir e punir o trabalho escravo, nas fazendas do interior do Brasil. Mas, todos parecem ignorar que esse tipo de trabalho escravo continua a ser mantido nas capitais. No comércio lojista, nas empresas de serviço, nos hospitais, etc., empregados trabalham sem carteiras assinadas e sem receber um centavo, sob o pretexto de “manter a vaga”, e depois de submetidos a esse período de exploração, são descartados sem qualquer direito. Os sindicatos, as associações de classe e os coren`s da vida sabem disso, mas ninguém toma providência... Por quê?

Ah donos do mundo... Espoliadores ostensivos...  Juntem-se ao Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, líder das hostes palacianas, para darem vivas e loas aos corruptos de plantão, contra as classes trabalhadoras e contra quem as defende. É melhor serem reacionários assumidos dizendo logo de que lado estão do que posar de “bonzinhos”, “bem-pensantes”, “cultos”, etc., com seus sorrisos hipócritas em fotos nas colunas sociais, na tentativa de enganar os bestas.

Mas... Dissemos que são todos assim gananciosos, cruéis e bandidos? Pois erramos! Há honrosas exceções!

 



Escrito por marialimeira às 05h36
[   ] [ envie esta mensagem ]




VAGA LUZ NOSTÁLGICA

Maria José Limeira

 

O vago da bacia em que me deito.

O claro da coxia em que me deixo.

O céu da nostalgia em frio leito.

A porta-alegoria em que me fecho.

 

O sino da matriz em que me ouço.

A vida assim me diz que me disfarço.

O verso do aprendiz no calabouço.

O grito ecoa bis em vil esgarço.

 

A cela da noturna em que negrejo.

O ar da minha furna que respinga.

A face da soturna em que me vejo.

O claro da diurna na restinga.

 

O sol covil-desgraça em alameda.

A lua em que confio meu arremesso.

O brado do assovio que rasga seda.

A luz do desvario em que me esqueço...

 



Escrito por marialimeira às 05h22
[   ] [ envie esta mensagem ]




Cinema

Ensaio sobre a cegueira

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

O que mais se ressalta no filme “Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles, é que consegue manter-se como obra-prima, e como linguagem cinematográfica, sem nada a dever à criação original (o livro) de José Saramago.

Destarte, o livro é prolixo, não porque seja defeito dele ser prolixo, e sim porque a linguagem escrita é prolixa por natureza, a fim de se manter no diálogo com o leitor.

Já o filme é conciso, e é nessa concisão que reside o perigo de transpor uma história da literatura para o cinema: pode-se dizer tudo ou nada, sendo muito difícil ao diretor manter-se em equilíbrio entre a intenção primeira do autor do livro, e os contornos da linguagem cinematográfica.

Um livro é um livro, e, como tal, a obra de  Saramago é incontestável.

Um filme é um filme, e, como tal, a obra de Meirelles é deslumbramento.

Ambos ligados pelos escaninhos da criação.

Outros diretores não conseguiram tanto na transposição de obras literárias para o cinema. Pouquíssimos o conseguiram sem desvirtuar a versão original da história.

Ao Meirelles, cabe esse merecimento.

Tanto isso é verdade que o próprio Saramago chorou de emoção ao assistir à primeira cópia, agradecendo ao cineasta a genialidade do filme.

Bem. É o cinema brasileiro de parabéns, e nós, cinéfilos, agradecemos.

 

 



Escrito por marialimeira às 22h16
[   ] [ envie esta mensagem ]




VARIAÇÕES EM TORNO DO QUE PODERIA SER

(Francisco Coimbra & Maria José Limeira)

 

 

I

A página virada

guarda o seu verso

e à sua frente abre-se

uma ligação intacta

para o Universo

(Francisco  Coimbra)

 

 

I

A palavra

que o Universo encerra

transmuda-se em água,

sal e terra.

(Maria José Limeira)

..........

 

 

II

Nas estrelinhas

olhando para além

procurando entrelinhas

cruzam-se paralelas

concorrentes

(Francisco Coimbra)

 

 

II

Amores são linhas

paralelas:

ora estrelinhas libertas, 

ora barquinhos sem velas.

(Maria José Limeira)

..........

 

 

III

Tudo se move

feito de memória

é esta a escrita

ainda a escrever-se nua

luar de Lua!

(Francisco Coimbra)

 

 

III

No meu livro

de memórias,

o passado é página branca

que a lua salpicou

de estrelas.

(Maria José Limeira)

..........

 

 

VARIAÇÃO A

 

A flor seca

conservada

tem ainda aroma

(Francisco Coimbra)

 

 

DERIVAÇÃO A

 

Inda me lembro

dos alvos lençóis

que a flor vermelha pintou,

na noite virginal

do nosso amor.

(Maria José Limeira)

..........

 

 

VARIAÇÃO B

 

A peça de roupa

guarda o teu cheiro

só de eu a olhar

(Francisco Coimbra)

 

 

DERIVAÇÃO B

 

Enquanto te perdes

distraído

no burburinho da cidade,

eu aqui cheiro,

no resto dos lençóis,

os espermas,

os suores,

os odores ácidos,

as lantejoulas coloridas,

os sonhos esmaecidos

que deixaste cair

no meio do quarto...

 

Ah!

Essas coisas

a gente não esquece

nunca!

(Maria José Limeira)

..........

 

 

VARIAÇÃO C

 

O pássaro canta

mas há no coração

ainda a tristeza

(Francisco Coimbra)

 

 

DERIVAÇÃO C

 

Canta,

canta,

canta,

minha tristeza,

enquanto o pássaro não vem.

(Maria José Limeira)

 

 



Escrito por marialimeira às 23h11
[   ] [ envie esta mensagem ]




Sexo oral, anal, cobras, lagartos, ratos, baratas, mendigos, varas de bambu, orações a Deus e outras coisinhas mais...

 

Eu li essa matéria interessante no site da nossa amiga Romilde Junqueira:

 

http://egoscompostosanfipaticos.wordpress.com/

 

Divirtam-se!

 

“Castigo Divino”

 

Neste livro, Edir Macedo condena o sexo anal, dizendo que o ânus compara-se ao esgoto, onde só vivem ratos, baratas e mendigos. Condena o sexo oral, como se algumas partes do corpo fossem endemoniadas e outras santificadas, condena a posição ‘cachorrinho’, como se a posição em que você faz sexo o tornasse mais pecaminoso. Segundo o Bispo, “O homem e a mulher devem lavar suas partes com 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso. Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, pois a mulher deve estar orando ao Senhor para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. Depois do ato sexual os dois devem orar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo. Como penitência o açoite com vara de bambu é aceito em forma de purificação.” Ou seja: você tempera a vagina e o pênis, e faz sexo-salada.  É bem light, come não fica com peso na consciência. Saudável e, o melhor: sins free! Totalmente livre de pecados.

 



Escrito por marialimeira às 22h01
[   ] [ envie esta mensagem ]




Pequenos poemas de amor à chuva

E. Antonio Torres Glez & Maria José Limeira

 

 

Deleite

 

Corre a chuva

sob a ponte de pedra

quase em silêncio.   

 

Enquanto o horizonte

se junta com o rio.

 

(E. Antonio Torres Glez)

...........

 

 

Loa & lua

 

Enquanto a chuva escorre

sob a ponte

e recria seres

da terra  à lua,

meus olhos são escolhos

do amor

que o céu promete

e não cumpre.

 

Quando a lua se apaga,

o sol se esconde

– de um lado a outro do mundo.

Deve ser por isso

que as tais promessas de amor

não se realizam.

 

Ó vasto céu!

Triste chuva!

Didinha lua...

Sonhar é

deleitar-se em cismas

e cumprir sinas.

 

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 21h41
[   ] [ envie esta mensagem ]




Um recadinho para

Dom Aldo Pagotto,

Arcebispo da Paraíba:

 

VÁ MOSTRAR SUA SABENÇA AO DIABO!



Escrito por marialimeira às 21h03
[   ] [ envie esta mensagem ]




Pequenos poemas de Amor

(Marcelo Luna & Maria José Limeira)

............

 

I)

O sal no saleiro,

minha pele

na tua,

e pimenta

no pimenteiro.

(Marcelo Luna)

 

 

I)

Uma lágrima escorrida,

uma saudade magoada,

uma página virada,

e esse silêncio

que dói

mais do que mil palavras.

(Maria José Limeira)

.............

 

 

II)

Numa cabana sem muros,

Pavarotti canta...

“Pannis Angelicus”.

Ali  são servidos

macarrões com ovo

e salsa

de mandrágora.

(Marcelo Luna)

 

II)

Naquela mesa sombria

de amores acabados,

misturam-se queixas

e cismas

à sopa de estrelinhas.

(Maria José Limeira)

 

 

III)

Encaixe com lantejoulas flamengas;

noiva etérea

pairando ao vento 

de Dònmremy.

(Marcelo Luna)

 

 

III)

Sob a beleza

do vestido branco,

aos pés do altar,

a noiva esconde segredos

que nem a Deus

poderia confessar.

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 08h47
[   ] [ envie esta mensagem ]




Pequenos poemas de Amor

(Everardo Torres & Maria José Limeira)

...........

 

RECORDAÇÕES

E. Antonio Torres Glez

 

Uma folha rodopia

nostalgia

vagueia o sol

olhares distantes

lágrimas contidas.

 

VARIAÇÕES

Maria José Limeira

 

Aquela flor amassada

entre as folhas do caderno

escolar

era o único raio solar

que iluminava o final

do túnel

onde eu escondia

meu coração

...........

 

 

OUTONAL

E. Antonio Torres Glez

 

Bandeiras ao vento

maçãs

erva na poeira

agitam a tarde

as últimas mariposas.

 

VERÃO

Maria José Limeira

 

À tarde,

quando os animais cochilam,

os meninos se agitam

à beira do rio

assistindo aos arroubos

das lavadeiras.

............

 

AQUÁRIO

E.Antonio Torres Glez

 

O mar é redondo

esfera que fragmenta

sonhos coloridos

nos olhos de um menino.

 

 

QUESTÃO DE PONTO DE VISTA

Maria José Limeira

 

O pássaro que me olha

pelas grades da gaiola

canta para enfeitar

minha nostalgia.

 



Escrito por marialimeira às 08h43
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

ESTAÇÃO DAS ÁGUAS

Maria José Limeira

 

Nas águas sujas do riacho,

há umas letras infectas

que dizem assim:

- Sossega, ainda não terminou.

Poema triste não tem fim.



Escrito por marialimeira às 17h04
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

SONHOS

Maria José Limeira

 

Eu quis prender o infinito,

morar em casa de luxo,

fazer topless na zona urbana,

comer rapadura com feijão,

casar com príncipe encantado,

ser feliz.

Mas o que consegui mesmo

foi essa convivência zangada

com os meus silêncios.



Escrito por marialimeira às 17h02
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

RECUSO-ME A DIZER ADEUS

Maria José Limeira

 

Não existe coisa mais irritante

do que saber:

o mundo não  se acaba

depois que a gente vai embora.



Escrito por marialimeira às 17h00
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

Para quando falarmos das guerras

Alipio Freire

São Paulo, 3 de janeiro de 2009

 

 

Quando falarmos das guerras

sejamos contidos

 

A simples emoção só ampliará os conflitos.

 

Quando falarmos das guerras

baixemos o tom

 

milhões de filhos de trabalhadores e do povo morrem nas trincheiras

por causas que não são suas.

 

Quando falarmos das guerras

falemos com recato

 

Para não acordarmos os meninos que dormem

nas frentes de batalha.

 

Respeitemos seu último sono.

 

Quando falarmos das guerras

falemos com todo respeito

 

Para transformarmos o desespero de mães, viúvas e órfãos

em gritos de paz.

 

Quando falarmos das guerras

não esqueçamos que o inimigo é a guerra

 

Os nossos únicos companheiros

são os povos.

 

Quando falarmos das guerras

falemos da igualdade entre os homens

 

Comecemos por apagar as fronteiras nacionais.

 

Quando falarmos das guerras

Lembremos que o inimigo alimenta os dois lados

 

É o capital.

 

Quando falarmos das guerras

Lembremos que só há uma trincheira legítima

 

A de nos negarmos a combater.

Quando falarmos das guerras

saquemos nossa melhor arma

 

A bandeira da paz e do socialismo.

 

Falar das guerras é o avesso

de falarmos da Revolução

 

Embora nossos companheiros e palavras-de-ordem

sejam sempre os mesmos.

 



Escrito por marialimeira às 12h51
[   ] [ envie esta mensagem ]




Em Espanhol

NO ME LLAMES EXTRANJERO

Rafael Amor 

 

No me llames extranjero, por que haya nacido lejos,

o por que tenga otro nombre la tierra de donde vengo.

 

No me llames extranjero, por que fue distinto el seno

o por que acunó mi infancia otro idioma de los cuentos.

 

No me llames extranjero si en el amor de una madre,

tuvimos la misma luz en el canto y en el beso,

con que nos sueñan iguales las madres contra su pecho.

 

No me llames extranjero, ni pienses de donde vengo,

mejor saber donde vamos, adonde nos lleva el tiempo.

 

No me llames extranjero, por que tu pan y tu fuego,

calman mi hambre y frío, y me cobije tu techo.

 

No me llames extranjero tu trigo es como mi trigo

tu mano como la mía, tu fuego como mi fuego

y el hambre no avisa nunca, vive cambiando de dueño.

 

Y me llamas extranjero por que me trajo un camino,

por que nací en otro pueblo, por que conozco otros mares,

y zarpé un día de otro puerto, si siempre quedan iguales en el

adiós los pañuelos, y las pupilas borrosas de los que dejamos

lejos. Los amigos que nos nombran y son iguales los besos

y el amor de la que sueña con el día del regreso.

 

No me llames extranjero, traemos el mismo grito,

el mismo cansancio viejo que viene arrastrando el hombre

desde el fondo de los tiempos, cuando no existían fronteras,

antes que vinieran ellos, los que dividen y matan,

los que roban los que mienten los que venden nuestros sueños.

Los que inventaron un día, esta palabra, extranjero.

 

No me llames extranjero que es una palabra triste,

es una palabra helada huele a olvido y a destierro

 

No me llames extranjero mira tu niño y el mío

como corren de la mano hasta el final del sendero.

 

No me llames extranjero ellos no saben de idiomas

de límites ni banderas, míralos se van al cielo

por una risa paloma que los reúne en el vuelo.

 

No me llames extranjero piensa en tu hermano y el mío

el cuerpo lleno de balas besando de muerte el suelo

ellos no eran extranjeros se conocían de siempre

por la libertad eterna e igual de libres murieron.

 

No me llames extranjero, mírame bien a los ojos,

mucho más allá del odio, del egoísmo y el miedo,

y verás que soy un hombre, no puedo ser extranjero.



Escrito por marialimeira às 23h22
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Mulher, Portuguese, Arte e cultura
Histórico
  01/06/2009 a 30/06/2009
  01/04/2009 a 30/04/2009
  01/03/2009 a 31/03/2009
  01/02/2009 a 28/02/2009
  01/01/2009 a 31/01/2009
  01/08/2008 a 31/08/2008
  01/07/2008 a 31/07/2008
  01/06/2008 a 30/06/2008
  01/05/2008 a 31/05/2008
  01/04/2008 a 30/04/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/01/2008 a 31/01/2008
  01/12/2007 a 31/12/2007
  01/11/2007 a 30/11/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/08/2007 a 31/08/2007
  01/07/2007 a 31/07/2007
  01/06/2007 a 30/06/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006


Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
  Maria José Limeira & Amigos
  Dicionário de Direitos Humanos
  Educação Ambiental
  Francisco Coimbra
  Observatório da Infância
  Noite sombria
  Rosangela_Aliberti
Votação
  Dê uma nota para meu blog