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Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.
(António Aleixo)
A filosofia vã
cai no chão e se espatifa.
A vida sem amanhã
não tem nada, só cafifa.
(Maria José Limeira)
Mentiu com habilidade,
fez quantas mentiras quis.
Agora fala verdade,
ninguém crê no que ele diz.
(António Aleixo)
Quem mente uma vez distorce.
Na segunda, quebra a cara.
Toda mensagem é Morse.
E toda beleza, rara.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 21h41
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Uma mosca sem valor
poisa, co'a mesma alegria
na careca dum doutor
como em qualquer porcaria.
(António Aleixo)
Não sei por que tanto orgulho.
Não sei pra que tanta empáfia.
No feijão ruim tem gorgulho.
E na Itália tem Máfia.
(Maria José Limeira)
Vós, que lá do vosso império,
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um mundo novo a sério.
(António Aleixo)
Mundo velho, pervertido.
E mundo novo, quimera.
Tanta mulher sem marido.
E tanta mentira vera.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 21h39
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Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a Razão, mesmo vencida,
não deixa de ser Razão
(António Aleixo)
Quem perde a vida: mortal.
Quem perde o trem: desonera.
Toda música: triunfal.
E toda sogra: megera.
(Maria José Limeira)
Inteligências há poucas.
Quase sempre as violências
nascem das cabeças ocas,
por medo às inteligências.
(António Aleixo)
Tantas mediocridades
geram distúrbios, confrontos.
Violência nas cidades:
muito medo em contrapontos.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 21h37
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P'ra a mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
(António Aleixo)
Quem mente conta até sete.
Quem fala verdade amarga.
A mentira tem confete.
E a verdade, descarga.
(Maria José Limeira)
Sei que pareço um ladrão,
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço.
(António Aleixo)
Passou o tempo de ontem.
Ladrão não anda descalço.
Pois agora (nem me contem!)
corrupto é honesto falso.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 21h35
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Os poetas e os heróis,
que entre nós são destacados,
são tal qual os rouxinóis:
não precisam cultivados.
(António Aleixo)
Os poetas são banais.
Os rouxinóis, cantadores.
Heróis se dizem os tais
dos mais felizes amores.
(Maria José Limeira)
Não sou esperto nem bruto,
nem bem nem mal educado.
Sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado.
(António Aleixo)
Não concordo com assertiva
do clichê inexorável.
Pode nascer sempre-viva
na lama mais deplorável.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 21h33
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MAR A FORA
Maria José Limeira
O mar em que abismas os teus pêlos
sacode teus espasmos de prazer.
A carta que te entrego não tem selos.
O laudo em que me anelo é todo ser.
A vida é somente este instante.
Um sacudir de ossos de tal feito,
que mesmo que o todo mais encante,
é só do sexo que vem todo o deleite.
Mas, o gozo sem destino ou endereço
não é mais que solidão e dor.
Pois da missa não se tira só o terço,
quando o mais intenso é o amor...
Escrito por marialimeira às 22h04
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SONHO QUE SE ESVAI
Maria José Limeira
Quando sonho
se acaba,
é hora de tomar
biotônico
para enfrentar
pesadelo.
IN-ÚTIL
Maria José Limeira
Nada irrita mais
uma boa dona-de-casa
do que um marido lerdo,
cujo sexo
não funciona.
LABIRINTOS DO CORAÇÃO
Maria José Limeira
Foi nos labirintos
do coração
que perdi a razão.
Tive que fazer cirurgia
de ponte de safena,
então.
Escrito por marialimeira às 21h39
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Talvez paz no mundo houvesse
Embora tal não pareça,
Se o coração não estivesse
Tão distante da cabeça.
(António Aleixo)
Enquanto a Paz não vem,
a gente canta dobrado.
O amor é mais de cem
contra um só guarda armado.
(Maria José Limeira)
Depois de tanta desordem,
Depois de tam dura prova,
Deve vir a nova ordem,
Se vier a ordem nova
(António Aleixo)
A ordem agora é amar,
na mais feliz maratona.
Quem ama encontra o lar.
Quem não ama cai na lona.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 02h11
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Embora os meus olhos sejam
Os mais pequenos do mundo,
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.
(António Aleixo)
O que é bom está guardado.
O mal é bom jogar fora.
Quem é feliz dança o fado.
Quem dá adeus vai embora.
(Maria José Limeira)
Não é só na grande terra
Que os poetas cantam bem:
Os rouxinóis são da serra
E cantam como ninguém.
(António Aleixo)
Quem canta é passarinho.
Quem rima é bom poeta.
Roupa torta, desalinho
e finalidade, meta.
(Maria José Limeira).
Escrito por marialimeira às 02h09
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Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado.
O ribeirinho não morre,
Vai correr por todo lado.
(António Aleixo)
Há os rios temporários
e as águas permanentes.
Há fusos que são horários.
Há animais que são gentes.
(Maria José Limeira)
Que o mundo está mal, dizemos
E vai de mal a pior;
E, afinal, nada fazemos
Para que ele seja melhor.
(António Aleixo)
Quem deseja a mudança
vai ter de alterar rotina.
Esperar somente cansa.
Tem que trocar a bobina.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 02h05
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OBRA DE ARTE
Maria José Limeira
Toda obra de arte
tem apito de trem,
flores na janela,
naturezas mortas,
amor mal-resolvido,
e nenhum sentido...
Escrito por marialimeira às 00h08
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AMORES MAL-RESOLVIDOS
Maria José Limeira
Esperei atrás da porta
que a chuva passasse.
A tempestade engrossou.
Quem passou foi o amor.
O segundo namorado
também se foi.
E o terceiro,
o quarto,
o quinto...
Fiquei estática,
no vigésimo-terceiro-andar,
olhando para baixo,
indecisa:
-Pulo? Não pulo?
Enquanto não resolvia,
fui dormir.
NEM TUDO SÃO FLORES
Maria José Limeira
Nem toda flor é perfume.
O bem-me-quer é saúde.
O mal-me-quer é queixume.
Já o cravo é ataúde.
A única flor
que agrada mesmo
é a rosa da madrugada.
NÃO BASTA!
Maria José Limeira
Não basta apenas
conquistar um coração.
É preciso segurá-lo
bem
para evitar
que fuja de repente.
Eu tenho horror
a gente sem coração.
Escrito por marialimeira às 00h07
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Uma mensagem bonita de Maria João de Oliveira:
Amiga:
Fiquei estupefacta com a sua proposta. "Uma grande crítica literária", eu?!...Chegou a minha vez de exclamar : ah-ah!
A amiga é uma grande garimpeira da escrita! Já descobri isso, há muito, na Teia da Aranha, mas olhe que, pela parte que me toca, não encontrou nenhuma "pedra preciosa"...Quem me dera estar à altura de prefaciar um livro seu! Maria José Limeira merece mais e melhor. E há bons escritores que conhecem, muito bem, a sua obra. Como pode ter-se lembrado de mim?! É uma honra. Fiquei sensibilizada, mas estupefacta, repito. Eu sou apenas uma apaixonada das palavras que não pode viver sem escrever, mas que publicou, apenas um pequeno livro e que publica ainda artigos e poemas em jornais. Trata-se de uma paixão antiga e devoradora que sempre foi maltratada pela vida e por uma profissão que não se compadecia dela. Não tenho conhecimentos suficientes para fazer crítica literária. Digo, apenas, o que penso e sinto, perante um texto que me agarre por dentro. No entanto, vivo numa inquietação permanente. Parece que tenho um cavalo à solta no meu sangue. Às vezes, apetece-me soltar um grito do tamanho do mundo. E tenho uma curiosidade encarniçada que até me rouba o sono! Tudo me interessa. Mesmo quando o corpo dói, o cérebro continua a escrever histórias onde quer que eu esteja. Até nas salas de espera dos consultórios médicos! E "lanço redes no temporal", como disse num texto intitulado "Ferida de nascença" que eu escrevi a chorar e, ao mesmo tempo, a sentir que a escrita me torna a vida mais solar e mais azul, por mais absurdo que isto me pareça. Poderá dizer-me, amiga, para que serve toda esta inquietação?
Ah, e depois de eu ter partilhado tudo isto consigo, a sua proposta continua de pé? Quer enviar-me o livro, para eu medir as minhas próprias forças? Aguardo também aquele que está sempre a fazer-me crescer água na boca, como já lhe disse, está bem?
Se eu pudesse, já tinha deixado hoje um comentário no seu lindo blog azul (fiquei deliciada com o que lá encontrei), mas a falta de tempo (além de outras actividades, dou explicações a jovens com dificuldades de aprendizagem) continua a perseguir-me.
Com muita admiração e amizade, envio um abraço.
Maria João de Oliveira
Escrito por marialimeira às 21h56
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Mais sobre Crônicas do amanhecer
EIS A CRÍTICA
Zé Ronaldo
Confesso que comecei esta empreitada num misto de ansiedade e tensão. Ansiedade pelo prazer que eu teria ao ler o livro, por saber ser você, Maria, jornalista, o que permite a vocês desta classe ótimas obras em crônicas. Tensão pelo pavor que seria acometido caso sua obra não me marcasse. descanse. Marcaste-me a ferro e brasa na alma, tanto que até seu livro gerou um rebento, uma crônica minha, que postarei aqui já-já.
Falar das Crônicas do Amanhecer é algo interessante. Maria José Limeira escreve a maioria de seus textos numa nova linguagem, a um olhar menos perscrutador, até mais parece uma relação de tiradas, provérbios e pensamento desconexos, o que não é verdade. Ao totalizarem-se assomam uma verdadeira visão de mundo enriquecida por longos e árduos anos de existência. É algo novo e, como sabemos,o novo nem sempre agrada. Não irei omitir, minha amiga, que a priori quedei-me meio incomodado com este seu novo estilo. Mas que bom que me incomodei, pois também é notório que quando uma obra nos incomoda ela está atuando em nós, nos modificando, nos transformando.
Maria também tem um estilo poético-crônico que fiquei encantado em apreciá-lo. Vislumbrei uma Virgínia ou uma Clarice nesse tipo de texto e, confesso, fui às lágrimas várias vezes. Outro viés, no Crônicas do amanhecer é o lado clássico, a maneira antiga de se contar história. E o que são as crônicas senão nossas histórias contadas com uma nova roupagem? E Maria o faz perfeitamente.
Peço atenção aos leitores para dois textos do livro, os quais classifiquei como Puuta-que-o-pariu!!, pois é essa a expressão que repito, ininterruptamente, ao ler um texto de qualidade que me agrada: "Divagações em torno do nada" e "Poesia-solidâo". São fabulosos. Enfim, concluindo, gostaria de ressaltar a importância desta paraibaninha de seus vinte e poucos anos de espírito, mulher guerreira, gana pura, que embate os mais truculentos combates em prol do reconhecimento da literatura ciberespacial e dos direitos humanos. Saludos, Maria, e gracias.
Escrito por marialimeira às 22h55
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Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.
José Saramago
Escrito por marialimeira às 22h25
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Minha maior alegria como escritora!
Minha maior alegria...
Nesta vida de altos & baixos, ando pelos altos, e desço aos baixos. na mesma velocidade. E foi num desses baixos que me aconteceu algo realmente incrível. Após a derrota de nosso candidato a Governador em 1982, eu era uma das pessoas mais execradas da cidade, devido à campanha eleitoral que fora pesada. Eu estava no exército dos fracassados, e fui trabalhar numa lojinha de jóias, de uma porta só, como funcionária subalterna. Fiquei escondida ali,por uns tempos. Um dia, chegou ao local um velho historiador que me conhecia apenas de nome e de vista, sem maiores aproximações. Ao ver-me ali, humilde, no meio dos funcionários, ele virou-se para o dono da loja e disse: "- Senhor Antonio, o senhor tem aqui relógios de ouro, anéis de brilhantes e outros produtos realmente de valor. Mas, a jóia mais preciosa que o senhor tem em sua loja é esta: a grande escritora Maria José Limeira, que não está à venda!" Disse isto, e me deu um grande abraço. Eu tive a maior surpresa da minha vida, e fiquei tão comovida, que chorei. Saludos. Maria José Limeira.
Fonte: Comunidade “Discutindo Literatura”
www.orkut.com
Escrito por marialimeira às 22h19
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Abaixo o Fundamentismo do Cocô!
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17/09/2006 17:24
Fundamentalistas do cocô
Diga lá, leitor, se existe coisa mais chata do que as "mãezinhas". Eu explico. Entenda por mãezinhas as tipas que, quando têm filhos, se tornam apenas mães e esquecem que são mulheres. E acabam por se transformar em fundamentalistas do cocô. Nada mais interessa, só os filhos. É a coisa mais anti-sexy que pode acontecer a uma mulher. O mais dramático é que isso pode durar anos. Elas são perigosas terroristas antidiálogo e detonam qualquer tipo de conversa. O papo pode começar na guerra do Líbano, na prostituição da Tailândia ou nas eleições do Brasil... mas acaba sempre em crianças e papinhas. É uma obsessão. Quando você menos espera: - Ah... neeeeem te digo o que o meu pequerrucho fez hoje. Mas dizem. E são capazes de gastar horas. Aliás, basta que apenas duas delas se juntem para uma simples diarréia da criança virar um problema de segurança nacional. O mais curioso é que uma "mãezinha" acaba sempre por encontrar outra. O que até torna a coisa democrática. Aliás, na hora de falar de chupetas, fraldas ou mamadeiras, não há mãezinhas ricas nem mãezinhas pobres. Elas ficam todas ao mesmo nível. É a democracia do cocô. Quem quer saber se uma tipa qualquer sabe como fazer os filhos engolirem o mingau com um sorriso? Ou se o cocozinho do rebento anda esverdeado? E mais: quem se interessa se o pimpolho gosta de dormir ao som de Zezé Di Camargo & Luciano? Ora, as mãezinhas querem e só pensam nisso. É fácil identificar uma mãezinha. Todas têm fotos dos pimpolhos na tela do computador. Outras penduram desenhos das crianças nas paredes. O ambiente é todo muito arrumadinho. Parecem inocentes criaturas, mas é apenas um disfarce. Porque elas estão sempre de tocaia e atacam de surpresa: - Vê aqui. São as fotos do aniversário do meu bebê... É como diz o velho deitado: "Há pessoas que mesmo quando estão sós... estão mal acompanhadas".
· José António Baço, jornalista e publicitário kiosanin@yahoo.com |
Escrito por marialimeira às 23h03
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Sobre Crônicas do amanhecer
Querida Maria José
Recebi ontem o seu livro, práticamente lido de um fôlego durante a noite.
Leitura rápida, assim como que para nos apresentarmos, e gostei. A poesia emprestada à crónica (ou será crónica poética?) é por demais evidente, Mas, saíndo da sua caneta, poderia ser de outra forma???
duas ou tres crónicas "cairam-me no goto" de uma forma mais intensa. Impressionou-me particularmente a "Taxi-Drive". Porquê? porque:
Na minha juventude, tive um amigo que se dedicou com tal entusiasmo ao culturismo, que aos 19-20 anos, conquistou por dois anos seguidos o título de "Mister
Muscúlo" da Europa, o que o levou a muitas passarelas ( penso que chegou a ir aos EU), e chegou mesmo a participar num filme da Brigitte Bardot.
O alcool, a droga, e uma certa carga genética, negativa, acabou por o atirar para a demência. Acabou por regressar a Luanda, vagueando a sua loucura pela cidade, onde rápidamente passou a ser uma figura tristemente célebre, pelo seu aspecto decadente e pela impressão que o seu corpo musculado causava ( e que ele fazia questão de exibir, fazendo das ruas da cidade as antigas passarelas.
Era no entanto a pessoa mais pacífica e inofensiva que deus alguma vez tinha lançado ao mundo.
Escrito por marialimeira às 22h21
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Crônicas do Amanhecer - Final
Uma noite estava eu de serviço, quando um grupo de policias, entrou pelo hospital dentro, esbaforidos, porque tinham um maluco muito perigoso e agressivo no carro. Pela descrição fiquei logo a saber de quem se tratava, o que me deixou confuso. O meu amigo X.... não era o perfil que os policias relatavam.
Acedi ir até ao carro falar com ele, tendo ficado completamente chocado com a cena que se me deparou: à volta do carro um corpo de sete ou oito policias, alguns armados, guardavam o meu amigo manietado de pés e mãos com uma corda que lhe cingia todo o corpo.
Apesar deste estado o meu amigo estava calmo.
Quando me viu, sorriu para mim, o seu sorriso bobo enquanto me pedia: "desamarra-me!" " Não vais fazer confusão?" perguntei-lhe. " Não. Tu sabes bem que eu não faço confusões".
Convenci os policias a desamarrar o meu amigo, o que acabaram por fazer com alguma relutância. Quando se sentiu solto espreguiçou-se e deu alguns passos passando pelos policias, até que, chegado à frente de um deles, desferiu-lhe um valente soco, que obrigou o chui a cair de bruços. " Para aprenderes que numa pessoa amarrada não se bate..." foram as suas palavras, enquanto virava as costas aos chuis e me dizia: com o ar mais calmo deste mundo: "podemos ir".
beijos
Manuel C. Amor
PS: A minha filha que tem uma alergia de morte à leitura, (não têm nada a ver com o pai...)está, neste momento, embebecida a ler o seu livro. PSII- Para quando mais análises criticas (com e sem flores) aos poemas que vou postando?
Escrito por marialimeira às 22h20
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Sobre meu livro "Crônicas do amanhecer"
Recebi hoje seu livro:
E não estou gostando muito
ontem me deixou sem sono
fiquei lendo até altas horas
você começa esquenta e
esquece a hora de parar
Espero que você me mande a continuação
em breve pois pelo jeito este fim de semana
leio tudo e depois vou ficar com vontade
de mais , mais estórias ( tá eu sei do seu blog!!! )
acho que vou reler o livro para ver se gosto dele
por enquanto ele gruda na minha mão
e não quer sair
Sabe , ele está do lado da minha cama
ontem deixei ele no chão do lado do controle da televisão
e eu fico pensando se não seria bom
a gente conversar um pouco
não sobre o passado mas sobre o futuro
soltar umas aves no vento
E tem aquela dedicatória
toda hora , imagino lhe dar um abraço
e apertar as suas mãos
Quero dizer para o mundo todo
que lhe conheço
que sou sou amigo
depois você me paga um copo de vinho
Acho que tenho ciúme do que você escreve
Poetas sentem esta coisa de intimidação
Ela escreve assim pois a água do Norte
é mais pura , o ar é mais limpo
Ajuda as mãos a serem brilhantes
um grande abraço
é uma grande alegria
ler maria de limeira
abraços
assis
Escrito por marialimeira às 22h08
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POEMA PRECOCE Maria José Limeira
Um poema precoce começa no A e termina no Z. Exatamente assim: início e fim!
NO DIA DO ADEUS Maria José Limeira
Quando você disse adeus, o céu estava azul e branco. Segundo o serviço de meteorologia, não ia chover. Mas, você disse bye-bye, e eu quase morri afogada na minha única lágrima salgada...
TANGO Maria José Limeira
Quando Deus criou o mundo, descansou no sétimo dia. Precisava estar calmo para o baile que viria depois.
Foi assim que o tango nasceu.
UMA PITADA A MAIS Maria José Limeira
Somos muito mais que fezes, urina e grito da hora do parto. O primeiro vagido é Poesia: verso de uma noite só.
REPETECO Maria José Limeira
Se existisse outra vida após a morte, eu abominaria conhecer você de novo.
SALA & QUARTO Maria José Limeira
Moro numa casa de sala & quarto. O quintal da minha casa é o Brasil.
RESPEITE A POESIA! Maria José Limeira
Poesia não é somente libélula voando e fazendo zig-zig-zig-zig. Ou flor que desabrocha em lugar-comum, mum-mum-mum-mum. Poesia é Poesia, oras!
Escrito por marialimeira às 22h49
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Ao amigo Zé Ronaldo
Trata-se (a crônica de zé ronaldo) - e já que ninguém quis comentá-la - de uma maneira nova de fazer crítica literária, expondo uma reflexão sobre a emoção que um livro nos causou. Interessante que o texto é cheio de rasgadas emocionadas, que vão até as lágrimas (por que lágrimas? meu livro seria tão triste assim?). Interessante é que alguns leitores da minha terra, que leram o livro, disseram-me, ao contrário, ter dado boas risadas! Ah-ah! Os autores têm esse poder estranho de captar lágrimas e/ou causar as boas gargalhadas dos seus leitores. Quando isto acontece, é porque o livro atingiu seu objetivo. Aviso aos doces companheiros que esse livro revela o lado literário que é realmente a minha grande jogada como escritora. E os versinhos que por acaso também emocionam meus leitores são apenas pequenos passos em direção ao meu imenso mar, que é a Prosa. Eu me encontro mais na Prosa do que no Poema. Um abraço ao zé, e obrigada a todos por receberem meu livro com tanta alegria. Saludos. Maria José Limeira.
Escrito por marialimeira às 20h54
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Sobre meu livro "Crônicas do amanhecer"
Crítica ao amanhecer
Senhores, eis o rebento, fruto do livro de nossa mui prezada colega, escritora, poestisa e amiga Maria José Limeira. Espero suas críticas (a qualquer momento, manhã, tarde ou noite). Mandem-me retorno, ok? Abraços. José Ronaldo.
CRÍTICA AO AMANHECER
(José Ronaldo)
Eu estava morto para a leitura. Muitas contas, muita briga doméstica, muita confusão em minha mente, limitando-a, não a permitindo expandir ao infinito como sempre pretendi. Uma grande amiga minha, que nunca vi em persona, mandou-me uma obra sua, um livro de crônicas, que esperei quase dois meses para lê-lo.
Foi num domingo à noite, dia calmo, tranqüilo, sem pelejas. Joguei meu pifinho apostado a tarde inteira e ganhei um bocado. Estava sereno. Comecei a empreitada de desvendar a escrita de minha amiga. Porém, estava eu tão pré-disposto à emoção naquele dia, com os sentimentos tão aflorados na pele, que fora uma crônica e uma torrente de lágrimas, uma crônica e outra vez mundaréu de água a verter dos olhos. E eu lá, caboclo velho, corpanzil para mais de dois metros de altura, a chorar feito menina nova que esperou uma semana inteira para ver o primeiro namorado que nunca mais apareceu. Arrasou-me a existência o tal livro de crônicas, considerei-o um co-irmão de dores, ou melhor, sua escritora desvendou a enigmática dor que me corroia fazia muito tempo, desde que a primeira lufada de ar invadiu-me os pulmões. Minha dor era pública. Pior. Não era só minha, era dos outros também.
Como fiquei contente e puto, ao mesmo tempo. Contente pois não era o único a me sentir daquela forma. E puto por, masoquistamente, não ser o bode expiatório do mundo.
Dia seguinte, antes de ir trabalhar, continuei a minha sessão de leitura, mas já não estava tão romântico quanto na véspera. Minha desesperança e meu pessimismo, características tão marcadas a brasa, soco, ferro e pontapé em mim e que eu pude observar na obra também, agradando-me muito, não foram dirimidos. Eu e Wether não choramos mais.
Não por falta de motivos , o livro continuou a deliciosamente suprir-me daquilo que eu mais gostava: uma melancolia corrosiva. Porém, eu o estava analisando, naquele segundo momento, racionalmente, e extraindo-lhe todo o substrato que serviria para a construção de meu ser, a medida que se absorve uma leitura.
Contudo, preciso fazer aqui uma ressalva, o livro em si, tratava-se mais de esperança do que o que contrariamente se possa pensar. Minha ótica é que o deturpava, e isso me trazia um gozo ferrenho. Ainda não terminei de ler o livro. Talvez não o termine nunca, pois quero reter na minha não mnemônica memória, aquela noite de lágrimas torrenciais e de cumplicidade com aquela minha amiga escritora que nunca vi pessoalmente, aquela sensação de leitura de alma que eu fiz dela e ela de mim. Já provei muito da paixão, conheço-a bem e a adoro. Vivo hoje o morno amor, aquele desvirtuoso e sacro-santo sentimento, parado, estático, aniquilador de sonhos. Li um livro de crônicas e descobri o sublime.
Fonte:
Comunidade “Oficina Literária”
www.orkut.com
Escrito por marialimeira às 21h33
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BARATAS!
Maria José Limeira
As baratas se juntaram
para a retaliação.
-Vamos fazer as mulheres
ter medo de assombração.
Mas, uma mulher corajosa
não quis dar chineladas
nem escândalo no portão.
Chamou um bom limpa-fossas,
fez dedetização.
E as baratas trelosas
morreram no chão.
De pernas pro ar!
CORPO DE CRISTO
Maria José Limeira
Corpo de Cristo
não é um bolo alimentar
que navega entre coração
e tripas.
No fundo, no fundo,
não quer dizer
tomai e comei.
Quer dizer, sim,
crescei
e multiplicai-vos.
PRA ONDE FOI MEU CORAÇÃO?
Maria José Limeira
Este é meu corpo
bem plantado,
preso às raízes,
incomunicável atrás
das grades.
Mudo!
Meu coração assustado
mudou-se para as nuvens.
Livre como um hino nacional.
Escrito por marialimeira às 22h49
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