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COCÔ GELADO
Maria José Limeira
Não confundam coco
e cocô.
Um é refrescante,
hidratante,
mirabolante.
O outro é um incômodo
danado!
O primeiro não tem acento.
O segundo? Um boi sentado.
Escrito por marialimeira às 21h44
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TROCANDO DE CANAL E DE TV
Maria José Limeira
Quando as imagens passam a ser
policiais fardados
metralhados nas ruas,
é melhor trocar o aparelho de TV.
Esses produtos de som
e eletro-domésticos
de hoje em dia
são de cavaco-chinês.
Quando apresentam defeitos,
devem ser jogados fora.
A vida é um objeto reciclável!
Escrito por marialimeira às 21h38
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ÚLTIMO RECURSO
Maria José Limeira
Como último recurso,
proponho a separação.
Tome seu CPU,
seu monitor,
sua impressora
cansada,
seu word velho
e rasgado.
Devolva meu coração!
Escrito por marialimeira às 16h32
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Propor-se a trabalhar com pessoas é expor-se ao inesperado, ao incômodo, ao desconsertante e ao amedrontador. É estar preparado para enfrentar seus temores e desejos. É saber separar aquilo que você gostaria que fosse (ou que não fosse) daquilo que realmente é. É saber superar imposições e barreiras éticas, morais e religiosas. É saber ser e deixar que sejam.
(Sidereus Nuncius, in “Onde menos se espera”)
http://seiqnadasei.blogspot.com/
Escrito por marialimeira às 21h54
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DANÇA MACABRA
Antônio Adriano de Medeiros
Depois de algum tempo, eis que sopra um vento frio,
E logo um cachorro preto por ali apareceu.
Umas poucas almas puras sentiram forte arrepio,
Na hora em que o cachorro ao defunto lambeu.
No recinto então soou um sinistro assobio,
Nuvens encobriram a Lua, e a noite escureceu.
E seis pares de esqueletos, como animais no cio,
Começaram então a Dança do Amor Que Não Morreu.
Eis que uma raposa choca que surgiu da noite escura
Uivou, imprimindo à dança um ritmo mais sensual.
E quando a vil canídea morde o morto na cintura,
As criaturas presentes se entregam à bacanal...
Mas depois que o sol nasceu, só havia, sobre o chão,
Um cadáver a quem os bichos devoraram o coração.
(Natal, 17/18 de setembro de 1999)
Escrito por marialimeira às 21h13
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auto-retrato
o que vejo no espelho
quando me busco (em vão)
são apenas restos perdidos
do que já foi uma canção
Nel Meirelles
http://www.falapoetica.blogger.com.br/
Escrito por marialimeira às 22h44
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SOBRE O LIVRO CRÔNICAS DO AMANHECER
Na verdade, o livro "Crônicas do Amanhecer" ora dói como fio de espada ora nos emociona até às lágrimas. Como dizia a avó de Anderson Santos, "a verdade dói e não é pouco, mas antes a dor da verdade do que o veneno da mentira". Frágil e delicada como uma borboleta ("Beijo é como terramoto. Derruba todas as minhas defesas") ou forte e contundente como uma guerreira ("Irei à luta, mesmo enxergando apenas o que as lágrimas deixam ver"), a verdade é que Maria José Limeira sabe manejar a sua espada. E é destes "mísseis" que o mundo precisa. "Mísseis" que o façam pensar, para assim se tornar mais humano e mais feliz. Há crônicas que são poemas "Mares-navegáveis & rios-náufragos", por exemplo. Outras são gritos de desespero("Oito milhões de quilómetros quadrados"...) que nos atravessam como tiros de canhão."Trocarei a poetisa pela mulher de negócios, a executiva que eu não soube ser". Mas... fiquemos tranquilos! A autora jamais "substituirá poemas por números". Ah, a falta de espaço!
Amiga: No comentário anterior, por falta de espaço, tive de me calar. Quero ainda dizer que no seu belo livro "Crônicas do Amanhecer", há textos que nos deixam os olhos marejados de lágrimas, como por exemplo "A morte como espectáculo". Em pleno século XXI, continuam, nas arenas, as "cenas bárbaras da Roma Antiga"! Tenho um amigo que, por vezes, não quero ver. Nem sequer na televisão! É bandarilheiro e... está tudo dito. As touradas envergonham o meu país. Como se isto fosse pouco, os outros animais são também horrivelmente maltratados.Com razão, Mahatma Gandhi afirmou: "A grandeza de uma Nação e o seu progresso moral podem ser avaliados pela forma como tratam os seus animais". Ainda sobre o livro "Crônicas do Amanhecer" (nunca é demais...), quero dizer que há vários textos em que a autora nos oferece pérolas multicores para fazermos um colar... E fico por aqui. Não há espaço para mais. Sim, "que venham mais crônicas. E mais Maria Limeira". Um abraço
Maria João Oliveira
Escrito por marialimeira às 15h37
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UMA MENSAGEM DE ANA MARIA COSTA
Maria, o mar já te respondeu?
e que disse?
queres que fale com as areias para que te toquem com
carícias e beijos?
diz-me Maria para que as mande ter contigo aos
milhares e uma por uma falarão
de confissões e segredos de amor que deram ao mar.
Maria a minha areia também te irá beijar e o meu
segredo, o mar te irá levar
nas ondas que rebentam por não aguentarem de tantas
palavras que lhes dão.
não vês, que é por isso que as ondas acabam nas
areias é para que as possas
pegar nos segredos e nas amarguras todas, senão...
como irias pegar em água
ou em palavras d'água e levá-las contigo?
mas não digas nada Às pedras porque são areias
mortas já nada podem fazer!
fica bem!
jinhos
Ana
Escrito por marialimeira às 15h34
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Maria (docinha)
(Para Maria José Limeira)
Meus braços estão cansados
e tão abertos, que parecem querer
abraçar o mundo, que me mandas
do outro lado, da face, do hemisfério
do teu coração poético. O retorno
desse encanto (docinha) e do travo
agridoce, palavras amadas, perfumes,
de outras vivências conquistadas,
no lume, aceso das batalhas travadas.
Mas doem os braços da espera, do
Anseio, do aconchego de teu peito,
E feliz, porque sei desse jeito, especial
De amar cada dia, como se toda correria
Fosse véspera de natal, de um petiz.
Presenteia-me com um verso.
Diz-me dos teus olhos, qual a lágrima
Mais bela. A que chora a injustiça, ou
a que sofre nela, a dor do semelhante.
Luís Monteiro da Cunha
Escrito por marialimeira às 15h26
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CONVITE
Se você gosta de
Crítica Literária.
Se você está cansado(a)
de listas de discussão insossas.
Se você quer brigar
pela dignidade
da Poesia,
o caminho é este:
Participe de nossa
Oficina Literária.
Para entrar
e participar das nossas
brigas e debates,
mande email para:
oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br
Saludos!
Maria José Limeira
Escrito por marialimeira às 22h41
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MONÓLOGO À BEIRA-MAR
Maria José Limeira
Ah, tristeza.
Quantas dores
e decepções
são necessárias
para escrever
na areia branca
a palavra solidão?
Entre mágoa
e despedida,
um diálogo
que não se exprime.
Todo pedido de socorro
agoniza esmagado
no meio da multidão
entre as buzinas
do tráfego.
Tristeza.
Muda de nome.
Serás chamada
de pássara!
Escrito por marialimeira às 08h41
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Um texto bonito de Anderson Santos
Sobre as crônicas do amanhecer
O livro "Crônicas do amanhecer" é uma elegia ao bom gosto poético, uma ferramenta indispensável para um bom amanhecer. Foi assim mesmo que o li. Uma crônica a cada manhã, cada manhã uma surpresa. Maria José Limeira nos presenteia com gotas de sabedoria suficientes para saciar-nos a sede do que é belo. Mas se às vezes nos molha a boca, às vezes nos seca a garganta. Ora nos mareja os olhos através da emoção, ora através dos diretos de canhota no plexo solar. Sim! Ora essa doce jornalista nos carinha, ora nos fere.
Não. Não é por maldade. Se nos fere, é com a verdade, pois como já dizia minha finada avó, a verdade dói e não é pouco, mas antes a dor da verdade do que o veneno da mentira.
Surpresas gratas são as crônicas de introdução do livro. A autora se apresenta como sempre verdadeira, e nos faz entrar em suas crônicas como se ouvíssemos um amigo a confessar-se. Até dizer-nos Você desenhou becos sem saída no meu corpo.
Constantemente Maria Limeira nos faz querer parar de lê-la. Parar para pensar. Como minutos de sabedoria reais que afloram naturalmente de suas falas, alguns de seus mísseis poéticos são paralisantes, bombas de efeito moral contra leitores desavisados. E por mais que te prepare, o próximo míssil vai te pegar e jeito e te fazer pensar e pensar e pensar.
Se todo erro fosse lição eu já teria aprendido alguma coisa. As crônicas do amanhecer não são erros. Aprendi muito com elas. Aprendi muito com Maria José Limeira, poeta que tenho o orgulho de conhecer, e com quem espero aprender muito ainda. Como ela mesma diria, sim, sim & sim. Que venham mais crônicas. E mais Maria Limeira.
Anderson Santos
Escrito por marialimeira às 10h33
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Em Portugês
BREVE BALADA AO AMOR CELESTIAL
long-ohni
(Tradução: Maria José Limeira)
Anjo, a minhas espáduas te concedo
a tarefa estival de florescer-me
quando tal qual raiz por sob a terra
apenas se adivinhava ao sol aberto.
Acaso nesta flor inda há perfume
ou o tempo o diluiu entre cascalhos?
Minha boca espera do lábio em brasa
um arrulho que acaso se perdera.
Cerro os olhos puros e na esperança
de despertar em flor me extasio.
Escrito por marialimeira às 23h43
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Em Espanhol
PEQUEÑA BALADA PARA EL AMOR CELESTE
long-ohni
Ángel a mis espaldas te consiento
la tarea estival de florecerme
cuando sólo raíz bajo la tierra
apenas se atisbaba el sol abierto
¿Acaso en esta flor hay un perfume
o el tiempo lo ha diluido entre zarzales?.
Mi boca espera del labio que palpita
un arrullo que acaso era perdido.
Cierro los ojos puros y al ensueño
de despertar en flor me maravillo
Escrito por marialimeira às 23h41
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RECADO PARA CÁRMEN NEVES:
Prezada amiga. Recebemos seu livro “A magia do Farol”,
um romance inquietante, que realmente preencheu
nosso domingo de sol, e deu-nos grande alento.
Falaremos mais sobre ele, assim que conseguirmos abrir
um espaço em nossa agenda apertada.
Adianto-lhe, porém, que estou impressionada com
a capacidade criativa e o poder de imaginação da autora!
Um abraço e saludos.
Maria José Limeira.
Escrito por marialimeira às 19h39
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Senado dos Estados Unidos consuma a aprovação da tortura
Bush deve promulgar em breve a lei que lhe dá o poder de “definir quem são os inimigos estrangeiros”. “Nossa democracia, a grande perdedora”, diz editorial do NY Times.
David Brooks*
http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id
=12401&boletim_id=134&componente_id=2351
Escrito por marialimeira às 19h07
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Em Português
NO RELENTO DAS RECORDAÇÕES
E.Antonio Torres Glez
(Tradução: Maria José Limeira
Em uma caravela antiga
minha cinza repousava
sonhando com cinco rosas
com uma estrela distante
com teu corpo de violinos
com tua roupa de cama
com os lábios da aurora
e da origem romana
que a cada sete carícias
invadia tua janela
mostrando a sombra negra
dos peixes sobre a água
sonhava com o mar tranqüilo
de teu sereno olhar
os seios de branca areia
com a lua refletida
em seus pequenos botões
com sua tatuagem de nácar
com seu tremor de gazela
com uma flecha cravada
na metade das costelas
na chuva de sua alma
Escrito por marialimeira às 11h20
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Em Português - Final
sonhava (madre mia!)
com o sonhar em cada ramo
onde oscilam os ventos
que acariciavam tuas espáduas
e sibilam no outono
a canção de amor à saia
que rodopiou pelas sendas
dos meus lábios sem palavras
sonhava com o concerto
dos silêncios em alva...
em um barco antigo
com profundo de noite larga
sonhando com os arcos
de amanheceres e prata
no relento das lembranças
minha cinza repousava.
Escrito por marialimeira às 11h19
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Em Espanhol
En la humedad del recuerdo
En una vasija vieja
mi osamenta reposaba
soñaba con cinco rosas
con una estrella lejana
con tu cuerpo de violines
con tu ropaje de cama
con los labios de la aurora
y de la fuente romana
que cada siete caricias
asomaba a tu ventana
llevando la sombra negra
de los peces en el agua.
Soñaba la mar tranquila
de tu tranquila mirada
los senos de blanca arena
con la luna reflejada
en los mínimos pezones
con su tatuaje de nácar
con su tremor de gacela
con una flecha clavada
a mitad de las costillas
en la lluvia de su alma.
Escrito por marialimeira às 11h14
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Em Espanhol - Final
Soñaba ¡madre del cielo!
con soñar en cada rama
donde se mecen los vientos
que acariciaron tu espalda
y silban con el otoño
la canción de amar la falda
que rodó por el sendero
de mis labios sin palabra
soñaba con el concierto
de silencios en el alba...
En una vasija vieja
con fondo de noche larga
soñando con los aretes
de amaneceres y plata
en la humedad del recuerdo
mi osamenta reposaba.
E. Antonio Torres Glez.
Escrito por marialimeira às 11h13
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Uma outra mensagem de Portugal
Olá, amiga! As suas "Crônicas" já amanheceram na minha casa e no meu coração! A dedicatória também me sensibilizou muito. Obrigada! Li, de imediato, os textos que o Zé Ronaldo salienta no seu blog: "Divagações em torno do nada" e "Poesia-Solidão". São na verdade, "fabulosos". Estou já a ver, neste seu livro, a Poesia a espicaçar as consciências adormecidas e, de vez em quando, a dançar a "dança do ventre"... Ainda não pude ler o livro todo porque a falta de tempo não se compadece de nada, mas já descobri que a sua alma não se esconde nos bastidores. Ela despe-se no palco da vida, numa entrega que me emociona. Espero voltar, brevemente, a "conversar" consigo, por este meio. Quero também falar-lhe, em breve, do Sr. Assis que vem aqui a nossa casa e que é cunhado do dono do Colégio Madre Teresa de Calcutá (o mundo é pequeno...) Penso que a irmã dele lhe poderá entregar pessoalmente os 12,50 reais correspondentes às despesas de correio do livro "Crônicas do Amanhecer". Por hoje, apenas lhe posso enviar uma cópia de uma exposição que eu fiz, a pedido do Sr. Assis, sobre a saga de uma legalização que a indiferença e a burocracia têm inviabilizado... O Sr. Assis é um homem dos "sete ofícios", muito criativo e com um amor ao trabalho fora do comum. Não resisto à tentação de voltar ao livro. Parafraseando Assis ( É o escritor Assis Brasil?), "(...) Quero dizer para o mundo todo / que lhe conheço / que sou sua amiga / depois você me paga " uma delícia de goiabada... Um grande abraço Maria João de Oliveira ...........
Resposta: Maria amiga. Esqueça os 12 reais do porte dos Correios. O importante aqui é a sua opinião sobre o meu livro “Crônicas do amanhecer”. Sobre o Assis citado, trata-se do nosso amigo Carlos Assis, Poeta. Saludos e obrigada. Maria José Limeira.
Escrito por marialimeira às 09h19
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