Blog de marialimeira


EXERCÍCIO VIDA NÚMERO UM

Maria José Limeira

 

(Para Rosangela_Aliberti)

 

Quão bonita a folha morta,

esquecida entre as escórias,

que se apega à terra úmida

e re-inventa a flor...



Escrito por marialimeira às 22h45
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POEMA PARA LUÍS DE CAMÕES  

José Saramago

  

Meu amigo, meu espanto, meu convívio,  

Quem pudera dizer-te estas grandezas,  

Que eu não falo do mar, e o céu é nada  

Se nos olhos me cabe.  

A terra basta onde o caminho pára,  

Na figura do corpo está a escala do mundo.  

Olho cansado as mãos, o meu trabalho,  

E sei, se tanto um homem sabe,  

As veredas mais fundas da palavra  

E do espaço maior que, por trás dela,  

São as terras da alma.  

E também sei da luz e da memória,  

Das correntes do sangue o desafio  

Por cima da fronteira e da diferença.  

E a ardência das pedras, a dura combustão  

Dos corpos percutidos como sílex,  

E as grutas do pavor, onde as sombras  

De peixes irreais entram as portas  

Da última razão, que se esconde  

Sob a névoa confusa do discurso.  

E depois o silêncio, e a gravidade  

Das estátuas jazentes, repousando,  

Não mortas, não geladas, devolvidas  

À vida inesperada, descoberta,  

E depois, verticais, as labaredas  

Ateadas nas frontes como espadas,  

E os corpos levantados, as mãos presas,  

E o instante dos olhos que se fundem  

Na lágrima comum. Assim o caos  

Devagar se ordenou entre as estrelas. 



Escrito por marialimeira às 23h21
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Para Luís de Camões - Final

Eram estas as grandezas que dizia  

Ou diria o meu espanto, se dizê-las  

Já não fosse este canto. 

 

Do livro PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1985, 3ª edição:

 

Fonte:

http://www.secrel.com.br/jpoesia/1saramago2.html

 

 



Escrito por marialimeira às 23h18
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BUNDA ACESA

Maria José Limeira

 

Apaguei o candeeiro.

Acendi a bunda.

Não adiantou.

A escuridão do ambiente

barafunda!

...........

 

PALAVRAS SOLTAS

Maria José Limeira

 

Libertei as palavras

que estavam presas

na garganta,

há muito tempo:

- Cabra safado!!!



Escrito por marialimeira às 18h00
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Recebi de Pastorelli:

Maria José

 

Seu Crônicas do Amanhecer

está uma delícia de ler

gostoso, muito bom

parabéns e obrigado

por me dar esse prazer

 

Beijos

Osvaldo Pastorelli



Escrito por marialimeira às 21h39
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PASSARINHO BATE ASAS

Maria José Limeira

 

A gaiola do nosso amor

é mais asilo do que prisão.

As grades do coração

pesam mais do que a mais

leve flor.

 

Quando passarinho bebe água

e bate asas,

as portas devem estar abertas

para a imensidão.

...........

 

RABISCO NO ESCURO

Maria José Limeira

 

Quando as portas se fecham,

e o vento pára de bater,

escrevo na parede nua

um coração escuro

com seu nome no centro:

você.

 

Atravessado pela flecha

que matou S. Sebastião!



Escrito por marialimeira às 22h50
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BRAÇOS SEDENTOS

Maria José Limeira

 

Quando você chega

cansado,

bebo nos seus braços

a última notícia

da noite.

 

Cochilamos diante

do aparelho de TV.

...........

 

RE-INVENTANDO-ME

Maria José Limeira

 

Vou deixar de ser

escritora.

Esse negócio de fazer

versos

é coisa pra filha

da puta.

Serei cantora

de circo!



Escrito por marialimeira às 22h46
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NO HORTO DOS DISSABORES

Maria José Limeira

 

Minhas flores preferidas

foram embora

depois de abril.

Por falta d´água.

É por isto que,

uma vez por mês,

jorro sangue...

...........

 

OH! AMOR DISTANTE!

Maria José Limeira

 

As cores que você me empresta

nas primaveras

não são fantasias

do etéreo

onde me oculto.

São veras!



Escrito por marialimeira às 22h44
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NU OSSO DO POEMA

para MJLimeira

 

1

cada dia

como se fosse o último

dia das nossas vidas

 

nu poema

um assinalar

 

do canto nosso no osso!

 

2

uma flauta

de osso toca,

sopra o moço,,

 

une a boca

num un...

ir do sopro vibrando...

 

3

nu (o)

momento

sem pensamento,

 

toco

a poesia,,

 

na letra do poema

 

Francisco Coimbra

(20.11.06)



Escrito por marialimeira às 17h44
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Sobre a Nudez

(Para Francisco Coimbra)

 

NUDEZ EXPLÍCITA

Maria José Limeira

 

Quando chega noite,

tiro blusa,

saia,

calcinha,

soutiã,

e você é meu fã.

 

 

NUDEZ IMPLÍCITA

Maria José Limeira

 

No verão, as bocas

se queimam.

No inverno,

se fecham.

Em abril,

florescem.

Em agosto,

esquecem.

 

Nuas.

Sempre nuas.

 

 

NUDEZ A TODA PROVA

Maria José Limeira

 

Vou enfeitar a Poesia

com o que resta de mim:

nudez de ossos

e flores do meu jardim.

 



Escrito por marialimeira às 17h43
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Exercício de haicai V - nov/06

Para Maria José Limeira

 

Fios de lã multicor!

batem dois corações no colo

A gata salta no chão

 

Rosangela_Aliberti

São Paulo,  22-29.XI.06)



Escrito por marialimeira às 08h01
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O espaço é Infinito

Rosangela_Aliberti

 

A disputa nos quintais

dá luz à muitas bicadas

mas também diverte

pois... dá luz à muitos galos

 

Outro dia reencontrei

uma amiga dos tempos da adolescência

ela se transformou em uma belíssima cigarra:

- Rooô! Você fez Letras?

Não sou formiga...

transporto uma outra letrinha

aqui acolá... e assim...

me sinto muito FeliZ

 

O compasso dá voltas e reviravoltas

avançando fronteiras:

- Não sei por que pessoas

insistem em se acotovelar no espaço?

O mundo é tão grande

quando as pessoas

abrem realmente as asas

sejam de aço

ou distribuem plumas...

Sem segredos

 



Escrito por marialimeira às 07h59
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PENSE NO MELHOR!
Maria José Limeira
 
Quando o avião tem sua asa cortada.
E(ou) o navio está a pique.
Ainda quando o trem  em que a gente viaja
se desgoverna...
Pensemos grande:
-Maior do que Deus, ninguém!
 
Quando o amor foi embora.
E(ou) a fortuna se perdeu entre as pernas
bambas
do plano econômico do Governo.
Ainda que o filho esteja doente
e você não possa pagar médicos
e remédios...
Grite bem alto para todo mundo
ouvir:
-Vamos à luta!


Escrito por marialimeira às 07h49
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Morreu o meu doce amigo...

 

Morreu o meu doce amigo Poeta Nel Meirelles, no dia 17

de Novembro último, e eu soube hoje. Foi difícil suportar o

domingo de sol por aqui, sabendo que ele se foi. Estou

muito chorosa. E, sem nenhum desdouro aos demais amigos

poetas, vos digo: vai ser difícil (muito difícil) para mim

aguentar a internet sem Nel Meirelles.

Ele me mandava mensagens, quase que

diariamente, em PVT, e através do orkut,(e eram sempre

poemas!) onde dividia espaço com a gente em nossa

Oficina Literária. Quando sumiu, visitei seu blog,

onde tomei conhecimento de que estava doente, sem

condições de atualizá-lo e sem forças para acessar a

internet... Ah, amigo Nel Meirelles, onde estiver,

saiba que levou um pedacinho de mim com você... e eu

vou ter que sobreviver com o que restou.

Um abraço de muitas saudades.

Saludos. Maria José Limeira.

...........

 

auto-retrato

 

o que vejo no espelho

quando me busco (em vão)

são apenas restos perdidos

do que já foi uma canção

 

Nel Meirelles

 

http://www.falapoet ica.blogger. com.br/

 

 



Escrito por marialimeira às 01h59
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ASSIMETRIA

Maria José Limeira

 

(Para Francisco Coimbra)

 

Entre suas

 

garras sinuosas

as pontes ruem,

 

falas se abatem.

Cortam-se

 

nuas comunicações.



Escrito por marialimeira às 23h58
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Não há consolação,
amigo triste,
o homem é um animal
inconsolável.
(José Saramago, in "A jangada de pedra")
..........

Saludos.
Maria José Limeira



Escrito por marialimeira às 20h51
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“A América deve ser

uma luz  para o mundo,

não um missil”.

(Nancy Pelosi)

 

Pelo fim da Guerra do Iraque:

www.CeasefireCampai gn.org/index. php?id=11



Escrito por marialimeira às 02h24
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SUBVERSIVA

Ferreira Gullar

 

A poesia

quando chega

não respeita nada.

Nem pai nem mãe.

Quando ela chega

de qualquer de seus abismos

desconhece o Estado e a Sociedade Civil

infringe o Código de Águas

relincha

como puta          

nova

em frente ao Palácio da Alvorada. 

 

E só depois

reconsidera: beija

nos olhos os que ganham mal

embala no colo

os que têm sede de felicidade

e de justiça 

 

E promete incendiar o país

 

Fonte>

http://portalliteral.terra.com.br/ferreira_gullar/porelemesmo/subversiva.shtml?porelemesmo



Escrito por marialimeira às 01h06
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O MAU HUMOR DO LOBO MAU

 

O mau humor é antipático

mau humor = nevralgia

irmão da Cefaléia

se contenta com dissabores alheios

alimentando a cela de horrores

queixas, caretas

mais uma lista de roupas sujas,

o mau humor é preguiçoso

desesperançoso

no fundo

o mau humor não perdoa

não esquece

não trata bem a si mesmo

o mau humor é um lobo mau

 

ROSANGELA ALIBERTI



Escrito por marialimeira às 23h25
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SO_(R)RINDO

Rosangela_Aliberti & Maria José Limeira

...........

 

 

Não sei como sobrevivo

Neste mundo maluco

Sobrevivo porque insisto em sobreviver

(Rosangela_Aliberti)

...........

 

Apesar de tudo,

consigo sobreviver

no mundo dos excluídos.

Sou subversiva!

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 21h13
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So_(r)rindo - Cont.

Suas lágrimas

são caquinhos de vidro

em um mosaico no chão

ajoelhou tem que rezar?

remendando os vasos

(Rosangela_Aliberti)

...........

 

Há lágrimas rasas

e profundas.

Umas, límpidas.

Outras, imundas.

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 21h12
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So_(r)rindo - Cont.

No inverno...

suas lágrimas de crocodilo

são cubos mágicos de gelo

descem quentes pela face

são doces têm gosto de k-suco

(Rosangela_Aliberti)

..........

 

Discordo.

Lágrimas de crocodilo

são frias,

amargas

e sabem a fel

de hipocrisia...

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 21h10
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So_(r)rindo - Cont.

Não sei como sobrevivo

Neste mundo maluco

Sobrevivo porque insisto em sobreviver

(Rosangela_Alibert)

..........

 

Eu sobrevivo à noite.

Durmo de manhã.

Passeio à tarde.

Converso com o pôr-do-sol.

Sou Poesia!

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 21h08
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So_(r)rindo - Cont.

Quer que eu faça um Poema de Amor?

 

Imagine uma Diva nua

no seu quarto

recitando um poema seu

(Sim veja! Lá está ela, uma ruiva

ou uma formosa oriental...

Made Twaian ou  Vietnan

uma beldade)

Poderia se chamar

Diana! Cloé! Claude! Luiza! Abaeté! Nikita...

(Rosangela_Aliberti)

...........

 

Quer que eu faça um Poema Infernal?

 

Imagine um homem nu,

plantado na penumbra do seu quarto,

implorando amor.

Com o sexo em ponto

de bala.

Interessa a você que nome

esse homem tem?

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 21h06
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So_(r)rindo - Final

Imagine a sua Diva preferida

cantando junto contigo debaixo do chuveiro

(Piedade! Não me ponha no meio...

rezando sem ajoelhar...)

(Rosangela_Alibert)

..........

 

Imagine um macho

tamanho família

cantando “I love you”,

debaixo do chuveiro,

chamando você

para se ajoelhar.

Convide-me a participar!

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 21h03
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A poesia não merece leituras findas,

há que ser vista e revista,

e a cada visita despertar olhar novo,

inquietações distintas,

emoções meninas.

(Amina Ruthar)

 

http://oficina-blog.zip.net



Escrito por marialimeira às 08h18
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Os beijos de Francisco

Com tanta atenção que me é dedicada no teu blog, acabas de merecer mais uma crónica de "crônica do amanhecer". Da sexta crônica do livro:  

 

Beijar é bom e eu gosto

Caro leitor/a imaginário/a, uma ária: imaginem a partir do título!

 

Inspirados? façam uma redacção. Não chega? Querem saber o que a autora escreveu?

 

Cá vamos nós: «Eu quero agarrar o instante»... Devem querer saber como acabou!?

 

Também não chega? Cálculo... Calcular é bom, acertemos: «Beijos, eu quero tudo o mais», fica demais! Legal, não é?

 

Sabendo o final, já podíamos: morrer felizes!? Fazendo-me a vontade, tua também?, à nossa vontade! Caro/cara, apetece continuar, não é?

 

Há coisas que não caem do céu, para se merecer o final, só lendo o original para perceber, percorrer, e de_gostar: «Quando teus beijos descobrem os segredos do meu ventre, eu viro gente de novo»  

 

Saludos,

Francisco Coimbra

 



Escrito por marialimeira às 22h33
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Poemas, estais pela hora da morte!

(Francisco Coimbra)



Escrito por marialimeira às 22h12
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De Francisco Coimbra para Maria Jo Limeira - Cartas íntimas

14 – correspondência pessoal

Querida Maria José (sabe que a minha irmã se chama  Maria José?), por favor leia e leia

http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=287516

com toda a atenção e comente - a frio ou a quente. Eu tento ser "cool", cada um é como é.
Agradeço a sua atenção, beijo do coração. 

F
http://www.recantodasletras.com.br/autores/Francisco


M J querida,

pensou que ninguém, apenas nós sabemos?, sabe se  estamos a escrever em combinação um com o outro?
Continue a ser a minha "outra" e "outro" ser_ei,  se_rei para si!
Felicidades, para todos os "outros", para nós sempre!



Escrito por marialimeira às 11h03
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De Francisco C oimbra - Cartas íntimas - Cont.

Eróticos são os malmequeres, rodando, atrás do Sol!
+
uma carta

Não perco muito tempo a pensar quem sou eu ou o que  faço aqui!
Para mim a arte faz parte das minhas necessidades, estas, as necessidades, são sempre excreções.
Não te admires se vires esta minha/nossa carta  publicada na minha “narrativa erótica”, para Mim, para ti e para mim, a arte não é nada que se invente.
Invenções são coisas práticas, feitas com ciência e  arte, criações somos todos nós, Criador há só Um, dizem os seus criados? O meu credo é demasiado simples, credo!... Nem dá para crer, querer dá, eu não  quero outro!
Gosto de ti da mesma maneira que conheço os amigos, eu e eles, cada um vive a sua vida. Claro que tens toda a  razão em relação ao que acabas de dizer, o facto de só  eu saber o que acabei de ler, faz com que apenas tu me  possas perceber. O que é que penso quando escrevo para todas as pessoas esta conversa? Penso que falar com  uma deusa: “Namasté”, é o meu ideal de vida. Procuro-a em cada mulher que conheço, os indianos são muito mais espirituais, cumprimentam deste modo toda a gente:
“Namasté”, adoro o deus que há em ti!... dizem.
«Tristezas não pagam dividas», tu sabes. Também não são as dividas que te incomodam, eu sei...
Não, nunca te te_n_tes preencher com as letras... Nada mais vazio, esfumam-se como ideias... A tentação, essa  Sim: é sublime!
Adorei, sou um adorador nato..., a tua explicação
“me_tá_fora”? Como dizem os putos, é muito “fora”!...



Escrito por marialimeira às 11h00
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De Francisco Coimbra - Cartas íntimas - Cont.

Vamos então a um dueto:

Quero-te ter em privado em letras selvagens
Onde a voz não se articula em palavras

Quero-te ter como quem tem uma fogueira viva nas mãos
O coração soltando labaredas pelas artérias

Quero-te ter como uma espada constante entre a
garganta e o coração
Ostras abrindo para as veias moluscos músculos
Quero-te ver voar só com uma pena e os braços abertos
sobre nada
Ondas dum ventre que é a Terra na terra e pelo mar
Quero-te no ventre sem a barba ou o cabelo crescido de
palavras mães
Orquídeas singelas como ideias simples coloridas de
flores

Quero-te genuíno, porco e divertido e ainda criativo
Ouriço-caixeiro viajante deixando descendentes nas
ascendentes
Quero que venhas encontrar-me com tudo o que é teu
Olorosas mães rosas de todos os continentes
Quero que me feches e lacres a porta da poesia depois
de eu acabar de querer
Olharás por mim enquanto me pedires o impossível!



Escrito por marialimeira às 10h56
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De Francisco Coimbra - Cartas íntimas - Final

Nunca me peças para analisar a tua poesia, isso é a  coisa mais simples que há, a mais injusta também.
Sabes o que é uma opinião? Agora imagina-me a dar opiniões sobre o que tu escreves? Nem com beijos nus...
Gostei muito do nosso dueto, um poemeto? Qual quê??
Uma obra desta parte e da outra, a outra tu imaginas,
esta: aqui vai e fica...
Jinhos rubros,
como as rosas vermelhas.
(se te apetecer publicar, o que é nosso, é teu)

{Autora da foto: Michelle M:
"Me deram um nome e me alienaram de mim"
http://www.olhares.com/utilizadores/detalhes.php?id=3339

Ou, continuem por aqui...
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=278543}


Francisco Coimbra
Publicado no Recanto das Letras em 10/11/2006
Código do texto: T287879 

http://www.recantodasletras.com.br/cartas/287879


Escrito por marialimeira às 10h52
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De Francisco Coimbra - Crônicas do amanhecer

Acabei de publicar no Recanto:

http://www.recantodasletras.com.br/cartas/287879

Espero gostes.

+

O que era alegria virou lágrima

A ideia de fotografar, veio de molde a lembrar a ideiamoldura, a cada um destes textos que se fazem crónicade cada crônica lida. Fotografemos pois: «Quando eu estudava na quinta série primária», é o inicio.

Temos pois a autora nos primórdios da arte, na escola.

Volta onde a aprendizagem se faz, rememora mais uma história. Qual e como? O como da crônica, é o trabalho do cronista dando pistas sobre a realidade que observa, vive. À distância ou de forma próxima, acontece aqui à distância no tempo de forma próxima napresença da memória em novo episódio: o aniversário da professora.

A autora dá a ler uma quadra da ocasião, ia nos seus onze anos já se dizendo escritora "nesse tempo" idade e ocupação: aluna.

Porém, é um porém e um mas, um «Mas, porém» o climax da crônica a coincidir com o final.

Francisco Coimbra



Escrito por marialimeira às 10h28
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DE FRANCISCO COIMBRA PARA MARIA LIMEIRA:

 

saltos altos (carta de amor)

 

O artista é o Homem capaz de agir como uma mulher histérica? Tenho todas as dúvidas sobre os artistas, pessoalmente não quero ser artista. Quando muito, crio um heterónimo artista? Daria uma costela e muito mais para criar a Mulher, e para criar o artista? Não dou nada, dou tudo: torno-me artista e rodopio sobre "saltos altos", até cair de costas, de pernas abertas, aos gritos: - Possua(m)-me! Merda.

De vez em quando vou..., cá vão; cavam de mim as suas/tuas crônicas nas minhas crónicas. Continuam a inspirar-me, já vou na terceira (a quarta, contando com a última)...



Escrito por marialimeira às 23h08
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De Francisco Coimbra - Cont.

Sabes o que sugeria para a Oficina Literária, [http://oficina-blog.zip.net/] o convite a cada autor para ser o primeiro a descascar nu s_eu texto. Gostava de saber (o) que autor diz d(o) seu texto! Gostava de saber o que a frase diz de si em cada fase, (o) que diz o que a diz? O que é O (o)? O seXo do artigo definido masculino na vagina do artigo "o"? O lugar X - , nu mapa do tesouro, no corpo do texto ou - no mapa do tesouro nu corpo do texto!

Ser artista, génio, autista a/o perder a pista das pegadas pegadas aos pés de quem a segue! Vou ler a tua última proposta ler "falas-me de um sorriso que esvoaça ", é lindo, leve, muito bonito e uma bosta me basta para dizer basto: bastou-Merda!

Os artistas dão-se a ler como manequins na passerelle, sem o encanto das luzes e a beleza das formas, é a coisa mais ridícula que imaginar se possa. A minha "carta de amor" só pode ser medonha: uma mulher a fazer equilíbrio sobre os pés, anda de forma anti-natural, tentando andar natural; arde como uma chama no escuro, bela e medonha, imensa...

Como é que uma chama no escuro pode ser medonha? Ninguém a pode entender (sem arder)! O artista é a manequim, rouba ao homem a lucidez, quer ser a roupa? Que roupa veste "falas-me de um sorriso que esvoaça"?



Escrito por marialimeira às 23h06
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De Francisco Coimbra - Cont.

É um poema horrível, mas tem o belo-horrível do indizível, é poema e basta. Mas não basta, é um poema horrível. Como horrível pode ser uma mulher... bela e artificial (como uma vela no escuro?, jamais...)!

Quando me quero concentrar, voar, visitar os espíritos, acendo uma vela no escuro e voo no vento: apago-me no ar. É o que fiz e faço? Começo a falar e depois não falo? Os poemas não falam por si, falam por nós: a manequim despersonaliza-se e materializa-se, matéria do sonho. As melhores manequins têm vida, transmitem uma personalidade magnética, dão a ver a roupa que vestem e despem-se por baixo da roupa dando-a a ver bela, nem que seja um "soutien" "wonderbras": segurando a beleza dos seios, uma peça única, uma obra de arte.

Desde logo detesto ler poemas centrados na página, transformando o poema numa mancha, um teste de Rocharfff (já não me lembro do nome do psicólogo, Suiço de ascendência germânica?, querendo saber as informações possíveis da interpretação?)?  

 

Vou dá-lo a ler como foi e é escrita

escrita da esquerda para a direita

a fazer uns versos porque sim?

 

 Poemas, estais pela hora da morte!

 

Vou dá-lo a ler como a manequim melhor do planeta leva sobre o corpo a melhor das criações, leiam e sintam, é pura poesia:



Escrito por marialimeira às 23h05
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De Francisco Coimbra - Cont.

[falas-me de um sorriso que esvoaça]

 

falas-me de um sorriso que esvoaça

em redor da luz

 

de uma nascente

onde as palavras são puras

cristalinas

com seus corações de água

 

e eu aqui

sentado neste café

olhando o mundo a passar

 

tão concreto como uma navalha

rasgando a pele da solidão

mas escuto-te

 

persisto em acordar a tua voz

entre sombras e escombros

que restaram do tempo

em que fazer memória

valia a pena

 

perscruto o que reside

dentro das vidraças

 

estas ruas por onde o olhar se faz

vagabundo

 

talvez com a secreta

esperança

de encontrar o fio de ouro

em que se tece a tua voz

 

Xavier Zarco



Escrito por marialimeira às 23h03
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De Francisco Coimbra - Cont.

Parto do princípio que se trata dum texto sem título, apenas nomeado pelo seu primeiro verso. Quando quero dizer/mostrar o que acabo de dizer não uso, nem nunca vi usar este modo de nomear o texto: um "nome" tirado do texto mas isolado do texto?

 

[Isto significa que não foi o autor a nomear o texto(?)]

 

Quanto ao texto, vou tentar dar-lhe o que lhe falta: a consistência duma leitura!

A escrita não pode ser só escrita, tem de ser leitura.

Mas isto já foi dito: Anderson Santos

 

[

Gosto da idéia desse poema, mas não do poema em si.

Não gostei da partição dos versos e dos parágrafos. Não vi trabalho ou intenção nas partições.

Não é como encontrar na divisão uma musicalidade ou uma métrica.

Não é como encontrar na partição um ritmo de leitura que complemente o escrito.

São apenas quebras...

Mas a matéria de poesia existe e encanta... Infelizmente, o poema ficou prejudicado na divisão

Abraços

Anderson Santos

]



Escrito por marialimeira às 23h01
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De Francisco Coimbra - Cont.

Finalmente...

 

falas-me de um sorriso que esvoaça

em redor da luz

de uma nascente

 

onde as palavras são puras

cristalinas

com seus corações de água

 

e eu aqui

sentado neste café

olhando o mundo a passar

 

tão concreto como uma navalha

rasgando a pele da solidão

mas escuto-te

 

persisto em acordar a tua voz

entre sombras e escombros

que restaram do tempo

 

em que fazer memória

valia a pena

perscruto o que reside

 

dentro das vidraças

estas ruas por onde o olhar se faz

vagabundo

 

talvez com a secreta

esperança

de encontrar o fio de ouro

 

em que se tece a tua voz

 

Pronto, aqui a manequim vem bêbeda tropeçando nos pés!

O poema é belo como uma fala leve, vestindo uma fada que a dá a ver!...

Haver poema é fazê-lo, senti-lo, dizê-lo! Como pode um vesgo dar-nos poesia a ouvir?

Temos de fechar os nossos olhos ao desencontro dos seus olhos e ouvir, sentir, ver, apenas as palavras na voz que as guarda.

A simplicidade é a mais bela arte! Tornar simples a coisa horrível que é ser manequim!!



Escrito por marialimeira às 23h00
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De Francisco Coimbra - Cont.

Há ainda o que outro viu: Denilson.

 

[

Acabei esquecendo de falar deste poema do Zarco, mas não posso deixá-lo passar em branco. O poema é a fotografia perfeita de um sorriso que esvoaça.

Um poema leve, sem peso, que flutua, paira no ar, esvoaça. Tão leve que acho que seria capaz de curar uma dor de cabeça.

Metáforas transparentes, translúcidas, diáfanas me envolvem na leitura, e quase flutuo com elas.

Não há muito o que falar. talvez seja o mais belo poema que já li nesta lista. Gostei e gostei demais!

Meus agradecimentos ao poeta.

Denilson



Escrito por marialimeira às 22h58
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De Francisco Coimbra - Cont.

Acabo com o que começaste dizendo: Maria José Limeira.

 

[

(Análise crítica)

Maria José Limeira

 

É simplesmente belo (belíssimo!) este texto "Falas-me de um sorriso que esvoaça", de Xavier Zarco. Conhecemos esse poeta de longo tempo de militância na internet. É um poeta que ama a Poesia, participa de movimentos culturais, enfrenta saraus literários, opina, influi e contribui com sua prática firme e segura na Literatura. É um Homem de Letras, realmente, e sua voz deve ser ouvida, porque sabe o que diz.

Quanto ao texto, é tão leve (sem deixar de ser profundo), que parece querer voar. Tem ritmo, movimento, unidade dos contrários e, embora descreva um olhar contemplativo sobre uma paisagem exterior ao narrador, a ação que se desenvolve é toda   interior, e só existe a partir dos sentimentos de quem a concebe.

É muito comovente esse poema, e de uma tristeza gritante.

A linguagem é culta e o texto abunda em metáforas (e nisto o autor nos surpreende a cada verso).

Observa-se que o movimento do texto sugerido através do verbo "esvoaçar", que lhe dá início, mantém-se até o fim, embora que os sentimentos vão se deteriorando, diminuindo de tensão, até alcançarem o "estado de sombra", onde o que vale é um "fio de voz"...

Gostei muito. Muito mesmo!

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

]

 

Não, nem que mandasse abraços seria perdoado, o que dói é a ressaca: «aqui a manequim vem bêbeda tropeçando nos pés!»

Não, não há como tentar: abraços!!

Parabéns a quem se expõe, mas o verdadeiro desafio é, era, será?, o autor falar da sua fala/canto e fazê-lo com encanto, com zelo. Mostrar como:

 

«rasgando a pele da solidão

 

 mas escuto-te

 

 persisto em acordar a tua voz»

 

1) para rasgar é necessário separar,

2) a fala pára, suspende-se, quase se perde...

3) persiste, enquanto o poeta assiste ao mistério do poema.

 

Abraços pois, agradecido a todos.

FC

(Francisco Coimbra é heterónimo de Assim Mesmo)

 

Amiga, escrevi de manhã, mando-te em PVT (o que querem dizer com isto?)...

Diz de tua justiça, vou continuar com teu livro à cabeceira, espero continuar minhas crónicas...

De ontem à noite:



Escrito por marialimeira às 22h55
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De Francisco Coimbra - Cont.

Á sombra de Augusto dos Anjos

Antes de dormir leio mais uma crônica, a segunda do livro, vai ser a terceira. Depois de tentar pegar o livro pelas pontas, como quem tenta uma "pega de caras". Recomeço nova "faena": palavra, perante a qual, a nossa "lide" é mais pobre. Antes de apresentar a capa e investir, brindo com a espada a "sorte". Esta, uma palavra forte, o sinónimo de lide que mais a aproxima de faena?

A sorte vai-me dar a ler o que for dito sobre um autor, Augusto dos Anjos, atenção pois: alto e pára o baile! Entra a leitura, deixemos a escrita a marinar…

É a história da marca duma relação, a presença dum poeta, das leituras feitas numa fase impressionável da vida como são todas as que recordamos associadas à leitura intensa dum poeta. Pensando bem, ler intensamente poesia ou qualquer outra coisa, é ler um autor. Isso me faz pensar como esta crônica me situa perante novo acontecimento, mais um episódio da vida da cronista.

Se em 65 estava a começar a vida activa, vamos deixar que nasça em 45, terá agora 61 anos de idade. Lendo o que escrevi, sem ler o que li, curioso fico do que falta e, não sendo muito, faz toda a diferença.

Como remata a crônica? O toureiro, de capa e espada, vira as costas ao touro; a cronista fala da actualidade da poesia, versos «actuais, como se tivessem sido escritos agora, neste momento.»



Escrito por marialimeira às 22h53
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De Francisco Coimbra - Final

Livros, livros & mais livros

Antes de prosseguir na leitura do livro é bom que volte ao primeiro texto, fala para o leitor a autora a escrever-se. Traça o roteiro do relacionamento onde a vida vive, diz e, o que vou perder na riqueza da voz que se molda, será ganho a preto e branco, sem filme, em foto_s, fotografemos:

 

1) «Entre poesia e livro, não existe distância»; 2) «Sou uma leitora exigente e zangada» (parágrafo); 3) «acho que todo o texto literário tem algo de bom»; 4) «serviços de coordenação e revisão editorial, nos quais me profissionalizei na vida real»; 5) «posso, finalmente, dedicar-me à arte literária em toda a sua plenitude»; 6) «Sou uma pessoa orgulhosa, selectiva nas amizades»; 7) «Enganei-me, poucas vezes, com lobos vestidos de cordeiros»; 8) «Que venham, pois, mais livros e amigos» 

 

Só falta um algarismo, o 9, o 0 não conta, pertence aos números reais e apenas usei os naturais. O 9, a última fotografia, fica para o final.

 

Estamos quase lá, entretenho-me a escrever para a escritora uma súmula do que selecciono desta perfeita introdução ao livro que assim termina: «E beijos, muitos mais!»; venham os livros e os beijos, os textos que emocionam. 

 

Beijos & beijos

Francisco Coimbra



Escrito por marialimeira às 22h51
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POEMINHAS

Carlos Assis & Maria José Limeira

..............

 

Cozinha

 

Longa fila

Na parede branca

Operárias

(Carlos Assis)

...........

 

Cama

 

Enquanto você dorme,

de boca aberta,

eu conto estrelas

e carneirinhos.

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 00h43
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Poeminhas - Cont.

Alta Altitude

 

Nuvens brancas

Espiam cidades

Pontinhos no chão

(Carlos Assis)

..........

 

Baixa-estima

 

O carro passa

em alta velocidade.

Não dá nem tempo medir

o quanto dói o adeus...

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 00h41
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Poeminhas - Cont.

Quieto no sofá

Lambendo a pata

Gato cinza

(Carlos Assis)

...........

 

Pelo latido do cachorro

no portão

é possível saber

a ferocidade

do ladrão.

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 00h40
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Poeminhas - Cont.

Roseira nua

Sofre na brisa

Escondida

(Carlos Assis)

..........

 

Uma rosa nua

não resiste

por muito tempo

aos assédios predadores.

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 00h38
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Poeminhas - Cont.

Horário de Verão

 

Sem hora certa

Relógio na parede

Espera correção

(Carlos Assis)

...........

 

Quem se importa com o relógio?

 

No inverno,

o relógio da parede

é apenas objeto decorativo

da lista dos inúteis.

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 00h37
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Poeminhas - Final

O tempo está nos matando

 

Segundos voam

Minutos correm

Horas passam

(Carlos Assis)

..........

 

Matando o tempo

 

Quando quero matar

o tempo,

sento-me no banco

da praça,

olho as crianças,

os velhos,

as mulheres

e os pombos.

Todos são lindos!

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 00h36
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crónicas de leitura 1

Antes de fazer a crónica - da leitura da - primeira crônica…

 

O meu domínio do português falado e escrito do outro lado do Atlântico com sabor Brasil, é baril… Vou-o descobrindo aos poucos e usando, insinuante_mente poderei ter insinuado um cheiro… Quem me explica por palavras tropicais, o que é "um cheiro" essa carícia que pode parecer teria vindo na dedicatória e não é essa a história, veio no livro, cheiro nu livro, aguça a imaginação, envolve a leitura, pede leitura. Sobretudo permite, dá?, esta comunicação com os leitores/as.

 

CRÔNICAS DO AMANHECER, esta crónica é dedicada à sua autora, começa com:

"Livros, livros & mais livros".

 

Vai directa ao assunto desta crónica, a minha leitura é feita de identificação com a escrita: «Um dos maiores benefícios da Internet é a possibilidade de fazer amizades». Quando assim é, a nossa leitura tem de ser, deve ser… suspeita. Deve do seu ser a emoções que nos põe na trilha de sentimentos e sensações boas, o texto pode ser o que lá está escrito, o que conta, o que queremos ler, é o prazer pro_metido para a leitura. Quando assim é nunca somos bons críticos, nem crítico me quero! Mas sou.

 

Sou crítico como quem não sabe ser outra coisa, tudo o que se mexe crítico, tudo o que não se move crítico, tudo que quero é criticar: é crítico! Gosto deste prazer sem nome de dar nomes às palavras: um cheiro…

 

Não se esqueçam de definirem esse "cheiro" que se manda a quem se gosta, valeu?…

 

Da primeira crônica, só dou este cheirinho. Como é a primeira crônica do livro, quando quiser fazer uma crônica das crônicas, uma crônica do livro enquanto crônica de crônicas? Aí, eu volto a falar de "Livros, livros & mais livros".

Francisco Coimbra

 

Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2006

Código do texto: T285634

 

http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=285634



Escrito por marialimeira às 00h29
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Sobre Crônicas do Amanhecer - Final

crónicas de leitura 2

A matéria da primeira crônica daria, só ela, para um livro, aí escreveu: «transformando minha inquietante pessoa em musa inspiradora»… Como não quero ficar quieto e me agrada a ideia de ter uma musa tão real quanto possível, procuro onde nos leva CRÔNICAS DO AMANHECER e chego a "Sóis dormidos e luas mal-assombradas".

 

Se da primeira crónica citei a primeira frase, da última, começarei pela última:

(1)«Você chegará nos meus sóis dormidos e luas mal-assombradas.»

A intenção não é tensa; calma, propensa à leitura, cativar o leitor destas crónicas a lerem as crônicas da autora.

Querem saber como é a última crônica? Eu, leitor, muito simplesmente me imagino "ele" o personagem da história. Sem nome nem referências de maior a não ser as dadas…, aquele que chega através das palavras da autora, o que ela espera escrevendo (onde a onda é esta: na ficção - a vida continua sempre e a morte - sempre acontece de novo). Até já não estar à espera, deixando com ela, por ela… as palavras onde escreve_u:

(2)«Imagino que, um dia, a porta vai abrir e você entrará. Como eu quis, pedi e lutei.»

 

Há sempre mais a dizer entre duas coisas que se disseram, contudo se queremos deixar que as coisas sejam naturais: voltem a ler (1) a última frase da crônica e do livro e depois releiam (2) a primeira frase desta última crônica. Se a minha sugestão for aceite, só têm de pedir o livro, para conhecer as crônicas que inspiram estas crónicas.

 

O livro, ficha do livro:

Crônicas do amanhecer / Maria José Limeira. João Pessoa: Dinâmica, 2005. 180p. (colecção Tamarindo) Crônicas - Literatura brasileira.

Francisco Coimbra



Escrito por marialimeira às 00h27
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OS POEMAS

 

Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam vôo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto

alimentam-se um instante em cada par de mãos

e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti...

 

Esconderijos do Tempo - Mario Quintana

 ..............

 

Verbívoro

 

    não sou fulano

nem ciclano ou beltrano

    sim, foi engano

 

Participe de Zinema

zinema_poesia-subscribe@yahoogrupos.com.br

 

A poesia verbovocovisual sem censura.



Escrito por marialimeira às 23h04
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O MAR,

OS MARES,

AS ÁGUAS

QUE O CORPO DÓI

Maria José Limeira

 

(Para Ana Maria Costa)

 

Aqui sentada,

na areia branca da praia,

ouço conchas,

caranguejos de superfície,

algas,

moluscos

e pedras-arrecifes.

 

Todavia, é mais dolorido

o grito das águas subterrâneas,

lençóis freáticos do silêncio

que o mar oculta.

 

As asas do pássaro

cruzam o ar,

cindem as nuvens,

transtornam a luz da paisagem

em chuva.



Escrito por marialimeira às 22h37
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De que lado vem o vento do mar?

  

Nesta espécie de hora nocturna

fragmento ténue

solidão condenada

à imaginação do esquecimento.

o silêncio esvaído

insiste em desenhar mares

arrulhar metáforas e aliterações.

 

Digo amor

invento um coração

estuário da memória húmida

memória perfumada de hipocrisia

Esbarrondando

neste tempo degradado

Dos homens abjectos.

 

Digo pátria

Sonho anterior a nós

Chama que a vida em nós criou.

Mensagem fecunda

Trazida

Em todas as auroras ansiosas.

 

Vou continuar aqui

com os olhos secos

Chorando memórias

Do tempo

Envelhecido no destino.

atirando palavras

ao crepuscular percurso diáfano

das gaivotas

no torpor do voo.

 

Ai Kalunga!. Kalunga aiué!

A perspicuidade vira opacidade estreita e nublosa.

 

De que lado vem o vento do mar?

 

Manuel C. Amor 

Novembro 2006

 

 



Escrito por marialimeira às 23h14
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SOBRE O LIVRO  “CRÔNICAS DO AMANHECER”

 

Oiiiii Zezé espero que você esteja bem melhor 

Te agradeço de coração o envio do livro, eu não esperava... Sua dedicatória me comoveu à mim calou fundo pois acompanho seus escritos desde 2000, nunca vou me esquecer um dia que te enviei umas linhas para entrar em um "Comboio" das Baratas... estou lembrada ter escrito algo ao nível daquela velha história: 

- "Quem quer casar com a Dona Baratinha"? 

Você me retornou 'dizendo':

- Com essas linhas não chegará em Portugal (e citando um local específico que não me recordo). 

No fundo sempre li em você uma pessoa que instiga... mais uma linha aqui ou outra acolá.

Ou seja uma pessoa que incentiva!!!

Ao receber seu livro, CRÔNICAS DO AMANHECER li algumas em voz alta para a minha mãe: 

A do pintinho ( que foi parar no vizinho ) , a das baratas (não os das cucarachas) , a dos Coentros (dos nossos coentros)! e da Desobediência civil.

"A função da gaiola é o cativeiro. A fome nos impede de pensar. Tenho direito de errar. Quantas vezes puder!" (frases suas)

Penso que a fome no sentido concreto impeça todos de pensar, mas você sabe que existe outras formas de fome: fome-solidão, a fome no vazio... e dentro desta falta várias vezes escrevi uma linha ou outra:  www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=1431

Pode ser que por hora seja pouco, mas é um pouco do que é meu... da fração da 'baratinha da Lispector' que entra em uma casinha ou outra de vez em quando...

Minha querida amiga, gostaria que me dissesse o preço do livro, por que o que tenho aqui é meu, foi me dado com carinho... mas o que quero que envie na próxima vez com valor e frete, será doado a Biblioteca de meu bairro.

Nasci assim, querendo mostrar para o mundo o que acho que vale a pena :)

Beijo da rô, com cheiro verde!!!

ADOREI o livro

Obrigada de Coração

 

Rosangela Alibert

 

 



Escrito por marialimeira às 22h47
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