Blog de marialimeira


O CAMINHO DAS ESTRELAS

Maria José Limeira

 

Uma palavra a mais, um brado, um grito: eu poderia ouvir-te, ao menos, se a opção fosse silêncio.

Agora, na distância (e tão longe!) não consigo dormir, ouvindo gritos pendurados nas paredes do meu quarto.

Era uma noite chuvosa quando partiste, porta a fora, e levaste meu coração.

É por isso que vagueio na escuridão, sem achar o caminho da volta.

Eu queria te ouvir dizer “não me abandones”, ao invés do “deixa-me ir” que me pediste então.

Não é somente no retrato, à minha mesa, que zombas da minha solidão.

Teu escárnio inda flutua na taça de vinho, na minha multidão, no meu deserto e vazio, no meu frio...

Se é verdade que eu não pude te reter, é verdade também que minha voz – neste disco vinil antigo, arranhado e tosco dizendo “Não te vás” – há-de alcançar-te, um dia, pela estrada de poeira e cascalho em direção às estrelas onde te escondeste.

Se nem mesmo assim eu puder te tocar de novo, ouvirás minha canção espraiada na cidade: a música dolorida que todo expatriado canta – uivo de lobo em noite de lua cheia – que o cruzeiro-do-sul asila e solfeja no escuro interior do escritório da saudade.

Ah desespero! Apagada chama!

Há uma bala de prata cravejada na agulha do revólver escondido na gaveta, para uma pessoa triste como eu, que odeia e ama...



Escrito por marialimeira às 22h47
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Coimbra & Limeira - Contra-dança

EM VOLTA(S) VOLTO

Francisco Coimbra

 

DE VOLTA

Maria José Limeira

..........

 

 

Olá comadre Limeira

estou aqui junto de ti,

viajei desta maneira

agora que bem a reli

(Francisco Coimbra)

 

 

Ah, meu compadre amigo.

Seja bem-vindo, se sente.

Nesta ciranda, eu sigo,

como quem chora e não mente.

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 20h38
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Coimbra & Limeira - Contra-dança - Cont.

de Coimbra onde nasci

sou agora dos Açores

de onde canto pois ouvi

corresponderem amores

(Francisco Coimbra)

 

 

Do Brasil, lhe mando abraço,

com a quentura do Nordeste.

Este poema que faço

tem fado e tem forró-fest.

(Maria José Limeira)

..........

 

tuas palavras com ritmo

vieram dar a música,

com a musa que estimo

fazendo-se de única

(Francisco Coimbra)

 

 

Se fado não danço bem,

mas no forró me seguro.

Já você, o que é que tem,

além de um coração puro?

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 20h35
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Coimbra & Limeira - Contra-dança - Cont.

cantora de belo timbre

quero eu acompanha-la

seguindo sua voz livre

a cantar dentro da fala

(Francisco Coimbra)

 

 

Mais lindo é o seu cantar.

Mais bonita a sua voz,

que ressoa em rio e mar,

da nascente até a foz.

(Maria José Limeira)

..........

 

quero nela usar Língua

através dum oceano,

não deixando à míngua

tanto do prazer que amo

(Francisco Coimbra)

 

 

Quem usa língua dá beijo.

Quem beija quer muito mais.

Quem provoca dá ensejo.

Quem anuncia não faz...

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 20h33
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Coimbra & Limeira - Contra-dança - Cont.

se uma gaivota voa

de modo possa sentires

vai da capital Lisboa

com o fado que ouvires

(Francisco Coimbra)

 

 

Voa, passarinho, voa.

Leva recado aos Açores.

Diz que o fado é coisa boa,

que arco-íris tem cores.

(Maria José Limeira)

..........

 

deixa-me ser a guitarra

bem encostada ao peito,

agarrada nesta farra

Poesia seu proveito

(Francisco Coimbra)

 

 

Deixa-me ser cantoria.

Dá-me um resto de rima.

Ouve atento a cotovia

que nos olha lá de cima.

(Maria José Limeira)



Escrito por marialimeira às 20h30
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Coimbra & Limeira - Contra-dança - Final

aproveito acarinhar

o talento de quem solta

a vida feita um bailar

com as palavras envolta

(Francisco Coimbra)

 

 

Não deixes verso cair.

Escuta a rima troar.

Tu de lá e eu daqui,

até o mundo se acabar.

(Maria José Limeira)

...........

 

em voltas volto de novo

sou o pássaro a nascer,

voando dentro do ovo

na criação feita prazer.!.

(Francisco Coimbra)

 

 

Agradeço a contra-dança.

Venha bailar novamente.

Quem espera sempre alcança

e quem sonha vai pra frente!

(Maria José Limeira)

 

(FIM)



Escrito por marialimeira às 20h27
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OFICINA VIRTUAL DE CRIAÇÃO:

 

ATENÇÃO:

 

Você está sendo convidado a definir o rumo do escrito abaixo.

Vote na opção que melhor lhe aprouver e tire o autor da sinuca.

Ou crie uma terceira variação, aumentando a confusão.

 

RAINHA (opção a)

 

Fiquei no ar.

Ela falou: "Você é dos meus".

Eu falei: "A senhora é das minhas".

Ela tirou o vestido, não tirou o colar.

 

RAINHA (opção b)

 

Fiquei no ar.

Ela falou: "Você é dos meus".

E tirou o vestido, não tirou o colar.

Eu falei: "A senhora é das minhas".

 

 

- mario pirata -

poeta & brincadeiro



Escrito por marialimeira às 10h07
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Fiquei sem ar.

Ele falou: - Você é linda!

Arriou as calças.

Eu tirei o colar.

(Maria José Limeira)

 

 

Fiquei nua.

Ele falou: - Que é isso, menina?

Eu falei: - É isso:

Joguei fora o colar também.

(Maria José Limeira)

 

Ah-ah!



Escrito por marialimeira às 10h06
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O ILUSIONISTA ILUDIDO

Francisco Coimbra

 

 

Querida eu não sei

o que ando fazendo

enquanto espero nada

 

faço música mulher

acompanhando silêncio

com que toco palavras

 

eu as quero somente

para lhe poder cantar

este amor que me vem

 

me fazendo sentir tudo

até quando sem sentido

você fica a rir de mim

 

imaginando apenas

qual será maior poder?

vou apostar na ilusão.!.



Escrito por marialimeira às 21h23
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Ó MEU QUERIDO FRANCISCO!

Maria José Limeira

 

(Para Francisco Coimbra)

 

Meu compadre das Lisboas!

Ó Francisco, vulgo Chico!

Manda-me beijos e broas,

que muito contente fico!

 

Quem me chama de querida

fala ao meu coração.

Da lida se leva a vida.

E da vida, ilusão...

 

Se quiseres, faz toada,

agarra teu violão.

Logo chega a madrugada.

Dedilha nossa canção.

 

Canta o amor que vem,

que eu canto a dor que vai.

Diz que me queres bem,

que eu daqui grito: - Ai!

 

Ó meu compadre Francisco!

Nossa serenata ecoa.

Para além deste rabisco,

há um pássaro que voa.

 

Quando ele atravessa os ares,

leva dores e saudades.

Quando volta, vem em pares,

planando sobre as cidades.

 

Pousando em minha janela,

me entrega mel de teus doces.

Diz-me tu: - A vida é bela!,

como se pássaro fosses.

 

Assim, canta tu de lá,

que eu daqui te acompanho.

Amor de não acabar

é só dos tempos de antanho!



Escrito por marialimeira às 21h22
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Espelho

 

 

Quem é essa dona

que a imagem reflete

e que me contempla

no espelho do lago?

É fada? Demônio?

É viva? É morta?

Será que é miragem?

Concreta, palpável?

Ou inacessível?

 

Quem é essa peça

tão indefinível

de quem visto a pele

e habito a carcaça?

 

 

(eliane stoducto)

 

http://cristalpoesia.net/



Escrito por marialimeira às 03h54
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A morte de Eliane Stoducto

Eu soube que nossa amiga Poetisa Eliane Stoducto faleceu. E isto é uma grande perda para a Poesia. Ela era uma pessoa incrível. Um dia, quando me disse que estava triste, fiz um poema para ela. Adeus, querida, Eliane... Saludos. Maria José Limeira.

...........

 

QUATRO PAREDES

Maria José Limeira

 

(Para Eliane Stoducto)

 

 

No quarto, onde brilha a fantasia,

paredes guardam o cio e o ardor.

Na bruma, onde a noite prende o dia,

as redes tecem o frio e o clamor.

 

Na sala, onde a faca se perfila,

toalhas se estendem sobre a mesa.

Na falha, que se talha e se destila,

a vela se mantém com a luz acesa.

 

No átrio, onde o sol perde o prumo,

o largo estende a mão e tremelica.

Na seca, quando o fruto não tem sumo,

o álcool sai da terra e alambica.

 

Ao longo, onde o mar se faz sereia,

a linha do horizonte é mais-valia.

No céu, em toda nuvem há lua cheia.

Na dor, escuridão que arrepia.

 

http://marialimeira.zip.net

http://cristalpoesia.net/      



Escrito por marialimeira às 23h55
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Tradução

PARA QUÊ?

José María Pallaoro

 

(Tradução: Maria José Limeira)

 

para que dormir

se nos sonhos

 

o céu é céu

a terra é terra

 

e nós dois

somos pássaros

 

que se cruzam

e não se reconhecem?

...........

 

 

PARA QUÉ

José María Pallaoro

 

para qué dormir

si en sueños

 

el cielo es el cielo

la tierra es la tierra

 

y nosotros

dos pájaros

 

que se cruzan

y no se reconocen

 

De: Son dos los que danzan,

Libros de la talita dorada, 2005

(Argentina)

 



Escrito por marialimeira às 22h45
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STAND ART

Francisco Coimbra

 

Levanto a cabeça pró céu,

imagino a Lua, declamo:

 

Ó Lua que vais tão alta

redonda comum tamanco,

Maria trás cá um banco...

que me está a fazer falta!

Aceno, com braços e mãos

pedindo, aplausos à malta!!

 

Mas, se a imaginação não

falta, trans_bordou o real!!!



Escrito por marialimeira às 20h07
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BOA-NOITE, COMPADRE FRANCISCO!

Maria José Limeira

 

(Para Francisco Coimbra)

 

Ó meu compadre Francisco, 

de Coimbra, tão distante.

Puxe a cadeira, se sente,

que essa lua não tem risco.

É lua meiga, decente.

 

Se você quer ser amante,

mande beijo apaixonado

para seu amor errante

que aqui vive a cantar fado

enluarado,

sem poder seguir adiante.

 

Mas, se seu cantar é de amigo,

diga muitas/poucas e boas.

Pois seu sofrer é castigo

por viver rimando em loas,

mergulhado em cantorias

para tantas Marias...

 

Compadre Francisco, ouça!

O rio canta pra nós.

Vá em frente, siga a reta.

Não tente quebrar a louça.

Se você continuar vendo

duas luas e dois sóis,

pare, olhe, escute:

(Pois, pois!)

você é  grande poeta

e elefante é mamute!

 

Ó meu compadre Francisco!

Desculpe-me o atrapalho.

Se nas letras me embaralho, 

é que só sei fazer trisco...

 



Escrito por marialimeira às 20h05
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ALMA DAS BORBOLETAS

Rosangela_Aliberti

 

Outono-inverno...

Pouco importa a queda das folhas

Visto-me de Primavera

 

 

São Paulo, 29.III.07

www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br

 

...........

 

FALSO BRILHANTE

Maria José Limeira

 

Mas o que é que estou fazendo

no meio de tantas flores,

se meu nome é Crisálida

e não Rosa?

 

João Pessoa-PB

01.04.2007



Escrito por marialimeira às 22h32
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