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ARRIMO
Maria José Limeira
cresço em maré / quando mergulhas em mim...
Carlos Luanda, in: “O Mar”
Quando vens mar,
rio.
Quando vens córrego,
sigo.
Se és regato,
canto.
Quando és Atlântico
- ó força espantosa
que escora meu cio,
meus anseios,
orgasmos
e desvarios -
“cresço em maré
quando mergulhas
em mim”.
Escrito por marialimeira às 22h04
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Nem todo sorriso é amargo
Quando o carteiro bate na porta
Não respondo
Quando a policia bate na porta
Saio pelos fundos
Quando o vento bate na porta
Fico em silêncio
Quando Deus bate na porta
Digo que não estou
Quando você bate na porta
Abro a janela e canto
carlos assis
...........
TODA LÁGRIMA AMARGA
Maria José Limeira
Bateram à minha porta
ao meio-dia.
Era o carteiro, mas não abri.
Estava chorosa com a perda
desse amor.
Bateram à minha porta
às duas horas da tarde.
Não abri.
Estava fazendo a sesta.
Bateram à minha porta
de madrugada.
Resolvi atender.
Pensava que fosse a lua.
Era a polícia.
Nisto se resume
a minha história
de ex-presa política.
Escrito por marialimeira às 00h20
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NOCTURNO EM SETEMBRO
Hoje a lua nasce muito mais tarde Nesta tristeza que trago comigo Rompe farrapos do céu sem estrelas Prata que não tange os sinos da aldeia
Dormem os poetas da minha rua E os cães ladram sem saber porquê Enquanto mais além é o silêncio Que governa o tempo e o espaço
E eu observador intemporal Prisioneiro de minhas verdades Deitei-me logo a adivinhar
Se mais tarde quando o sol nascer A lua lhe vai dizer em segredo A solidão que passou esta noite
joaquim evónio 10 set 06
Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias www.joaquimevonio.com
Escrito por marialimeira às 00h25
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AMA, ANA MARIA, AMA!
Maria José Limeira
Para a amiga e poetisa Ana Maria Costa
As asas do pássaro piam.
As borboletas cantam.
As águas do rio voam.
O mar é rugido à parte.
As pedras falam mais alto
que comadres futriqueiras.
O fogo proclama vozes.
A terra não se acomoda
às duras leis da Estática.
Oh! Musas!
Ah! Musos!
Só existe neste mundo
de naturezas vivas
(ou mortas)
uma pessoa que ama
(com paixão e alegria).
O nome dela é Costa,
também conhecida
como Ana Maria...
Escrito por marialimeira às 13h44
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EU-FEMISMOS
Maria José Limeira
Quando você estiver zangado,
não diga “merda”,
diga “excremento”.
Se alguém pisar nos seus calos,
não conte dois,
conte dez.
Mas, se nem assim resolver
seu estado de fúria,
então grite bem alto:
Puta-Que-Pariu!
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DIS-FEMISMOS
Maria José Limeira
Nos badulaques e salamaleques,
podem conviver
palavrões e palavrinhos,
na mesma rede de arrasto,
onde ponteia a viola enluarada
lado a lado
com as balas perdidas
da madrugada.
Escrito por marialimeira às 21h13
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Átimo
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por um instante falhou no peito meu coração
milhares de células gritaram atordoadas
mas a sombra se foi deixando para trás
um rastro melancólico de insegurança e dor
.
.
Leonor Cordeiro
http://leonorcordeiro.blogspot.com/
Escrito por marialimeira às 00h40
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VOLTA... VOLTA.
Maria José Limeira
(Ao amigo Francisco Coimbra)
Se um dia fores embora,
ouvirás de mim:
Volta... Volta.
Não me faz sofrer
assim.
Escrito por marialimeira às 00h23
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PRA CIMA / PRA BAIXO
Maria José Limeira
Coração de homem
sangra por cima.
Coração de mulher
singra por baixo.
No dia seguinte,
há uma mancha de sangue
no colchão.
Quem foi?
Quem foi?
Quem foi?
Escrito por marialimeira às 23h52
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CAPITULAÇÃO
Maria José Limeira
Há flores no armistício,
gritos de vitória.
Na capitulação,
quem conta a história
é o vencedor.
Não há nenhuma glória
na dor.
Escrito por marialimeira às 23h13
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ENTRE O MAR E AS TREVAS
Maria José Limeira
Quando olhei
para o horizonte,
no fragor da borrasca,
vi que o mundo perdera
sua luz.
E nem túnel mais havia!
Escrito por marialimeira às 23h12
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A OUTRA FACE
Maria José Limeira
Quando a gente recebe
um tapa na cara,
o outro lado da face
também dói.
Escrito por marialimeira às 20h34
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DESISTÊNCIA
Maria José Limeira
Dentro de mim,
há um soldado
doente e cansado,
que se recusa a enfrentar
outras batalhas.
Escrito por marialimeira às 18h09
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Um blog interessante, onde os poetas esquecidos são relembrados:
Xavier Zarco http://www.euxz.blogspot.com ...........
Saludos! Maria José Limeira
Escrito por marialimeira às 20h23
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