Paraíba capital Parahyba
A História escrita se constrói a partir das interpretações dos fatos. Já os fatos políticos são construídos por homens e mulheres em um contexto onde sempre estiveram e estarão colocadas as correlações de forças antagônicas entre os que detêm o poder e o outro lado do poder (o povo, os oprimidos, os pobres, as minorias).
Há bem pouco tempo atrás a subjetividade dos historiadores não era levada em consideração, como se a estes fosse dado a capacidade, ou a missão de reproduzir os fatos tais quais acontecem, sem ali incluir nenhum juízo de valor, ou até mesmo em alguns casos algum interesse pessoal. Felizmente nos dias de hoje, já se tem a consciência de que o “que está escrito” pode e deve ser contestado à luz dos próprios fatos, e mais ainda, que a História pode e deve ser contada por aqueles que não estiveram do lado do Poder.
No caso da História da Paraíba não foi diferente. Particularmente, no caso da nossa capital a História ficou registrada pelos que defendiam o Poder. Uma História que passa por períodos de colonização e exploração, reflexo de um país inteiro, foi deixando marcado na cidade nomes que nada dizem de sua essência, mas que remetem sempre a homenagem a “heróis” ou “mitos” frutos dessa mesma História, e que foram introjetados no inconsciente coletivo.
Hoje, as vésperas do ano 2008, vivemos uma cidade que se chama João Pessoa. A História oficial contada por quem estava no Poder à época, ou por historiadores tendenciosos, mostra os bravos feitos de um homem que foi o presidente da nossa Província e que teria sido um herói, e da vontade de um povo que no ano de 1930, após o assassinato do mesmo, decide que a cidade passe a ter o seu nome gravado como homenagem eterna. E mais, que a nossa bandeira (que era verde, branca, amarela e azul) seja substituída por esta que há 77 anos representa o nosso estado, com o preto do luto, o vermelho do sangue derramado (há ainda a versão de ser o vermelho da Aliança Liberal) e o Nego (referência a uma suposta atitude de bravura do presidente em negar apoio à candidatura de Julio Prestes à Presidência da República).
A História vivida e relatada conta que a verdade é bem outra. Desmistifica os fatos até então tidos como incontestáveis. Faz cair a
s cortinas de uma História de atos heróicos, e mostra um período de miséria, manipulação das massas, autoritarismo, violência, derramamento de sangue, perseguições, arbitrariedade e fanatismo.
Vivemos um novo tempo, onde homens e mulheres sujeitos de sua História, com a oportunidade de informação e maior capacidade de luta pelos direitos fundamentais do ser humano, podem livremente perguntar: ”Por que há 77 anos vivemos de luto pela morte de João Pessoa?!”.
É essa nossa principal questão, que nos provoca como homens e mulheres conscientes a requerer uma revisão da nossa História, a trabalhar para dar oportunidade à população desta cidade de conhecer a verdade e poder decidir através de plebiscito o nome da cidade que estamos hoje a construir com os pés firmes no presente e a visão do futuro.
Queremos o resgate do nome Parahyba e estamos lutando por esta causa unidos e organizados em um Movimento. A nossa causa maior não é apenas uma questão de nomenclatura, mas sim a defesa da nossa consciência, da nossa dignidade, da nossa liberdade de expressão e de escolha, em defesa do resgate da nossa identidade e consequentemente de nossa autoestima.
Valeska Asfora
Movimento Paraíba capital Parahyba
Divulgação do Gabinete do Vereador Fuba:
gabinetecultural@yahoo.com.br
Escrito por marialimeira às 01h05
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