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SALA DE ESPERA
Maria José Limeira
Na revista “Caras” do ano 2000,
uma notícia de luz e paz se destaca
entre fotos de guerra.
Hoje em dia, nem isso.
No século passado,
as salas de espera
de exames clínicos
laboratoriais
eram muito mais seguras,
e melhores os resultados.
Escrito por marialimeira às 21h35
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A CASA DOS SALGUEIROS
Angeles Dalúa
(Tradução Manuel Rodrigues)
Aqui houve uma casa, um pulsar,
aqui uma menina de lábios agridoces
jogou com os sonhos e as lágrimas.
Aqui se deslumbrou o brilho agreste
de um touro de fogo como um signo.
Aqui se viram crescer lentos os salgueiros,
a árvore que conhece intensamente
a magia da água e a tristeza.
Aqui, nesta praça de prodígios
a lua era o princípio do sangue
e hoje não há mais casa, não há mais sonhos,
só os olhos húmidos de estrelas.
............
LA CASA DE LOS SAUCES
Aquí estuvo tu casa, tu latido,
aquí una niña de labios agridulces
jugó con los sueños y las lágrimas.
Aquí te deslumbró el brillo agreste
de un toro de fuego cmo un signo.
Aquí viste crecer lentos los sauces,
el árbol que conoce intensamente
la magia del agua y la tristeza.
Aquí, en esta plaza de prodigios
la luna era el principio de la sangre
y hoy ya no hay casa, ya no hay sueños,
sólo los ojos húmedos de estrellas.
Angeles Dalúa
Escrito por marialimeira às 21h34
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Em Português
HOMENAGEM A UMA POETA AMIGA
Maria Eugenia Caseiro
(Tradução: Maria José Limeira)
Ao grande ser humano que é a Senhora Maria José
Limeira
Homenagem a uma Poeta amiga.
A Maria José Limeira com afeto
Conheço uma mulher-centelha
que atravessa as paredes com sua alma,
deixa rastros leves de folha verde
revoluciona o Universo em cada passo
Em ritmo de vulcão e mananciais
destila os tesouros encontrados
para fazer-nos beber de sua abundância.
Mulher multiplicada em si mesma
que tanto pode surgir em uma folha
como no canto adormecido de uma palma,
ou no puro amor da cigarra
ou nas escamas de um peixe
e, quem sabe, na plumagem das pombas.
É uma mulher alegre
vestida de furacão e de caminhos,
com rosto de humildade
e belos sonhos
de amanheceres deslumbrantes
de pães distribuídos.
Seu sorriso tem arpejos de cometa
de crisálida, de raios e ventos.
Seu encanto reside em seu valor
de amiga e sentinela fiel
do desvelo que a confirma em seu tempo.
Escrito por marialimeira às 20h25
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Em Espanhol:
Al gran ser humano que es la señora Maria José
Limeira
Homenaje a una poeta amiga.
A Maria José Limeira con afecto
Conozco una mujer centella
que atraviesa las paredes con su alma
camina con pisada de hoja verde
revuelve el universo en cada paso
a ritmo de volcán, de manantiales
destila los tesoros encontrados
para hacernos beber de sus acopios
mujer multiplicada en si misma
que puede aparecer en una hoja
en el canto adormecido de una palma
en limpio amor de la cigarra
en las escamas de un pez
o en las plumas de palomas
es una mujer alegre
vestida de huracán y de caminos
con rostro de humildad y bellos sueños
de amaneceres claros
de pan bien repartido
su risa tiene arpegios de cometa
de crisálida, de tomeguines, de vientos
su encanto estriba en el valor
de amiga y centinela fiel,
del desvelo que la acredita en su tiempo.
Maria Eugenia Caseiro© Julio/2/04
Escrito por marialimeira às 20h22
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ESPAÇO PESSOAL
I
em privado chamarei ao espaço pessoal
aqui te dizendo ser diferente o eco
entre uma leitura e outra
essa será só tua e tu serás só minha
na ficção da realidade de ler
cada verso como uma descoberta actual
...........
II
actual actua até se tornar atual e atua?
deixemos o tempo passar e haver
até as reformas ortográficas
onde as palavras mudam se contudo
a pronúncia deixar de ser a tua
atual leitora lendo o português a atuar
..........
III
com a percepção exacta de que muita
coisa muda com as mudanças
mas o ritmo vive dança
onde ela fica tempo indeterminado
do presente até ao passado
deixando o futuro passar ao pretérito
(Assim)
Escrito por marialimeira às 21h42
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ESPAÇO PÚBLICO
Maria José Limeira
I
Clamarei aos quatro ventos.
Chamarei aos gritos.
Abrirei portas aos pares.
Inalarei os ares.
O que tem de ser será nosso.
Eu & Você!
..........
II
Nosso cisma, nosso tempo.
Nossa cisma, nossa pena.
Nossa rima, contratempo.
Nossa Poesia serena.
..........
III
O passado pula pra hoje.
O futuro a deus pertence.
O mar uiva à meia-noite.
O ontem, cena teatral.
O hoje, drama circense.
Escrito por marialimeira às 21h40
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canto breve
I
canto breve
nem um lamento
me serve para o verso
sou o oco dum soco
o soco sem soco
a c_alma…
..........
II
o meu canto breve
ao atingir alguém
seria doloroso
sentido o sentido
no significado
de pura indiferença
..........
III
«a calma
é um estado
de espírito superior»
iguala
o pensamento
até dele transcender
(Assim)
P.S. “Assim” é o heterônimo do Poeta Lindo Francisco Coimbra.
Escrito por marialimeira às 21h36
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CANTO LEVE
Maria José Limeira
I
O vôo de ultra-leve
é como alçar do pássaro
para além da montanha,
sem rede de proteção.
..........
II
O meu canto leve
não incomoda ninguém.
Não pisa.
Não dói.
É breve, ligeiro,
como a passagem do trem.
..........
III
A música sacia a alma.
O verso é canto-chão.
Sexo na cama acalma.
Bem-haja, meu coração!
Escrito por marialimeira às 21h33
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ENCERRAMENTO DE NOSSA OFICINA LITERÁRIA
Comunicado
Comunicamos a todos os associados de nossa Oficina Literária que, a partir desta data, 26 de Maio de 2008, encerramos as atividades desta linda lista, após 6 anos de atuação de um trabalho produtivo e intenso que fez escola na Internet.
O motivo de nossa decisão é que precisamos dar continuidade à nossa obra literária. Pois estamos com 3 livros inéditos para os quais vamos batalhar publicação. Havíamos abandonado nossos projetos para dar atenção a este espaço enquanto ele teve sentido.
Outrossim, lembramos que nossa decisão é irrevogável.
Os amigos cadastrados em nossa linda lista não precisam se preocupar em se desligar pelo unsubscribe. Serão excluídos pela Moderação através das ferramentas do egroups, sem mais delongas.
Sentiremos saudades de todos vocês.
Obrigada a todos por aceitarem nossos desafios.
Saludos.
Maria José Limeira
Proprietária e Moderadora da Oficina Literária
Escrito por marialimeira às 05h25
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O PIOR JÁ PASSOU
Maria José Limeira
O pior do adeus
é quando a gente fecha
portas, janelas
e perscruta o escuro
do quarto,
batendo a cabeça
nas paredes,
com medo de morrer...
...........
PARTILHA
Maria José Limeira
Agora que chegou a hora
da separação,
leve suas cuecas,
seu bicho de estimação,
seus livros,
seus poemas de quinta categoria.
Leve também seu umbigo.
Deixe minhas calcinhas sujas
em cima da cama.
Antes de sair,
acenda a luz.
Eu detesto
chorar no escuro.
...........
RESSACA
Maria José Limeira
Depois que você se despediu,
contei as moedas que restavam
em minha bolsa.
Não eram suficientes
para a comemoração
no bar da esquina
.............
TRAMBOLHO
Maria José Limeira
Tem gente
que ainda que fique de pé
plantado num canto da casa,
sem dizer nada,
mesmo assim incomoda.
..........
TRAIÇÃO
Maria José Limeira
O pior adeus
é aquele que vem
como faca enterrada
no meio das costas...
Escrito por marialimeira às 03h35
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PESARES
Maria José Limeira
Se não fosse a separação.
Se não fosse o adeus,
não sabemos o que seria
da saudade...
...........
ARQUITETURA DE SONHOS
Maria José Limeira
Construímos castelos
de areia
onde a maré cheia
vai morar...
...........
PESADELO DIÁRIO
Maria José Limeira
Quem projeta futuro
pisando em cima de cadáveres
anda cercado por seguranças armados,
em carro blindado.
Usa colete à prova de balas.
Escrito por marialimeira às 03h30
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BARATINHAS
Maria José Limeira
Baratinhas quando nascem,
ouvem logo a voz da mãe,
num solene aviso:
- Filhas! Cuidado com os tigrões!
Escrito por marialimeira às 01h17
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MINHOCAS
Maria José Limeira
Rebolando em ritmo de valsa,
(um-dois-três, um-dois-três),
há que ter muito cuidado
com a vora-cidade (vera-cidade)
das galinhas.
Afinal de contas,
pintassilgos moram em florestas,
ao ar livre,
e não na exi-guidade de prédios
de ap(e)artamentos.
Escrito por marialimeira às 01h16
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PÂNICO
Maria José Limeira
Nardonis.
Rugais.
Suzanes.
Irmãos Cravinhos.
Fernandinhos Beira-Mar.
Arre!
Depois que Drácula sumiu,
este mundo inteiro virou circo
de horrores.
Escrito por marialimeira às 01h14
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Isabella
Dalva Agne Lynch
Arrancaram minha menina Suzi de meus braços, e a levaram embora. Nunca mais a vi. Isto faz vinte e três anos, e ainda não aprendi a viver com esse vazio nos meus braços.
Há um mês atrás, outra vez senti esta dor de braços vazios. Na tela da TV, eu te vi sozinha, caída no chão, sem que ninguém se lançasse sobre ti em desespero, e abraçasse tua solidão.
Onde estava o pai que adoravas, filhinha? Sentado ao teu lado, pensando apenas em preservar provas de sua suposta inocência. Onde estava a mulher que consideravas como uma segunda mamãe? Esbravejando sua inocência, sem nem te lançar um olhar.
Nenhum dos dois te abraçou o corpo ferido, filhinha. E quando afinal tua mamãe chegou, não a deixaram te abraçar, para que evidências não desaparecessem.
Ah, filhinha, o que sentiste, em tua solidão? O que pensaste na tua dor? Por acaso clamaste a algum deus?
Mas ninguém te ouviria se clamasses. O Eterno nos deu mamães e papais para que eles fossem Sua segura proteção, mas teu papai estava ocupado demais pensando em si mesmo para te abraçar. E tua mamãe foi afastada pelos que tentavam te trazer de volta à vida.
E assim morreste só, filhinha. Sem braços que te acolhessem.
E meus braços, dos quais minha própria filhinha foi arrancada há tantos anos atrás pelos monstros que a sequestraram, doeram por não poder te acalantar.
E agora, Isabella, quando vês, de onde estás, os que te lançaram pela janela chorando apenas por si mesmos, pensando apenas em como escapar das penas inevitáveis - o que pensas?
Acho que sei o que pensas, porque a mim também fizeram o inimaginável. Pensas que seria um conforto se houvesse arrependimento. Se as mãos que te esganaram e te jogaram sentissem, nem que fosse por um pouco, a terrível dor da responsabilidade.
Mas isto é apenas sonho, filhinha.
O que me consola, o que deve consolar tua mamãe, e todas as mamães do mundo, é saber que os Jardins Sagrados estão abertos a todos os inocentes - e que lá, não importa quando, vamos reencontrar todos os nossos filhinhos perdidos.
Fonte:
http://www.dalvalynch.net/blog.php?idb=11919
Escrito por marialimeira às 01h45
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Ciranda - Geraldes/Limeira
Lágrimas; onde estais?
Não sabia aonde havia de por as lágrimas
que me caíam pela cara abaixo.
Deitei-as para detrás das costas.
O meu poço estava cheio.
sempre gostei mais do verde
do que do azul
mas azul
é minha alma.
Gostaria de te ver chorar
tenho muita sede...
Escrever desta maneira é fácil
a questão é que ficamos
com o coração mais pequenino
Geraldes de Carvalho
..........
O verde para mim
é somente uma demanda
estética.
O que interessa mesmo
é a veemência das lágrimas
(Maria José Limeira).
Escrito por marialimeira às 20h51
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
Meu coração se cala
para ouvir o teu
Me ponho a meditar
e encontro-te
Pareço belo
porque me vejo pelos teus olhos
Fica comigo
deixa ir meu pensamento
Não fiques comigo
fica em mim
quando penso demais
perco-te
Não olhes para mim
tenho a alma despida
Geraldes de Carvalho
...........
Não ignores meu grito.
Se queres mesmo ficar comigo,
ouve-me.
Não tem nada pior
do que falar com as paredes,
estando contigo,
essa forma mais rara
de solidão.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 20h48
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
Contigo nunca estou só
mesmo que fiques calada.
Também gosto que me ouçam
quando digo tontarias
Os teus lábios são de mel
que eu gosto de lamber
Mel também sai dos teus olhos
e é por isso que estou perto
Perto de ti me derreto
depois em ti me converto
Já não escrevo mais nada
porque isto nunca acabava
(Geraldes de Carvalho)
Escrito por marialimeira às 20h46
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
Quem tem os lábios de mel
seria a índia Iracema.
Quem brinca de carrossel
é garota de Ipanema.
Quanto a mim, sou só poeta,
sem nada que diga é meu.
Sem rumo e nenhuma meta,
perdi chama, estou no breu.
Um tanto de mel é bom.
Um pouco de amor, melhor.
Quem canta fora do tom
perde dó-ré-mi-fá-sol...
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 20h44
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
Se tu fosses como eu sou
e eu fosse como tu és
ficava o mundo virado
da cabeça para os pés
no breu não queiras estar
salvo se bem agarrada,,,
quem se agarra a boa boca
fica com a boca fechada
falo tanto, falo tanto
e depois não digo nada
melhor, mas não sou capaz,
ficar de cara virada
porque tu estás aí...
(Geraldes de Carvalho)
Escrito por marialimeira às 20h42
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
Quem está junto de mim
segura nas minhas coxas.
Não quer que eu sofra assim,
nem quer ver minhas unhas roxas.
Quando mundo se trans-vira,
a cabeça vai pra baixo.
Sexo se transforma em pira.
Fico tonta, não me acho.
Quem está aí me chama.
Quem está aqui rebate.
Amor só presta na cama.
Em seguida, vem chá-mate.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 20h40
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Ciranda - Geraldes/Limeira- Cont.
Quando era mais menino
eu também pensava assim
agora só muito tino
mantém a cabeça em cima
minha menina
não quero ficar maluco
por isso não me endoudeças
se eu fico doudo nem sei
o que farei
-nada é certo...
bom é que estejas distante
podemos ir adiante
sem que vejas minha idade
posso armar heroicidade
e mostrar que sou esperto...
(Geraldes de Carvalho)
Escrito por marialimeira às 20h38
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Se teus tempos de menino
já se vão pra lá de antanho,
resta saber se o pepino
inda é de bom tamanho.
Caso ele esteja pra cima,
não te preocupes com idade.
Se teu verso inda tem rima,
não fiques só na saudade.
Muito longe é estar perto.
Muito perto é nem tanto.
É melhor pegar o certo
do que ficar nu sem canto.
Não olhes própria barriga.
Não vejas rugas no rio.
Manda beijo pra amiga
que se exaspera no cio.
Um beijo é bom e eu gosto.
Dois beijos constroem mundo.
Com três beijos eu me tosto.
Com quatro beijos des-bundo.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 20h36
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
Tamanho não sei se tem
mas ainda se levanta
se o tratam muito bem
Nem pareço eu a falar
será que isto da idade
me deu para variar
devia falar da lua
mas agora a esta hora
ela não anda na rua
talvez fazer um haicai
mas aqui em Portugal
acho que parece mal
uma quadrinha é melhor
apenas com três versinhos
e o quarto virá depois
ora depois, sim senhor
(geraldes de carvalho)
Escrito por marialimeira às 20h35
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
Quarto tem que vir primeiro,
com uma cama redonda.
Os versos por derradeiro,
para a musa Gioconda.
Cuida que lua não falhe.
Que sol não perca fulgor.
A pior coisa é encalhe.
Melhor mesmo é o amor.
Sexo ainda continua,
mesmo em idade avançada.
Carne boa é carne crua,
Mas melhor mesmo é assada.
Pode ficar sossegado,
que seu verso me encanta.
Você será bem tratado,
logo o ânimo se levanta.
E quando bem levantado,
haja festa e foguetão.
Mas tem que se ter cuidado
pra não explodir coração.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 20h33
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
Meu coração está guardado
em paninhos de cetim
vê lá tem muito cuidado
Se tu amas os meus versos
como eu gosto dos teus
ai Jesus, valha-me deus...
Carne agora não me agrada
de peixe é que eu gosto mais
e um peixão, como sem nada
a acompanhar.
Lua não há-de faltar
sol tenho também de sobra
o pior é se ele dobra...
A Gioconda não quero
tem um sorriso matreiro
mesmo com cama redonda.
(Geraldes de Carvalho)
Escrito por marialimeira às 20h31
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
Gioconda é mera musa,
simples modo de dizer.
Toda portuguesa é lusa.
Tudo que eu quero é você.
Quem fica sob lençóis
de algodão ou cetim
em vez de “tu” fala “vós”,
e não quer saber de mim.
Desnude seu corpo inteiro.
Diga logo a que veio.
Apague o candeeiro.
Encante sem fazer feio.
No escuro, a voz se solta,
emite bonito acorde.
O sussurro vai e volta.
Língua lambe, dente morde...
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 20h30
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Cont.
O Denilson que está perto
fala de longe, o maroto
bem gostaria de vê-lo
neste aperto...
Falas tu na Gioconda
como se fosse menina
mas eu sei que o Leonardo
já lhe arrimava em cima.
Isto são só brincadeiras
que o homem morreu há muito
e a senhora também.
Deixaram-me é sem maneiras.
E como falas na noite
no escuro e mais... enfim
eu que sou muito educado
só posso ficar calado
embora deliciado
assim...assim.
(Geraldes de Carvalho)
Escrito por marialimeira às 20h28
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Ciranda - Geraldes/Limeira - Final
Quem cala é quem mais consente.
Quem não diz nada concorda.
O corpo é parte da mente.
O que não faz mal engorda.
No escuro gato é pardo.
No claro só há defeito.
Todo trovador é bardo.
Há dor que não tem mais jeito.
Toda brincadeira é ludo.
Quem ri talvez se confesse.
Do amor queremos tudo.
Pois a dor não nos merece.
Portugal cultiva o vira.
Brasil tem samba e dendê.
O mundo gira que gira
no encontro eu-e-você.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 20h26
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Hay desilusiones que matan.
(Juan Gelman)
http://www.pagina12.com.ar/diario/contratapa/13-102575-2008-04-17.html
Escrito por marialimeira às 02h43
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"Eu joguei Isabella pela janela."
Rio de Janeiro 31 março 2008
Desculpe o impacto do assunto, mas me sinto assim!!! Eu joguei Isabella pela janela cada vez que ouvi discussões de um casal e fiz de conta que não ouvia nada!!! Eu joguei Isabella pela janela cada vez que percebi que as discussões pareciam agressões e nada fiz para parar isto!!!
Eu joguei Isabella pela janela quando ouvi uma criança apanhar e nada fiz!!!
Eu joguei Isabella pela janela quando vi uma criança ser humilhada publicamente menosprezada e desvalorizada e dei aos pais o direito de diminuí-la simplesmente para eu não me incomodar!!!
Eu joguei Isabella pela janela quando vi uma criança pedir socorro e simplesmente nenhuma ajuda lhe ofereci!!!
Eu joguei Isabella pela janela e jogo todos os dias seja em sinaleiros ou shoppings filhas das mais diversas classes sociais!!!
Eu a vi ser explorada no trabalho e nada fiz eu a vi ter que pedir esmola e nada disse. Eu a vi ser agredida em um shopping e fiz de conta que não vi!!!
Isabella, eu a joguei pela janela estou criticando a quem por minha omissão?!?!?!
Só agora percebi o que podia e devia ter feito e não fiz!!!
Isabellasssssss, perdão!!!
Sandra Silveira
Fonte:
http://www.observatoriodacrianca.com.br/article.php3?id_article=395
Escrito por marialimeira às 23h50
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_acasos_
(para além_mar, com saudades de José Félix )
vezes raras
meus dias esbarram na felicidade
como se em milagre de fé
sereno esta fome de pedra:
_ eterna!
nanamerij
Escrito por marialimeira às 23h47
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Visitem o blog da nanamerij:
http://palavrasdoventre.blogspot.com/
Consegui localizá-la após cinco anos de buscas.
Saludos.
Maria José Limeira.
Escrito por marialimeira às 23h06
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Em Espanhol
EL TREN
Por un instante pensé que estaba soñando. La bocina de la locomotora era algo muy arcaico en un país donde ahora no hay trenes. Pero allí estaba. En mis oídos, en la noche, en la piel del recuerdo. Era mi abuelo, mi tío, un séquito de fantasmas que convivían en mí y, sin embargo, había olvidado. Casi fue un segundo, pero tan intenso como para percibir esos olores de la infancia (yerbabuena y brea, dulce árabe y pastelitos de hojaldre) que todavía guardo con la sutil esperanza del Tiempo en reversa, de mi madre joven, de las hojas de parra haciendo arabescos de otoño y la voz suave de mi padre cuando me compraba una revista.
Ahora, lo que queda es el sordo pasar de la locomotora por un pueblo que ya no existe.
© Juan José Mestre
Escrito por marialimeira às 02h42
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Em Português
O TREM
© Juan José Mestre
(Tradução: Maria José Limeira)
Por um instante pensei que estava sonhando. O apito da locomotiva era algo muito antigo num país onde agora já não há mais trens. Porém ali estava. Em meus ouvidos, dentro da noite, na pele das recordações. Era meu avô, meu tio, um séqüito de fantasmas que conviviam em mim e, sem dúvida, eu os havia esquecido. Foi apenas quase um segundo, mas tão intenso, que deu para perceber esses odores da infância (bolinho de goma, doce árabe e pastelzinho empanado) que no entanto guardo na sutil esperança de que o tempo volte, tempo de minha mãe jovem, das folhas mortas fazendo arabescos de outono e a voz suave de meu pai quando me comprava uma revista.
Agora, o que resta é o surdo passar da locomotiva por um povoado que já não existe.
Escrito por marialimeira às 02h40
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MÁGOA
Maria José Limeira
Quando as chuvas chegaram,
a terra estava tão seca,
tão seca,
que o céu transbordou
eloqüência
em pequenos flocos brilhantes.
Quando as luzes se apagaram
amanheceu,
e logo era meio-dia,
duas,
três,
quatro,
cinco horas da tarde,
Então eu consegui compreender
quão profunda é a tristeza
para além do pôr-do-sol...
Escrito por marialimeira às 20h11
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ENFADO
Maria José Limeira
Havia um gosto de mel
em teu olhar.
Luares.
Mas a estação-inverno
alastrou-se em cinzas,
amorteceu os ares,
plantou ervas hirsutas
onde eram rosas.
Agora, entre nós,
só melindres.
Escrito por marialimeira às 20h10
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Em Espanhol
Es cierto
Tú no quieres creer.
No quieres aceptar que todo es cierto.
Que se puede querer como te quiero
sin pedir a cambio nada, nada.
No puedes creer que esto existe
sin razón alguna en un pasado.
No puedes...
¡Y es que es tan simple y complicado!
Yo siento quererte, no lo explico.
No busco razones ni el cielo
ni en lejanas estrellas
o universos profundos o infinitos
Yo te quiero y a partir de ahí...
Todo lo demás existe.
Guzmán Lavenant
Escrito por marialimeira às 20h07
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Em Português
CERTEZAS
Guzmán Lavenant
(Tradução: Maria José Limeira)
Não queres acreditar.
Não queres aceitar essa certeza.
Que se pode querer como te quero
sem pedir nada em troca, nada.
Não podes acreditar que isto existe
sem razão nenhuma num passado.
Não podes...
E eis que tudo é simples e complicado!
Sinto que te quero, não explico.
Não busco razão alguma no céu
nem nas distantes estrelas
ou em universos profundos ou infinitos.
Eu te desejo e a partir daí...
Tudo é possível.
Escrito por marialimeira às 20h05
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CISÃO / DECISÃO
Maria José Limeira/ Francisco Coimbra
Eu pensava / Sem pensar
que o mundo era amplo / faço-me ao mar.
e cabia toda gente. / Lá cabe toda a gente…
Que nada. / Vou à descoberta
Esse mundo é pequeno, / de novas verdades
maculado por divergências, / deixo-as transparentes;
mal-entendidos, / bem entendido
mesquinharias, / para isso conviria
fofocas, / nem sei o quê,
maledicências, / “querências”?
dissabores... / O mundo é feito de essências!...
Escrito por marialimeira às 00h04
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CISÃO
Maria José Limeira
Eu pensava
que o mundo era amplo
e cabia toda gente.
Que nada.
Esse mundo é pequeno,
maculado por divergências,
mal-entendidos,
mesquinharias,
fofocas,
maledicências,
dissabores...
Escrito por marialimeira às 04h07
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PALCO & PLATÉIA
Maria José Limeira
Na hora do adeus,
juntei cacos,
retalhos
e andrajos.
Acendi a luz.
Não gosto de chorar
no escuro.
Escrito por marialimeira às 03h07
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