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A DANÇA DA CHUVA TORRENCIAL
Maria José Limeira
Para Cyd Charisse, in memoriam
Daqui do meu canto, onde a seca prolonga os dias de agonia, e o cinema é somente a sétima diversão de quem não tem nada a ver,
eu te mando este recado, bela!
Foi na platéia do filme “Cantando na chuva”, entre águas escorridas e sapateados estendidos nas calçadas da fama, que eu soube:
A felicidade não é um bem de todos.
Mas, a gente pode roubá-la, no intervalo entre uma lágrima & outra.
Escrito por marialimeira às 23h26
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Meu blog foi selecionado entre os “blogs legais” da Uol, conforme comunicado que recebi:
Olá! Seu blog foi selecionado como um dos legais do UOL. Parabéns!
UOL Blog | indiqueumblog@uol.com.br | http://blog.uol.com.br | 18/06/2008 16:20
OBRIGADA À UOL PELA DISTINÇÃO
Saludos.
Maria José Limeira
Escrito por marialimeira às 19h46
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RELÂMPAGOS & TROVÕES
Maria José Limeira
1.
IN-COERÊNCIA
Se dizem que eu levo
vida de gado,
por que é que o boi engorda
no pasto
e aqui em casa eu emagreço
à base de xerém?
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 00h19
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2.
MEDIA-LUZ
Ontem,
era um gato de porcelana,
na meia luz do quarto,
ao som de um tango argentino.
Hoje,
já não posso mais
dormir à noite,
nem durante o dia.
O gato no telhado mia,
mia, mia...
(Maria José Limeira)
...........
3.
OFERENDA
Ofereço aos meu amigos
o que há de melhor em mim:
todas as flores
do meu jardim.
Aos meus inimigos,
oferto apenas uma palavra
que se escreve assim:
Não.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 00h17
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4.
CORDA DE ENFORCADO
O que ainda me mantém
desperta
é não saber
o que vai acontecer
no mundo
daqui a três dias.
(Maria José Limeira)
............
5.
As palavras amadureceram
a tal ponto que,
na próxima primavera,
florirão.
Os frutos hão de surgir
logo em seguida.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 00h14
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CANTA, PASSARINHO, CANTA!
Maria José Limeira
Canta, canta, passarinho.
Canta, pássaro cantador.
Canta verso em desalinho.
Ou canta seja o que for.
Canta fora da gaiola.
Canta amor & saudade.
Dedilha tua viola
pelas ruas da cidade.
Ainda que o amor doa,
é justo que cantes mais.
Quem mais canta mais entoa.
Quem não canta morre, jaz.
Quem cantou a vida inteira
tem os olhos marejados
de cantar canção ligeira
dos mares não-versejados.
Canta, passarinho triste,
a solidão mais atroz,
a dor maior que existe
na tortura do algoz.
E quando não mais houver
emoção pra se cantar,
canta o que der & vier
ou as noites de luar.
Escrito por marialimeira às 23h41
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MORCEGAIS ABRAÇOS
Maria José Limeira
(Para Joaquim Evónio)
Nos recantos da noite,
onde guardo meus possuídos,
a tristeza é tanta
que dou pulos de alegria
quando reencontro
uns morcegos feridos,
de asas quebradas,
que me dizem assim:
- Olááááá!!!
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SUICÍDIO RITUAL
Joaquim Evónio
(Para a Zezinha)
A Varanda é profunda
E abriga os morcegos
Que pela calada da noite
Lançam poemas no ar
E os apagam tão cedo
Suicídio ritual
Prò Sol não os apagar
Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias
www.joaquimevonio.com
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RESPIRAÇÃO BOCA-A-BOCA
Maria José Limeira
Quando estou quase morrendo,
labareda em fiasco,
vem um morcego correndo
e grita:
– Menina, não seja louca!
Tira o remédio do frasco
e me dá beijo na boca.
Escrito por marialimeira às 23h34
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Pequena Lamparina
(Mellíss)
Enquanto a chuva açoita a tarde branca,
vergando o arvoredo entristecido,
arrastando as sombras pela sala escura
e riscando a vidraça com seus pingos...
Enquanto os sonhos dormem pelos cantos
e a alegria se desfaz como fumaça,
eu acendo a lamparina no meu peito,
esperança que não verga, meu defeito!,
e repito com fervor que : tudo passa ...
Mellíss
06/-6/08 - 00:48h
http://www.meninadalua.com.br/
Escrito por marialimeira às 15h00
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Mais Parceria
NADO A ESCREVER
(Assim)
NADA A DIZER
Maria José Limeira
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I – OLHAR
é Domingo
tempo livre e Sol
vou ver o mar
procurar os versos
que me fazem
viver e ser o meu olhar!
(Assim)
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I – ESPREITAR
Observa-se que o sol,
em domingos displicentes,
ora é praia, ora chuva.
E, na tristeza, dilúvio.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 13h19
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Mais Parceria - Cont.
II – VER
aquela pedra
uma formação rochosa
saindo da água
as águas brincam
em redor
é belo partilhar a ilha!
(Assim)
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II – CRER
Em pleno meio-dia,
espia-se de longe
o que ao redor acontece.
Se for fantástico,
inverossímil,
extraordinário,
inexplicável,
singular,
excêntrico,
fora dos padrões,
anoitece.
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 13h15
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Mais Parceria - Final
III – OBSERVAR…
as pessoas ficam
deitadas na praia
sobre toalhas
outras andam
e nadam
eu nado a escrever!...
(Assim)
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III – MAREAR
As pessoas deitam-se
à beira-mar,
sobre sonhos
que não verão se realizar.
Quando o mar não está pra peixe,
a gente nada, nada, nada.
Não chega a nenhum lugar.
(Maria José Limeira)
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P.S. “Assim” é o heterônimo do Poeta Francisco Coimbra
Escrito por marialimeira às 13h13
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Assim & Limeira - Parceria
ESCREVER POUCO(S)
(Assim)
DIZER MUITO(S)
(Maria José Limeira)
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I – VERSO QUE SE SALVA
tento escrever poucos poemas
para não me ficar
pelo óbvio
a poesia é simples
e banaliza-se
até ficar um verso que se salva
(Assim)
...........
I – MEUS VERSOS DO FILME QUE O VENTO LEVOU...
Tento escrever muito.
Arrisco-me a dizer tudo.
Mas,
por mais que eu escreva,
por mais que eu diga,
o mundo fica mudo.
Será que eu sou
a única sobrevivente
do flagelo nuclear?
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 23h46
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Assim & Limeira - Cont.
II – PROCURANDO CANÇÃO
quando te leio a veia lateja
às vezes o tesão
é tanto
até aleija não te ter
à mão
escrevo procurando canção
(Assim)
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II – PROCURANDO CONFUSÃO
Quando estamos juntos,
fico feliz.
Quando você some,
passa dias & dias sem dar notícias,
desespero-me.
Mando os cavalos atrás,
milícias,
exércitos inteiros.
Quando nos reencontramos,
fazemos festa,
mergulhados em amplas taças
de vinho...
(Maria José Limeira)
Escrito por marialimeira às 23h44
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Assim & Limeira - Parceria - Cont. Final
III – ALIMENTO A PAIXÃO
o gozo goza comigo sentindo
um sentimento frágil
como cristal
sirvo o cálice
brindo
enquanto alimento a paixão!
(Assim)
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III – NOSSO AMOR MOVIDO A PÃO & VINHO
No gozo múltiplo,
a solidão se compartilha a dois,
dissemina-se a mil,
como no enigma
da multiplicação dos peixes.
(Maria José Limeira)
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P.S. “Assim” é o heterônimo do Poeta Francisco Coimbra.
Escrito por marialimeira às 23h41
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Quem quer que seja
que ponha as mãos sobre mim,
para me governar,
é um usurpador, um tirano.
Eu o declaro meu inimigo.
(Pierre-Joseph Proudhon)
Escrito por marialimeira às 00h31
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