Blog de marialimeira


FOLHETINS DO SILÊNCIO

Maria José Limeira

..........

 

SALTO MORTAL

Maria José Limeira

 

No silêncio da marcha

nos degraus da escada,

o topo é salto

no abismo.

 

João Pessoa, 28.05.2010



Escrito por marialimeira às 01h00
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CAMBALHOTAS

Maria José Limeira

 

Na quietude da noite,

onde o sombrio aparece,

estrelas cadentes

são cabriolas no céu

que se atiram ao mar.

 

João Pessoa, 28.05.2010

..........

 

FILOSOFIA DA ANGÚSTIA

Maria José Limeira

 

No vasto grito que a dor ejacula,

há um vazio calado,  

um segredo que se guarda,

um muro que ninguém derruba,

um olhar que não se explica,

uma chave sem porta,

e um pedido de misericórdia.

 

João Pessoa, 28.05.2010



Escrito por marialimeira às 00h58
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IN-COMUNICABILIDADE

Maria José Limeira

 

Silêncio:

a terra-náufraga,

tão larga  e rica,

jaz imersa no mutismo

de nós dois.

 

João Pessoa, 28.05.2010

..........

 

VAI EMBORA, TRISTEZA...

Maria José Limeira

 

Já que você chegou

sem aviso,

uma advertência oportuna:

eu não sou boa companhia.

 

João Pessoa, 28.05.2010



Escrito por marialimeira às 00h56
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PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

Maria José Limeira

 

Não entendo por que

tem gente que pergunta

sem querer ouvir resposta.

Deve ser por questão

de preferir conversar

consigo mesmo.

 

João Pessoa, 28.05.2010

..........

 

GLUB-GLUB-GLUB

Maria José Limeira

 

Jogar-se ao mar

para morrer

é dar o pulo-do-gato

na hora errada.

 

João Pessoa, 28.05.2010



Escrito por marialimeira às 00h53
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Se você é capaz de tremer de indignação

a cada vez que se comete uma injustiça no mundo,

então somos companheiros.

 

(Ernesto Che Guevara)



Escrito por marialimeira às 23h02
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Em Português

EM AGRADECIMENTO

Guzmàn Lavenant

 

(A Maria José Limeira)

 

De meu coração agradecido

quero saudar-te, companheira.

Alma de floresta, mar e rio.

Companheira que tocas o que é meu

e o enriqueces com o teu.

 

Belo idioma que te envolve, companheira.

Língua que sonha à beira-mar

numa suave relação de umidade 

que vincula a  água à areia.

 

Agradeço-te, companheira,

por dizeres ao teu modo,

com tuas palavras,

o que quero dizer-te nas letras

do meu idioma.

 

Companheira de alma grande

que, embora tão distante,

comoves meu coração. 

 

Tradução: Maria José Limeira



Escrito por marialimeira às 19h41
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Em Espanhol

Agradecerte

 

(A Marìa José Limeira)

 

Desde un corazón agradecido

quiero hablarte, compañera.

Alma de selva, mar y rio.

Compañera que tomas de lo mío

y lo enriqueces con lo tuyo.

 

Hermoso idioma que te envuelve compañera.

Idioma que suena a playa en esa suave

relación de humedad

que provoca el agua por la arena.

 

Agradecerte, compañera,

que has dicho en tus palabras

lo que yo quise decirte en las palabras

del idioma mío.

 

Compañera de corazón tan grande

que, desde lejos, toca al mío

 

Guzmàn Lavenant



Escrito por marialimeira às 19h37
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Recadinho para a Vereadora (e Censora) Eliza de Tal, da Câmara Municipal de João Pessoa:

 

Queridinha:

E o que será do meu conto "Gôzo múltiplo", que solta faíscas de orgasmos para todos os lados? Será que vai ser posto a queimar na fogueira pela chefe da Inquisição Bíblica da Câmara Municipal de João Pessoa, Eliza de Tal? E de onde vem essa bruxa censora, que eu nunca tinha ouvido falar dela? Vade retro, Satanás! Saludos. Maria José Limeira, escritora & jornalista, a favor da arte em todas as suas manifestações.

 

 



Escrito por marialimeira às 16h56
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POR QUE SOU CONTRA O PROJETO DA VEREADORA ELISA?

 

 

Neste primeiro parágrafo, apresento-me. Sou Dôra Limeira, viúva, 72 anos, tenho endereço certo, profissão definida. Sou uma cidadã. Nasci e me criei em Parahyba, cidade que alguns chamam de João Pessoa. Professora por formação e vocação, hoje aposentada, ensinei a meninos muito pequenos, a adolescentes e jovens, desde os níveis básicos até nível universitário. Além de professora, sou escritora, contista por excelência. Faço parte do Clube do Conto da Paraíba. Para meu orgulho e vaidade, toda a minha tribo tem envolvimento com a arte e a cultura nesta cidade e no estado. Quando falo minha tribo, refiro-me a todos os familiares, desde meus ancestrais sertanejos de Taperoá e de Mogeiro, até meus parentes mais próximos – filhos e netos.

- continua -



Escrito por marialimeira às 16h35
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Contra Eliza de Tal - continuação

Neste segundo parágrafo, quero demonstrar meu estranhamento em relação ao que ultimamente vem acontecendo no plenário e na tribuna da Câmara Municipal de minha cidade. Pelo canal TV Câmara, tenho acompanhado, passo a passo, as coisas que acontecem naquela casa legislativa. Observo os discursos dos vereadores, seus tons de voz, seus gestos e atos falhos. Tento ler, nas entrelinhas, o que está por trás de cada propositura, cada projeto, cada questão de ordem. De minha parte, não se trata apenas de curiosidade. É que, pelo desenrolar da movimentação parlamentar, vejo muitas coisas acontecendo, coisas e atitudes que podem influir na minha vida enquanto pessoa, enquanto escritora, enquanto matriarca de uma grande família. Algumas falas e alguns gestos de cada vereador podem alterar a rotação de meu universo, de minha comunidade.

- continua -



Escrito por marialimeira às 16h32
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Contra Eliza de Tal - continuação

Neste terceiro parágrafo, detenho-me em avaliar um pouco sobre a figura de uma vereadora religiosa que existe aqui na cidade. Por que me deter sobre tal figura? Trata-se da autora do projeto de lei em trâmite naquela casa legislativa municipal, projeto que restringe a atuação dos artistas plásticos. A tal vereadora se diz evangélica, mas tem cara de Nossa Senhora de Fátima. O fato de chamar pessoas e coisas no modo diminutivo já demonstra sua intenção de parecer piedosa, caridosa, carinhosa, amorosa. Por exemplo a tal vereadora não sabe dizer o filho, o animal, o idoso, a criança. Seus discursos estão eivados de diminutivos com o claro objetivo de fazer média, tirar partido e tentar convencer pelo emocional. “O filhinho”, “o animalzinho”, “o velhinho”, “a criancinha”, são expressões cotidianamente usadas pela vereadora, que, sem se dar conta, está usando expressões de livros de contos infantis já ultrapassados, às vezes enveredando por frases de efeito ou de auto ajuda.

- continua -



Escrito por marialimeira às 16h31
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Contra Eliza de Tal - continuação

Neste quarto parágrafo, tento comentar um pouco sobre o projeto da vereadora em relação à arte. Sua proposta é que se coloquem regras e limites às obras destinadas a ornamentar espaços públicos desta minha cidade. Não sei se por ignorância ou por má fé, a vereadora propõe que cada equipamento ornamental instalado ou a ser instalado em praças, ruas ou giradores seja submetido previamente ao julgamento da Câmara, que a Câmara seja consultada e que a Câmara decida sobre a qualidade ou necessidade desse equipamento de arte. Falando como escritora e como pessoa adulta e responsável, eu acho isso muito sério, muito grave. A proposta da vereadora se refere às esculturas que ultimamente têm ornamentado os giradores e praças da cidade. São trabalhos de escultores selecionados mediante edital, avaliados e julgados por uma comissão de artistas plásticos de indiscutível renome. Na sessão de ontem eu assisti quando um vereador aplaudiu o projeto da vereadora evangélica e foi mais adiante: de forma leviana, propôs plebiscito para que a população se pronuncie sobre o assunto. Segundo o tal vereador, um plebiscito deverá decidir sobre o destino das esculturas que estão plantadas nos giradores da cidade. “O povo deve decidir se as esculturas devem permanecer onde estão, se devem ser trocadas ou se devem até ser retiradas de uma vez”, foi o que disse o edil na sessão de ontem, na câmara municipal, num claro desrespeito aos artistas autores das esculturas. Esse tal vereador nem sequer se deu conta da inconstitucionalidade de sua intenção. Outra coisa que me deixou pasma quando assistia a sessão de ontem na Câmara foi quando, ao referir-se à Pedra do Reino na Lagoa, monumento em homenagem a Ariano Suassuna, a vereadora dos diminutivos disse que se trata de uma carranca enaltecedora da perversidade, disse que a carranca homenageia histórias sangrentas envolvendo suplícios e mortes de criancinhas. Eu quero entender que seja pura ignorância ou cultura de google dessa vereadora.

-continua -



Escrito por marialimeira às 16h29
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Contra Eliza de Tal - conclusão

Neste quinto e último parágrafo, eu, como escritora, faço uma reflexão. Posso imaginar o que seria de meus livros se, para publicá-los, eu tivesse que sujeitá-los a julgamentos de pessoas que não têm a mínima ligação profissional ou afetiva com a literatura. Se um dia meus escritos tiverem que passar por crivos de pessoas alheias à arte, como ficará minha dignidade enquanto escritora, enquanto pessoa, enquanto cidadã? Como ficará a literatura paraibana se um grupo de censores carimbar cada livro a ser editado com recursos do FMC? Estupefactos e humilhados, os escritores terão que assistir os censores dizendo publique-se este, não se publique aquele, esse livro é imoral, é anti-religioso, aquele outro é contra a família, contra Deus, contra a propriedade privada. Tomara que não, mas imaginemos que o projeto da vereadora evangélica seja aprovado. Se meus livros editados com recursos do FMC estiverem ferindo idiossincrasias dos censores da Câmara dos Vereadores, como ficarão? Eu serei obrigada a retirá-los de circulação? Serei obrigada a assistir os censores e seus comparsas, em festa, queimando meus escritoss no quintal da Câmara Municipal? Estarei sonhando ou estou mesmo na Idade Média?

 

Dôra Limeira

14/05/2010

 

http://doralimeira.blogspot.com/



Escrito por marialimeira às 16h27
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FOLHETINS PASSARINHEIROS

Maria José Limeira

 

(Para Clarinha & Dudinha & Florzinha)

 

Voa, meu beija-flor.

Vai dizer à dona rosa

que o cravo que ela gosta

está morrendo de amor.

 

A beleza das flores

atrai passarinhos,

abelhas,

arapuás,

e outros bichos

mais engraçados,

tontos

de tantos amores.

 

Passarinhos risonhos,

arautos da Natureza,

são adivinhos de Nossa Senhora

da Anunciação.

 

Pássaros tristonhos

são filhos do inverno.

Sem sol.

Sem sal.

Sem sonhos.

 

O pássaro que corta

o horizonte

na direção do infinito

é silêncio

e depois grito.

 

 

 

 

 



Escrito por marialimeira às 14h48
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 Pequenos poemas de amor

à chuva

E. Antonio Torres Glez & Maria José Limeira

 

 

Deleite

 

Corre a chuva

sob a ponte de pedra

quase em silêncio.   

 

Enquanto o horizonte

se junta com o rio.

 

(E. Antonio Torres Glez)

...........

 

 

Loa & lua

 

Enquanto a chuva escorre

sob a ponte

e recria seres

da terra  à lua,

meus olhos são escolhos

do amor

que o céu promete

e não cumpre.

 

Quando a lua se apaga,

o sol se esconde

– de um lado a outro do mundo.

Deve ser por isso

que as tais promessas de amor

não se realizam.

 

Ó vasto céu!

Triste chuva!

Dindinha lua...

Sonhar é

deleitar-se em cismas

e cumprir sinas.

 

(Maria José Limeira)

 

 

 



Escrito por marialimeira às 16h27
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