Blog de marialimeira


 

O AMOR DO REVERENDO

Um livro de Irene Dias Cavalcanti

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Enfim, terminei de ler o romance “O amor do reverendo”, de Irene Dias Cavalcanti, cujo tema gira em torno da paixão (erótica) entre a Mocinha  encantadora, graciosa, cheia de desejos, e o Padre (que devotara corpo e alma a Deus), cujo objetivo era tão somente manter vivos os ensinamentos de Cristo no que tangem a “amai-vos uns aos outros”.

À primeira vista, um romance erótico, do qual se espera cenas de sexo explícito, que aborda uma questão antiga, todavia contemporânea, e termina por revelar os liames de uma sociedade hipócrita, que idolatra a riqueza e despreza os pobres, que cultiva o status quo para manter o poder nas mãos das minorias em prejuízo das maiorias.

Não, não & não.

Não é uma literatura erótica simplesmente, como bem mereceria sê-lo, vindo de uma escritora paraibana que já havia tratado o erotismo com todas as letras em versos livres, em seus livros “Eu mulher, mulher”, e “Lirerótica” entre os anos 1970/80, sendo, portanto, desbravadora, com todos os riscos que o pioneirismo abraça.

É mais crítica social do que o deslumbramento da Moça e do Padre, com detalhes amorosos, às vezes audazes, às vezes ingênuos.

Faz os Bentos tremerem de indignação.

Leva os Santos a conhecerem as profundas dos infernos.

Abre os debates sobre Virgindade & Celibato.

Rasga a máscara da hipocrisia.

Expõe as feridas das corporações a olho nu, sem retoques.

Um livro e tanto! - É como digo desse romance “O amor do reverendo”, de Irene Dias Cavalcanti, que narra a história de Maria Luísa e Padre Abraão, numa união que parece impossível, num tempo em que o preconceito cercava a liberdade da mulher, e quando o padre, mais do que um humano, era reverenciado como se fosse deus, a serviço das classes dominantes.

A mulher que abjurasse de sua submissão aos todo-poderosos de seu círculo social era considerada “puta”.

O padre que optasse pelos pobres, contra o arbítrio dos que tudo podem, era chamado de “comunista”.

É nessa paisagem que a autora desenvolve sua fantasia de amor e ódio, onde não faltam cenas de puro embevecimento, com os gritos e os sussurros dos apaixonados, e onde abundam também escândalos de violência, com o vibrar de tiros de metralhadoras e o impacto de bofetadas.

Como eu dissera antes:

Não é um romance simplesmente erótico, como bem mereceria sê-lo.

É o drama de uma época.

 

 



Escrito por marialimeira às 11h24
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Nacos de Necas & Outras Histórias 

Por Claudio Parreira

 

 

1

Caminho em silêncio, guiado pela luz do cigarro.

Meus passos iluminam as coisas: um poste, a calçada, um gato.

A solidão que me acompanha reclama do frio.

Eu insisto que é verão.

Discutimos.

Mas não há quem nos separe.

 

2

O destino se intromete e transforma as coisas:

— o teu em nosso

— o nosso em meu

— o meu em vosso.

Aí eu pergunto:

— Posso?

 

3

Troquei o sorriso pela felicidade.

E a felicidade era tanta que eu precisei sorrir.

Mas já não havia como.

 

4

O passado volta e meia se faz presente:

— aparece no supermercado

— sorri com dentes antigos no metrô

— acena com a mão de um velho amigo

— surge cinzento bem no meio de uma tarde colorida

O futuro em nada se diferencia. A não ser, talvez, pelo ponto de vista.

 

5

A minha mãe vem da morte pra me visitar.

Diz que estou magro

que só engordo palavras

solitário demais neste mundo que se faz a dois

que sabe dos meus cigarros

e que lamenta as minhas garrafas.

Essa aí a minha mãe, que ocupa a sua morte com a minha vida.

 

Fonte:

http://o-bule.blogspot.com/2010/06/nacos-de-necas-outras-historias-02.html#comment-form



Escrito por marialimeira às 14h41
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Ficha Limpa entra em vigor esse ano.

Legal.

Mas cadê os políticos condenados!?

http://migre.me/NPy2



Escrito por marialimeira às 23h11
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09/06/2010

Deus envia à Paraíba uma prova de que ainda existe

 

A coisa aconteceu há seis dias, em Campina Grande (PB). Visitava a cidade, o presidenciável tucano José Serra.

Foi ciceroneado por aliados de reputação incontroversa. Gente como Efraim Morais (DEM) e Cássio Cunha Lima (PSDB).

Apeado do governo paraibano pelo TSE, que o condenou por malfeitos eleitorais, o tucano Cássio vai às urnas de 2010 como candidato ao Senado.

Aproveitou a pajelança organizada em torno de Serra para conceder uma entrevista a uma rádio local, a Campina FM 93,1.

Discorria sobre os festejos juninos. Súbito, um raio se abateu sobre a emissora. Vencido o susto, o locutor anunciou: “É o pipoco de São João!” Erro.

Era um sinal divino. A maneira que Deus encontrou para, provando que ainda existe, trovejar sobre a Paraíba uma manifestação de incômodo.

 

Josias de Souza

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/

 



Escrito por marialimeira às 20h37
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Jornal O Estado de São Paulo está há 310 dias sob censura, por decisão judicial.

http://www.estadao.com.br/pages/especiais/sobcensura/



Escrito por marialimeira às 12h34
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FOLHETINS ALGURES & ALHURES

Maria José Limeira

..........

 

LEMBRANÇAS

Maria José Limeira

 

Em algum lugar do passado,

meu coração ficou preso

entre os destroços

do inacabado.

 

João Pessoa, 01.06.2010



Escrito por marialimeira às 21h17
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IN-DECISÃO

Maria José Limeira

 

Além, muito além

da minha mágoa,

há um algures

que me chama

e um alhures

que vai embora.

 

João Pessoa, 01.06.2010

..........

 

BLEFE

Maria José Limeira

 

Quanto mais o tempo passa,

mais me aproximo

da fantasia

que não se realizou.

 

João Pessoa, 01.06.2010



Escrito por marialimeira às 21h15
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CONTEMPLAÇÃO

Maria José Limeira

 

No remoto cenário

da nossa infância,

os quintais não incluíam portas

ou janelas fechadas,

grades,

nem vigésimo-terceiro-andar

observando tudo de longe.

 

Na paisagem

de tão longínquos algures,

nossos amplos quintais verdes

eram feitos de terra,

barro,

águas corredeiras,

barcos de papel navegando

perigosamente

no rio em cheia,

árvores altaneiras,

passarinhos,

crisálidas & borboletas

e um trem resfolegando ao largo,

em alegre música de chegada

e em longo e triste silvo de partida,

na hora do adeus.

 

João Pessoa, 01.06.2010



Escrito por marialimeira às 21h12
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OLHO NO OLHO

Maria José Limeira

 

A ancestralidade das fotos

registra um mundo

que não existe mais.

É por isso que nossos avós

parecem tão zangados.

 

João Pessoa, 01.06.2010



Escrito por marialimeira às 21h11
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FOLHETINS MAL-ASSOMBRADOS

Maria José Limeira

..........

 

RI-BOMBOS

Maria José Limeira

 

A noite dobra esquinas.

Vultos ligeiros trans-correm.

Fantasmas saem das lapas.

Soam tiros & trovões.

Clarões detonam o céu. 

Meninos gritam:

- Mamãããeeesss!!

 

O medo não adormece

nem quando o azul trans-parece.

 

João Pessoa, 31.05.2010



Escrito por marialimeira às 21h07
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TIRO-TEIOS

Maria José Limeira

 

Menino corre na rua,

o temor no coração.

A criança (minha ou tua)

não brinca mais de pião.

 

Nem de pular corda,

amarelinha,

bunda-canastra,

adivinhação.

 

Não ouve estórias de Troncoso.

Não conhece o mundo maravilhoso

das letras.

 

Só restaram à  perplexa criança  

pequenininha (tua ou minha)

as cantigas de assombrar

que invocam

os bois-das-caras-pretas.



Escrito por marialimeira às 20h59
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DESESPERO

Maria José Limeira

 

Gotas de sangue

derramadas  pelos jovens  

nos pináculos da vida

são balas insidiosas

que exterminam  

o futuro,

a esperança,

o sonho,

e o desejo 

de um mundo melhor.

 

João Pessoa, 31.05.2010



Escrito por marialimeira às 20h58
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