Blog de marialimeira


Frase célebre

O que disse Cássio Cunha Lima ao tomar conhecimento de que o STF impediu-o de assumir vaga no Senado Federal baseado na Lei FichaLimpa:

"- Fazer o que?"



Escrito por marialimeira às 20h56
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Escrito por marialimeira às 20h18
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PROCURA-SE: Mizael Bispo, fugitivo da Justiça

 



Escrito por marialimeira às 20h13
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Trípticos I

I - ENTENDIMENTO ALHEIO

 

até promulgação do entendimento alheio

é esta matéria que trabalho para o poema

trazer consigo tudo o que consigo consigo

ao dar vida a sinapses cerebrais viajando

até mergulhar células nervosas reagindo*

o que faz dum poema ser um poema e não

outra coisa qualquer escrita em palavras

como os poemas são uma visão do mundo

captando na sua forma essência ao verso

numa mão cheia multifacetada de dados

 

cada estância é uma parte dum organismo

vivo onde a linguagem se move como é

sangue e vida em si mesmo feito cristal

da matéria mineral duma raiz quadrada

equacionada em função do espaço-tempo

onde a onda procura frequência modelada

ou as ondas curtas em curtição gerúndio

qual virtualidade verbal da língua na boca

falando ao falante ao ouvido em silêncio

que em si escuta a melodia ou arritmia

 

adequa cada palavra ao paradoxo fático

modelando a fala ao filme da imaginação

escrevendo o poeta isto que vai vendo

até filtrar a seiva bruta seiva elaborada

na folha onde escreve a mão que respira

a inspiração tem então novas fronteiras

móveis como o horizonte num acordo sito

neste sítio mágico do caleidoscópio vivo

dos sons a moverem-se na forma exposta

onde a poesia se dá em resposta: Poesia

 

 

* quando digo o meu poema está contigo

..........

 

TRÍPTICO I

 

Coimbra, doce Francisco,

o conto é como eu conto.

No começo, tem um risco.

No final, coloco ponto.

 

Quem garante que Poesia

dê- nos algum proveito?

Lua não brilha de dia

e sol esturrica leito.

 

Do ar te mando uma frase.

Um verso nasce da terra.

Uma força faz a base

de quem começa e encerra.

 

Francisco Coimbra amigo,

tudo tem explicação.

O que dizes, o que digo

são cismas do coração.

 

Maria José Limeira

João Pessoa, 19.01.2011



Escrito por marialimeira às 19h43
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Trípticos II

II - COERÊNCIA VIVIDA

 

amanhã... quando publicar o poema

de modo a ser dedicado a quem se detenha

a lê-lo, sem outra dedicatória, em Poesia

 

ele terá outra mensagem que procuro reter

fazendo manter rimas ritmos tão inerentes

à paródia desta prosódia que a deixe ficar

 

sendo o poema dedicado à amiga comadre

capaz de tratar poemas como mensagens

por ela descodificadas em opinião expressa

 

assim Limeira teu nome fique nesta beira

como corre dos telhados a água das chuvas

sendo a Maria João quem me deu a ler-te

 

e foi esta a sorte que antecedeu a Poesia

quando agora procurei dar vazão à poesia

procurando para ela vaso feito nu poema

 

onde plantei uma planta para dar flores

muitas e tantas quantas os quantas haja

numa teoria quântica ainda por relativizar

 

o que até pode acontecer quando já for

possível transformar a poesia em temática

das Matemáticas puras aplicadas à Arte

 

em parte só falta dizer que é sempre Amor

o que nos une aos outros visão em coesão

ou, tão simplesmente, na coerência vivida!

 

Francisco Coimbra

..........

 

 

TRÍPTICO II

 

Francisco, peço-te ainda:

quando escreveres poema,

ou uma prosa muito linda,

não o faças pra Iracema.

 

Pois quero ser tua musa,

tua estrelinha do mar.

Se a resposta for recusa,

saibas que eu vou chorar.

 

Pois meu nome é Limeira,

sem nada a ver com Iracemas.

Inda que eu fique na beira,

quero ovos, claras e gemas.

 

Coimbra Francisco, vem.

Aqui tem feijão com arroz.

Rosbife é o que mais tem.

Vamos jantar sós, a dois.

 

Maria José Limeira

João Pessoa, 19.01.2011



Escrito por marialimeira às 16h30
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Trípticos III

 

III - VISCERAL SENTIDO

 

a prosa poética é prosa fluida e mansa

feita a avançar na dança das palavras

sem se deter para poder ganhar versos

onde desenhe o objecto feito desejo

 

onda onde a matéria do mar dá o amor

ao mor prazer da linguagem ganhando

uma viagem à comissura duns lábios

imóveis enquanto não abrem beijando

 

o segredo da leitura que procura sentir

isto que nos aguarda onde guardamos

toda a natureza na essência dum dizer

buscando para muito além de si mesmo

 

onde ainda da onda que se forma nua

modelando a lua como satélite à terra

onde ainda e sempre cavamos fundo

a realidade com que lemos no mundo

 

não havendo talvez outra maneira boa

como esta de vender loas com coração

a servir de vísceras ao visceral sentido

de estarmos onde os outros nos lêem

 

Saludos!

Francisco Coimbra

..........

 

 

TRÍPTICO III

 

Prosa também tem Poesia.

Verso é visceral rotundo.

Amor falso, aleivosia.

Universo é mais que mundo.

 

Todo poeta faz loa.

Toda musa está afim.

Amor não é coisa boa:

ora diz não, ora sim.

 

O mistério da escrita

está na alma de quem lê

e na letra mais bonita

de quem sabe escrever.

 

As palavras dançam a dança,

como se fossem de mola.

Quem escreve não se cansa.

Quem não sabe joga bola.

 

Maria José Limeira

João Pessoa, 19.01.2011

 



Escrito por marialimeira às 16h07
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Sem mais delongas...

 



Escrito por marialimeira às 15h56
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A foto oficial da Presidenta Dilma Rousseff



Escrito por marialimeira às 22h54
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Um dia, o touro vence



Escrito por marialimeira às 20h17
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Gatinho vai ao médico

 



Escrito por marialimeira às 20h12
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Estou aqui

 

Sempre me batem à porta

da minha mente secreta .

E eu vou abrir de mansinho

para que a luz que está lá fora

me entre devagarinho .

Perguntarei o que é que querem

e ouvi-los-ei calado

porque não quero morrer

de alumbrado.

Mas por fim me abrirei

de saber que a vida é .

Com ela me ajuntarei

e de secreto me deixei

me deixarei .

E então meu ser por completo

serei

e sou .

 

Estou aqui

aqui estou.

 

Geraldes de Carvalho

 

http://gdecseeufosse-gdec.blogspot.com/

 




Escrito por marialimeira às 15h16
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Crise neoliberal e sofrimento humano

 

Leonardo Boff

Teólogo

 

 

O balanço que faço de 2010 vai ser diferente. Enfatizo um dado pouco referido nas análises: o imenso sofrimento humano, a desestruturação subjetiva especialmente dos assalariados, devido à reorganização econômico-financeira mundial.

 

Há muito que se operou a “grande transformação”(Polaniy), colocando a economia como o eixo articulador de toda a vida social, subordinando a política e anulando a ética. Quando a economia entra em crise, como sucede atualmente, tudo é sacrificado para salvá-la. Penalisa-se toda a sociedade como na Grécia, na Irlanda, em Portugal, na Espanha e mesmo dos USA em nome do saneamento da economia. O que deveria ser meio,   transforma-se num fim em si mesmo.

 

Colocado em situação de crise, o sistema neoliberal tende a radicalizar sua lógica e a explorar mais ainda a força de trabalho. Ao invés de mudar de rumo, faz mais do mesmo, colocando pesada cruz sobre as costas dos trabalhadores. Não se trata daquilo relativamente já estudado do “assédio moral”, vale dizer, das humilhações persistentes e prolongadas de trabalhadores e trabalhadoras para subordiná-los, amedrontá-los e, por fim, levá-los a deixar o trabalho. O sofrimento agora é mais generalizado e difuso afetando, ora mais ora menos, o conjunto dos países centrais. Trata-se de uma espécie de “mal-estar da globalização” em processo de erosão humanística.

 

Ele se expressa por grave depressão coletiva, destruição do horizonte da esperança, perda da alegria de viver, vontade de sumir do mapa e até, em muitos,  de tirar a própria vida. Por causa da crise, as empresas e seus gestores levam  a competitividade até a um limite extremo, estipulam metas quase inalcançáveis, infundindo nos trabalhadores, angústias, medo e, não raro, síndrome de pânico. Cobra-se tudo deles: entrega incondicional e plena disponibilidade, dilacerando sua subjetividade e destruindo as relações familiares. Estima-se que no Brasil cerca de 15 milhões de pessoas sofram este tipo de depressão, ligada às sobrecargas do trabalho.

 



Escrito por marialimeira às 21h07
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Crise neoliberal - Conclusão

A pesquisadora Margarida Barreto, médica especialista em saúde do trabalho, observou que no ano passado, numa pequisa ouvindo 400 pessoas, que cerca de um quarto delas teve  idéias suicidas por causa da excessiva cobrança no trabalho. Continua ela: “é preciso ver a tentativa de tirar a própria vida como uma grande denúncia às condições de trabalho impostas pelo neoliberalismo nas últimas décadas”.  Especialmente são afetados os bancários do setor financeiro, altamente especulativo e orientado para a maximalização dos lucros. Uma pesquisa de 2009 feita pelo professor Marcelo Augusto Finazzi Santos, da Universidade de Brasília, apurou que entre 1996 a 2005, a cada 20 dias, um bancário se suicidava, por causa das pressões por metas, excesso de tarefas e pavor do desemprego. Os gestores atuais mostram-se insensíveis ao sofrimento de seus funcionários, acrescentando-lhes ainda mais sofrimento.

 

A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de três mil pessoas se suicidam diariamente, muitas delas por causa da abusiva pressão do trabalho. O Le Monde Diplomatique de novembro do corrente ano, denunciou  que entre os motivos das greves de outubro na França, se achava também o protesto contra o acelerado ritmo de trabalho imposto pelas fábricas causando nervosismo, irritabilidade e ansiedade. Relançou-se a frase de 1968 que rezava:”metrô, trabalho, cama”, atualizando-a agora como “metrô, trabalho, túmulo”. Quer dizer, doenças letais ou o suicídio como efeito da superexploração capitalista.

 

Nas análises que se fazem da atual  crise, importa incorporar este dado perverso que é  o oceano de sofrimento que está sendo imposto à população, sobretudo, aos pobres, no propósito de salvar o sistema econômico, controlado por poucas forças, extremamente fortes, mas desumanas e sem piedade. Uma razão a mais para superá-lo historicamente, além de condená-lo moralmente. Nessa direção caminha a consciência ética da humanidade, bem representada nas várias realizações do  Forum Social Mundial entre outras.

.......... 

Leonardo Boff é autor de Proteger a Terra-Cuidar da vida:como evitar o fim do mundo, Record 2010.



Escrito por marialimeira às 21h05
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FOLHETINS DA VINGANÇA

Maria José Limeira

 

Por tudo que me fizeste,

zombaste da minha dança.

Pela dor que me impuseste,

vingança.

 

Rancor é coisa feia,

de noite como de dia.

Come-se à hora ceia

vingança fria.

 

Frio é prato congelado

para as horas de verão.

No inverno orvalhado,

vingança não.

 

Vinga, vingança, ó vingança.

O amor ficou no passado.

O ódio virou herança

guardada aqui do meu lado.

 

Aversão amarga os olhos,

tal pimenta que se lança.

No lixo sobram escolhos.

No meu coração, vingança.



Escrito por marialimeira às 19h53
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SOLDADO, DIZ A SOLDADO...

Maria José Limeira

 

(Conto em homenagem à Cidade do Rio de Janeiro em chamas)

 

Quando Oswaldo Nunes adentrou na sala da administração do quartel da Polícia Militar para inscrever-se como recruta, era pouco mais que um menino de olhos inquietos & alegres.

Chegara pela mão do tio-capitão, que queria ver o sobrinho macho crescer como homem – antes do tempo, e a toda pressa.

Até o registro de nascimento do pirralho ganharia dois anos a mais – sem  mais delongas – graças à burilança & pirataria de um cartório público cujo prédio soturno caía aos pedaços, onde a vida humana valia tão pouco que poderia ser rasgada & refeita, sem que ninguém reclamasse.

Pois foi assim que nosso bizarro personagem passou dos mal-vividos dezesseis anos da sua parca realidade  para os dezoito anos ficcionais de uma nova biografia: irresponsavelmente & à revelia.

Então, regado pelo tio bonachão a vinho, Oswaldo Nunes pegou a vereda dos sem-volta, encantado com as promessas de vida mansa na cidade-grande, onde as luzes da felicidade não se apagariam nunca, segundo lenda que nem sempre se cumpre. Para um bigodete ingênuo e mal-chegado, aquilo era um mundo que se ajoelhava aos seus pés.

Nunes nunca entendeu por que seu cadastro na Polícia fora feito por debaixo dos panos, nas caladas da noite, longe das filas de inscrição, sem qualquer exame preliminar, tudo parecendo passe de mágica do tio-capitão, que, onde tocava, a porta da esperança se abria, como se desse início a um show-maravilha.

Entre o garoto de outrora e o velho Nunes de hoje, pouca a diferença.

Apesar dos choques das ruas, ele conseguira manter sua dignidade com o mesmo entusiasmo que imprimia às suas incursões quando, a serviço da Paz, atirava a esmo, sem saber bem a quem se dirigia o ódio dos colegas de batalhão, cujas balas feriam e/ou matavam civis desarmados e incautos, que atravessavam as linhas de tiros inadvertidamente. Enquanto os bandidos – os bandidos verdadeiros – escapavam armados por becos e ruelas.

É... São coisas da vida... Coisas da vida... Coisas da vida... – Esta era a única indicação de que, apesar de policial, a pessoa podia ser boa, segundo pensava Nunes solitário em seu barraco, sem ter com quem dividir sua filosofia rasteira e analfabeta.

Num ambiente de pobreza e necessidades, só considerava de seu mesmo aquela máquina fotográfica obsoleta que ele usava nas horas de ócio para registrar momentos vagos que não se definiam e a qual era como uma válvula de escape para fugir da violência reinante.

Que se dane a violência. Que vão todos para a casa do capeta. O mundo é bonito, ouviram? Vocês é que não querem ver. E assim divagando, o velho Nunes saiu em sua última jornada, junto com o batalhão, à caça de bandidos perigosos.

Nessa missão, um tiro no peito derrubou-o para sempre.

No barraco agora abandonado, eram poucos os despojos do bravo soldado: algumas centenas de fotos – ora coloridas, ora em preto & branco – retratavam o otimismo de quem vê a vida com bons olhos.

E foi através das fotos que o Comando PM conheceu aquele velho soldado anônimo, desorientado no meio da tropa, estrangeiro de si mesmo, que não se abria pra ninguém e não queria dar-se a conhecer.

Eram fragmentos da velha cidade do Rio de Janeiro esquecidos pela mídia e  pelo povo em geral: registros das visitas de um velho cansado aos pontos turísticos, onde as crianças sorriam, os velhos eram portos de terceira idade, o ar exalava o cheiro das moças & rapazes que passavam ao largo.

Ah, soldado, diz a soldado:

– O mundo é bonito, ouviram?  Vocês é que não querem ver.

Sua última visão foi o imenso céu azul, onde pastavam nuvens brancas como carneirinhos saltitantes, cuja única palavra que sabiam dizer era “béééé”.

Também eram azuis os olhos do velho Nunes.

 

(Do livro “Contos cruéis”).

 



Escrito por marialimeira às 17h08
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Em defesa da Xenofobia –

“São Paulo para os Paulistas”*

Por Rosivaldo Toscano em seu blog

04/01/2011

 

 Nos últimos dias foram vistas várias manifestações na internet insultando nordestinos, por parte de uma insignificante, mas barulhenta minoria. Esse fenômeno sectarista e xenofóbico parece ter eclodido das profundezas de nossa sociedade após a campanha eleitoral. Fui pesquisar e encontrei inclusive um movimento intitulado “São Paulo para os Paulistas” que possui até blog na internet. E diz o manifesto desse movimento:

“Quantas vezes você, paulista, presenciou cenas de desrespeito praticado por migrantes?
Invadirem espaços, agirem como se estivessem em sua terra. Imporem sua cultura e costumes à nossa vontade. Inundam nosso estado, exigem serviços, põem-se de ‘vítimas’, apagam nossa identidade. Assim somos desrespeitados. E dentro da nossa terra!
Não bastando, acham-se no direito de proibir o paulista de opinar sobre o tema. Se contrariados, já querem acusar de “conceitos prévios” e denunciar. Impuseram a nós que era um tema proibido, e nós aceitamos isso até hoje.
Porém, estes artifícios sutis usados para nos calar, não são próprios de um sistema democrático. Surge então a idéia de reunir em um Manifesto, o pensamento dos paulistas, não ouvidos e sem espaço na Mídia e pelas autoridades.”


Vieram-me algumas dúvidas sobre a identidade desse movimento. O que caracteriza ser paulista? Ter nascido no estado de São Paulo? O que o distingue dos demais outros povos? O que diferencia um migrante de um imigrante? Gostaria de fazer um exercício de volta no tempo e pensar um pouco.

 



Escrito por marialimeira às 22h04
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Xenofobia - Continuação

Primeiro: o Brasil não foi “descoberto” por Cabral. Foi invadido. Havia muita gente morando e vivendo aqui, cara-pálida. E basicamente dois grupos indígenas ocupavam a região que hoje chamamos São Paulo: os Tupi-Guaranis e os Jês. Esses são os verdadeiros donos do pedaço, viu? Estão aqui há pelo menos dez mil primaveras. Antiguidade é posto, todos sabem. Italianos, alemães, Japoneses? Nada disso. Vieram a menos de duzentos anos.
Segundo: há um mito sobre a honrosa origem dos imigrantes europeus. Ao contrário do que se pensa, o europeu que veio pra cá fugia da fome, da guerra, da miséria e da falta de oportunidades na Europa. Não veio gente na primeira classe, pois saibam. Nossos antepassados cruzaram o Atlântico nos porões e na terceira classe dos navios, em péssimas condições de salubridade, não muito melhores do que as dos irmãos negros que sofreram até aportarem em nossas terras. Muitos morreram na longa viagem até aqui. O mesmo se deu com os japoneses. E vieram por gosto próprio. Os únicos que poderiam dizer que foram trazidos a contragosto foram os africanos.
Assim, alio-me a todos os que defendem São Paulo para os paulistanos. Viva aos verdadeiros paulistanos: os Tupi-Guaranis e os Jês!
Defendendo os legítimos donos do pedaço, lanço agora, portanto, um segundo manifesto, o mais fiel manifesto de “São Paulo para os Paulistanos”, dirigido EXCLUSIVAMENTE aos que compartilham do primeiro manifesto.



Escrito por marialimeira às 22h00
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Xenofobia - Continuação

Fora todos os forasteiros que desrespeitaram a cultura indígena, invadiram espaços, agiram como se estivessem em sua terra; buscaram, ao invés da mandioca, impor a pizza e o sushi. Ao invés do cauim, introduziram uma bebida amarga chamada cerveja.
Esses forasteiros impuseram sua cultura e costumes à nossa vontade indígena. Inundaram nosso estado com asfalto e cimento impermeáveis, encheram nossas terras de agrotóxicos e nossos lindos vales de automóveis. Nossa garoa agora é infestada de monóxido de carbono. Enfim, apagaram a identidade indígena. Assim, fomos desrespeitados. E dentro da nossa terra!
Vamos começar tomando de volta o Anhangabaú e o Ibirapuera, e as cidades que ainda conservam nossos nomes indígenas: Caraguatatuba, Guarapari, Guaratinguetá, Ipiranga, Itatiaia, Pindamonhangaba, Sorocaba, Apiaí, Araçatuba, Araçoiaba, Araraquara, Ariranha, Arujá, Atibaia, Avanhandava, Avaré, Bauru, Bertioga, Birigui, Boituva, Borá, Borborema, Botucatu, Buritama, Guaíra, Guapiará, Guará, Guaraçaí, Guarantã, Guararapes, Guaratinguetá, Guariba, Guarujá, Guarulhos, Iacanga, Ibaté, Ibirarema, Ibitinga, Igaraçu, Igarapava, Indaiatuba, Ipauçu, Ipeúna, Ipuã, Irapuã, Itajobi, Itapetininga, Itapeva, Itapevi, Itapira, Itu, Ituverava, Jacareí, Jaguariúna, Jaú, Jundiaí, Mairiporã, Mauá, Moji-Guaçu, Moji-Mirim, Morungaba, Nhandeara, Nuporanga, Pacaembu, Paraibuna, Paranapanema, Pindamonhangaba, Piracaia, Piracicaba, Pirassununga, Piratininga, Sorocaba, Tabapuã, Tabatinga, Taiaçu, Aiuva, Taquaritinga, Taubaté e Votuporanga. Depois será a vez do resto.
Se você não usa cocar – isto é, já foi corrompido pelos forasteiros e deixou de ser paulista – ou pior, é descendente de alemão, italiano (como eu sou), português e japonês,vá embora agora!
Mas ir pra onde?



Escrito por marialimeira às 21h58
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Xenofobia - Conclusão

Se você não tem a cidadania da terra de seus ancestrais (minha esposa pelo menos estará a salvo, pois tem a italiana), não tente ir, pois certamente será deportado. Se tornará, finalmente, um sem-terra!
Quer então uma sugestão de um lugar para ir? Vá para o Nordeste. Tenho certeza de que lá será recebido como um irmão, como um legítimo brasileiro.

·         Abusei da ironia nessa crônica porque apesar de ser grave a questão, não há como levar a sério tais posicionamentos xenofóbicos. Aproveito para mandar um abraço aos queridos parentes e amigos paulistas, e aos colegas da magistratura de São Paulo que tanto honram a toga que vestem, em especial aos membros da Associação Juízes para a Democracia – AJD – da qual faço parte.



Escrito por marialimeira às 21h54
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Um livro em discussão

OS GEMIDOS DA RUA

Um livro de Dôra Limeira

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

O que mais se ressalta nos textos de Dôra Limeira, em seu livro “Os gemidos da rua” é que parecem, um a um, fragmentos de um todo, onde personagens explícitos apenas mudam de nomes, ligados às mesmas angústias, aos mesmos conflitos, movimentando-se praticamente em cenários semelhantes.

A autora utiliza bem as ferramentas do gênero – ora contos curtos, ora contos longos – registrando-se assim uma preocupação com a forma por excelência. 

No meio da algaravia, onde as pessoas numa hora se perdem e em outra, tentam se encontrar, o que se observa é um personagem central que se faz presente em todas as narrações, embora não se explique: a solidão.

Destarte, é a solidão que mobiliza os seres desvalidos e patéticos que a autora expõe, sem medo, com seus rios escorrendo pernas abaixo, suas flatulências, seus vômitos mal-cheirosos e seus hálitos de boca de esgoto.

No entanto, em nenhum momento dá-se a liberdade que cada um almeja, condenando-se todos a sofrimentos intermináveis, como em prisões perpétuas.

São contos deprimentes & pessimistas, que casam bem com o título do livro (“Os gemidos da rua”) – aliás,  um título “do caralho”, como diria minha vó – que colocam em discussão as condições sociais do nosso tempo e retratam a luta por remissão de um povo cujo único crime é ser pobre.

 



Escrito por marialimeira às 16h44
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Recado para Dilma Rousseff:

SEJA BEM-VINDA, SENHORA DONA PRESIDENTA!



Escrito por marialimeira às 22h48
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Recado para Lula:

VALEU, LULA!



Escrito por marialimeira às 22h46
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