Blog de marialimeira


A árvore da serra

 

Augusto dos Anjos

 

— As árvores, meu filho, não têm alma!

E esta árvore me serve de empecilho...

É preciso cortá-la, pois, meu filho,

Para que eu tenha uma velhice calma!

 

— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!

Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!

Deus pos almas nos cedros... no junquilho...

Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...

 

— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:

«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»

E quando a árvore, olhando a pátria serra,

 

Caiu aos golpes do machado bronco,

O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!



Escrito por marialimeira às 22h23
[   ] [ envie esta mensagem ]




LIVRE-ARBÍTRIO, EQUIDADE, ABADIA

 

Amiga,

todos os homens são iguais,

como diziam nossos avós,

nas pelejas libertárias.

Não obstante,

uns são brancos,

outros pretos,

outros mulatos,

e mais outros,

disfarçados ou não.

Minha mãe acrescentava:

“- Cada um deles tem

uma pimba venenosa!”

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 21.11.2011



Escrito por marialimeira às 21h07
[   ] [ envie esta mensagem ]




FISSURA

 

Nenhum fundo de poço

é tão fundo

que não possa afundar

uma vez mais.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 20.11.2011

..........

 

ALGO MUDOU

 

Mãe:

uma palavra antiga

à qual, 

dá-se pouco valor,

hoje em dia.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 20.11.2011

..........

 

UM CONSELHO - 1

 

Se você estiver

com um grave problema,

não peça ajuda a amigos.

Uma pessoa distraída

talvez seja

de melhor amparo

nessa hora.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 20.11.2011

..........

 

 

UM CONSELHO -2

 

Não faça tudo certinho,

dentro dos conformes.

Num País de ladrões

e corruptos,

se você for honesto,

sincero,

etc.,

o máximo que vai conseguir

é cair no ridículo.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 20.11.2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por marialimeira às 19h57
[   ] [ envie esta mensagem ]




FOLHETINS SOFRÍVEIS

 

Ó nuvem alba,

cândida letra no papel,

leva meu recado

a quem lhe caiba:

- Eu estou sofrendo muito.

 

Nas águas poluídas

em que navega

meu barco roto,

há um amor brega

e outro escroto.

 

Em baixios

de catacumbas, 

a morte tem desvarios.

Uns são sambas.

Outros, rumbas.

 

Um dia inda é agora.

Amanhã, muito depois.

No passado, foste embora.

O futuro, sem nós dois.

Enfrentamos conseqüências:

cada um sofrendo a sós,

ontem, hoje, após.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 16.11.2011

 



Escrito por marialimeira às 20h29
[   ] [ envie esta mensagem ]




UM DESLUMBRE DEBAIXO DA CAMA

(Maria José Limeira)

 

 

Crafit, crafit, crafit... etc. etc., faziam as formigas seus barulhinhos, cravejadas nos encontros das paredes, dentro do guarda-roupa e do criado mudo, até espantar meu sono, que já era pouco.

Seriam mesmo formigas com suas barafundas que agrediam também os ouvidos vizinhos, e não somente os meus?

E por que ninguém tomava providência?

Seu guarda, faz favor, há tumultos de rua debaixo do meu travesseiro. Convoque a tropa de elite, porque o senhor, seu guarda, sozinho e único, não vai conseguir dar conta...

Toda vez, tinha que ser eu a me desenrolar dos lençóis quentes, sair debaixo de frio e de constrangimento para os ermos do quarto, acender  luzes e descobrir, espantada, que não havia formiga nenhuma.

Mas, não contem comigo agora, porque combater formigas inexistentes não é mais minha área de atuação.

Doravante, brigarei somente contra exércitos de brancaleones, ditaduras ridículas de mais de vinte anos, incêndios criminosos de neros do século vinte e um, esquadrões da morte morrida e da morte matada, gangues violentas munidas de AR-15s e contra outras coisinhas mais de somenos importância.

Pensando bem, levantei-me da cama com má vontade, para danar baygon nas formigas guerrilheiras. Achando que elas daquela vez existiriam.

Hilário engodo.

Depois de procurá-las no teto, nos recantos das paredes, em vão, descobri o que havia debaixo da cama.

Era uma galinha choca, cujos pintainhos nasciam, quebrando cascas de ovos e gritando a mais não poder:

- Piu, piu, piu, piu, piu... etc. etc. – cujas expressões defini assim: “Allons enfants de la Patrie le jour de gloire est arrivé...”



Escrito por marialimeira às 00h03
[   ] [ envie esta mensagem ]




NA DESORDEM DA ZONA MORTA

Maria José Limeira

 

Ouvi o farfalhar suave de folhas na calçada, passos ligeiros.

Alguém bateu à porta.

Olhei pelo buraco da fechadura.

O vento assobiou.

Fiquei cada vez mais sozinha.

Fui dormir cedo, entre os últimos raios de sol  e um começo de céu sombrio.

Acordei assustada, aturdida, na escuridão.

Eram, talvez, três horas da manhã.

O fantasma da meia noite se atrasara.

Tive pai, mãe, muitos irmãos, tios, padrinhos, parentes, contra-parentes, todos muito certinhos, competentes.

Mas, nem assim consegui ser feliz.

Hoje, meus parentes e aderentes são apenas vultos que o crepúsculo esconde.

Durante o dia, cantam os passarinhos, os carros buzinam desesperados, as pessoas gritam, xingam, choram.

Tudo isto é mui belo.

Quando a noite chega, soçobro.

Há duas partes em mim que se confrontam.

Uma é minha cara de virgem, santa pureza, senhora da consolação.

A outra dilacera minhas vísceras, esmaga meu coração, num permanente desencontro.

Se o mundo é grande e bonito, as pessoas são generosas, o cachorro é o melhor amigodo homem, a Natureza é pródiga, todos são bons e inocentes até que se prove o contrário, por que eu me sinto culpada  por antecipação e tenho que pagar alto pelos meus supostos desacertos?

O dia é branco.

A noite, negra.

O céu, azul.

A rosa, vermelha.

Se o planeta Terra é colorido,  a própria morte tem cor,  porque eu me apresento com essa cara de lelé pálida e exangue, como cadáver de rainha egípcia mumificada?

O óbvio  é azucrinante. – Eis uma boa resposta às dúvidas estrondosas.

 



Escrito por marialimeira às 00h01
[   ] [ envie esta mensagem ]




ALENTO

 

Eu quero capturar a noite

como quem sobrepuja

a dança da égua no cio,

entre as pernas,

ininterruptamente prenhe

de Poesia.

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 02.11.2011

...........

 

APARÊNCIAS

 

Quem me vê assim

falando,

rindo,

contando piadas

ou

chorando,

pensa que eu

ainda tenho juízo.

Ah-ah!

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 02.11.2011

..........

 

TE ENXERGA!

 

As pessoas deveriam

se envergonhar

daquilo

que são.

 

Que caras-de-pau!

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 02.11.2011

..........

 

DES-AFIO

 

Não pensem vocês

que porque estou velha,

vou levar desaforo pra casa.

 

Venham aqui,

seus cabras-safados!

 

(Maria José Limeira)

João Pessoa, 02.11.2011

 



Escrito por marialimeira às 22h55
[   ] [ envie esta mensagem ]




CSI-Miami, CSI-New York & Law and Order

 (Maria José Limeira)

Para quem gosta de TV, nada de novelas açucaradas, nem jornais (locais, nacionais, internacionais), nada disso que tenta lançar desafios para as precárias mentes brasileiras, obrigando-as a refletir, sem alcançar...

Boas mesmo são as “séries” (ainda que brasileiras ou musicais).

Bem... Bem.

Vamos então ao que interessa: as séries enlatadas (e/ou enluaradas) americanas, onde o crime não compensa e, depois de perpetrado, enseja uma cadeia de dúvidas nos telespectadores sobre quem serão os autores de tais fatos delituosos merecedores de penas máximas.

Fazem parte do mistifório atores de grande popularidade nos EUA, valendo os tais programas audiências máximas, naquele País pela curiosidade que despertam, vez que, cada filme da série tem vida independente, e usa intérpretes que se escoram  na TV para ganhar dinheiro, sem preocupação em relação à arte cinematográfica por supostos inúteis grandes filmes.

Ah-ah! São desses CSIs da vida que tiro minhas lições sobre a arte do mistério, da polícia, de personagens intricados, de temas exóticos e de artistas galantes (ou galanteadores?).

– Affe! O tal de David Caruso (Horatio), com aqueles seus olhinhos baixos e sorrisos misteriosos na condução das investigações de assassinatos cada vez mais primorosos é de fazer qualquer mocinha casadoira se comover. Ai, ai, ai... Não eu, claro, que há muito tempo perdi as lágrimas de tanto me emocionar nos “suplícios de uma saudade” de todas as gerações.

Quem se importa que as séries citadas no título deste meu curto documentário sejam reles, trashs (é assim que se escreve?) e filmes de quinta categoria, como as classificam os críticos cinematográficos mais exigentes?

Menos eu!

Abaixo a TV Globo & o Jornal Nacional!




Escrito por marialimeira às 22h03
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Mulher, Portuguese, Arte e cultura
Histórico
  01/05/2012 a 31/05/2012
  01/03/2012 a 31/03/2012
  01/02/2012 a 29/02/2012
  01/12/2011 a 31/12/2011
  01/11/2011 a 30/11/2011
  01/10/2011 a 31/10/2011
  01/09/2011 a 30/09/2011
  01/07/2011 a 31/07/2011
  01/05/2011 a 31/05/2011
  01/04/2011 a 30/04/2011
  01/03/2011 a 31/03/2011
  01/02/2011 a 28/02/2011
  01/01/2011 a 31/01/2011
  01/12/2010 a 31/12/2010
  01/11/2010 a 30/11/2010
  01/10/2010 a 31/10/2010
  01/09/2010 a 30/09/2010
  01/08/2010 a 31/08/2010
  01/07/2010 a 31/07/2010
  01/06/2010 a 30/06/2010
  01/05/2010 a 31/05/2010
  01/04/2010 a 30/04/2010
  01/03/2010 a 31/03/2010
  01/02/2010 a 28/02/2010
  01/01/2010 a 31/01/2010
  01/12/2009 a 31/12/2009
  01/11/2009 a 30/11/2009
  01/10/2009 a 31/10/2009
  01/09/2009 a 30/09/2009
  01/08/2009 a 31/08/2009
  01/06/2009 a 30/06/2009
  01/04/2009 a 30/04/2009
  01/03/2009 a 31/03/2009
  01/02/2009 a 28/02/2009
  01/01/2009 a 31/01/2009
  01/08/2008 a 31/08/2008
  01/07/2008 a 31/07/2008
  01/06/2008 a 30/06/2008
  01/05/2008 a 31/05/2008
  01/04/2008 a 30/04/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/01/2008 a 31/01/2008
  01/12/2007 a 31/12/2007
  01/11/2007 a 30/11/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/08/2007 a 31/08/2007
  01/07/2007 a 31/07/2007
  01/06/2007 a 30/06/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006


Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
  Maria José Limeira & Amigos
  Dicionário de Direitos Humanos
  Educação Ambiental
  Francisco Coimbra
  Observatório da Infância
  Noite sombria
  Rosangela_Aliberti
  Jorge Vicente
  Balaio de Letras
  Dôra Limeira
  Dira Vieira
  O Bule
  Luiz de Aquino
  Geraldes de Carvalho
  Glauber Vieira
  Algo mais além de livros
  Planeta Sustentável
  Poeta Linaldo Guedes
  El Theatro
Votação
  Dê uma nota para meu blog